<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846</id><updated>2012-01-30T16:40:59.260-02:00</updated><category term='coisas da vida'/><category term='o sábio'/><category term='zwkrshjistao'/><category term='parábolas'/><category term='editorial'/><category term='quase piadas'/><category term='diários de um sapo'/><category term='aperitivos'/><category term='joe náufrago'/><category term='haicais e poemas'/><category term='livros e eu'/><category term='eu por mim mesmo'/><category term='férias nos Andes'/><category term='de meter medo'/><category term='seu Glicério'/><category term='zwkrshjistão'/><title type='text'>acepipes escritos</title><subtitle type='html'>cinco anos!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>298</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2633259228056558844</id><published>2012-01-16T15:12:00.002-02:00</published><updated>2012-01-16T15:15:24.260-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Menino de engenho</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. vi)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era um menino franzino e tímido. Tímido a ponto de ficar vermelho só de ouvir meu nome na chamada, a ponto de só querer da professora que me deixasse passar despercebido. Pois chegou um dia em que tudo deu errado. Sempre chega.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era comecinho de ano, quarta série. Eu tinha um livro na mochila, mais um desses amarelados e de páginas meio caindo que eu pegava escondido nas coisas dos meus pais. A professorava passava, acompanhando a lição, e viu entre o zíper aberto da minha mochila uma metade de título que, imagino, logo reconheceu. Uma onda vermelha me subiu pelo pescoço quando ela pediu para ver e pegou das minhas mãos &lt;i&gt;O menino de engenho&lt;/i&gt;, José Lins do Rego.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que veio em seguida foi um horror. Eu podia sentir o rosto esquentando, as orelhas cozinhando conforme ela mostrava à classe meu exemplo, elogiava meu interesse por ler um livro daqueles sem que fosse pedido na escola, contava da sua própria experiência como leitora e –mais tarde descobri– esposa de escritor. Devolveu-me o livro com os olhos molhados e um sorriso dos grandes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Superei rápido meu trauma de ter sido notado pela classe inteira e ficamos bons amigos. Lembro do clube de leitura –tínhamos que ler um livro a cada quinze dias– que ela organizou com doações que trouxemos de casa. Lembro das várias lições de redação, e lembro particularmente de uma descrição onde eu dizia do mar azul como safira. Fico pensando que tipo de criança de onze anos escreve "azul como safira"... eu devia ser meio árcade quando era pré adolescente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do menino de engenho, mais que a história, que o avô coronel, que os castigos, mais que os canaviais sem fim, que o doce da cana, que o cangaço ficou esse ano letivo com a professora que me descobriu apaixonado pelas letras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Porque os livros têm isso também: fazem viver histórias não só dentro das páginas, mas também fora delas. Às vezes o que fica não é nem um personagem, um enredo ou um trecho em especial, mas a lembrança de um passeio na livraria, de uma tarde numa poltrona confortável, de uma conversa com quem também leu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Existem essas pessoas que cruzam nosso caminho, ficam só uma temporada e já seguem para outras paragens. Pois se um dia eu conseguisse fazer uma lista justa, que não esquecesse nenhuma delas, a professora Maria Aparecida, da quarta série, iria para as cabeças.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pessoa maravilhosa. Calhou a vida de nos encontrarmos e, se um dia eu escrever algo que valha, deverei a ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2633259228056558844?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2633259228056558844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2633259228056558844&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2633259228056558844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2633259228056558844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2012/01/menino-de-engenho.html' title='Menino de engenho'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-891533965898217878</id><published>2012-01-02T20:31:00.000-02:00</published><updated>2012-01-02T20:38:19.993-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Padre Amaro</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. v)&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pode escolher o livro que você quiser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha mãe não sabe o problema que me inventou quando disse isso. Eu tinha me comportado bem na visita a uma tia avó, o ônibus parecia que não chegaria tão cedo, e então ela decidiu entrar na livraria para me fazer um agrado. Fiquei ali, esse problemão nas mãos, enquanto ela foi procurar umas revistas de &lt;i&gt;tricot&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O livro que eu quiser. Hoje em dia, leitor mais experiente, tenho uma lista de pretendidos que posso sacar do bolso numa emergência do tipo "pense rápido" como essa, mas na época eu fui pego desprevenido. Numa livraria com milhares, qual?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo nas primeiras prateleiras, um me prendeu os olhos. Olhei por tudo, pensei em mais uma meia dúzia de outros, mas sabem como é: o primeiro palpite é sempre o certo. Foi o tempo de pagar e correr para o ônibus prestes a sair do ponto final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Caí no sofá de tênis e tudo e tirei da sacolinha &lt;i&gt;O crime do padre Amaro&lt;/i&gt;, do Eça de Queirós.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu ainda não ligava muito para orelhas e contra-capas, comprei pelo título mesmo –e um pouco pelo meu avô, também Amaro. Imaginei uma história de suspense, um detetive, um ajudante atrapalhado, um assassino acima de qualquer suspeita, essas coisas. Que será que tinha aprontado o tal padre? &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nada disso. O que eu tinha ali era um livro português de mil oitocentos e tanto, linguagem da época, crítica pesada à sociedade e ao clero, personagens moralmente fracos, um padre que engravida uma mulher. Só agora, quase vinte anos depois, fui descobrir que é um livro emblemático, o primeiro do realismo português, uma coisa mesmo polêmica. Mas eu tinha dez anos e só queria uma história inofensiva de detetive. Mas nada disso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mandei ver mesmo assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com o tempo, dos livros vão sobrando pedaços na nossa memória. Desse, lembro logo de cara das noites em que o padre Amaro acorda e dá com dois olhos em brasa espreitando; tudo escuro e só aquelas duas luzinhas malignas no pé da cama. Também tinha essa moça Amélia, uma coitadinha que, em meu parecer inocente da época, entrou de gaiato na história. Tinha uma pensão em que se subia uma escada para entrar, tinha umas senhoras fofoqueiras mui vigilantes da moral e dos bons costumes. Tinha um outro padre que morreu de apoplexia –e até hoje eu não sei o que é apoplexia– e tinha muitas palavras complicadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Li de um jeito meio clandestino, ressabiado de que me descobrissem com algo impróprio para um menino de dez anos. Terminei com uma sensação boa: tinha lido um livro de adultos, já não era mais tão bobinho assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E uma coisa eu confesso: até outro dia atrás eu ainda tinha medo de acordar de madrugada e dar com dois olhos vermelhos me vigiando. Deuzolivre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-891533965898217878?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/891533965898217878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=891533965898217878&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/891533965898217878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/891533965898217878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2012/01/padre-amaro.html' title='Padre Amaro'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4839078681358276194</id><published>2011-12-14T16:29:00.002-02:00</published><updated>2011-12-14T16:29:48.726-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Cinco anos</title><content type='html'>Outro dia, uma cliente do restaurante veio falar com minha esposa de uns textos que descobriu na Internet. Os elogios da senhora foram sinceros. Quando ouviu, surpresa, o nome do &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, a resposta foi um sorriso e um "é o meu marido quem escreve essas coisas".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acho que nunca vou deixar de me surpreender.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje o Acepipes Escritos completa cinco anos. Fosse uma criança, já estaria correndo pela casa, virando baús de brinquedos, pedindo para ver pela milionésima vez o filme predileto, aprendendo as primeiras letras. Mas, como é um blog, a história é outra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aqui registrei minha viagem, minha maior aventura. Aqui vivi tempos amargos e vi chegar o tempo da felicidade. Aqui contei de quando comecei a namorar e de quando me casei. Aqui me despedi da minha avó, lembrei da minha infância, pensei no futuro. Aqui inventei histórias personagens vidas começos finais. Aqui conheci muita gente e me deixei, como em outro lugar nenhum, me conhecer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nos últimos tempos, a coisa tem acelerado de uma forma que anda difícil, para mim tão tímido, apreender. Sou demorado com certas coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Têm surgido amigos no Facebook, seguidores no Twitter, leitores no feed, várias citações em muitos lugares. Alguns &lt;i&gt;posts &lt;/i&gt;ganharam uma repercussão nas redes sociais que já não consigo mais acompanhar. Bati a marca das duas mil visitas num dia só. Fui citado em grandes blogs e por grandes pessoas. O Acepipes foi usados por professores em sala de aula. Fui convidado para falar sobre escrita numa das universidades mais importantes do país. Pediram que eu autorizasse publicar textos em revistas e antologias. Recebi até proposta de casamento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desculpem se pareço pedante, mas é que eu só enumero as coisas assim porque fico meio assombrado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nunca fiz nenhuma propaganda, nunca criei correntes, nunca repassei nada, nunca tive pretensão de enfiar nada pela goela abaixo de ninguém. Só escrevi. Só escrevi, e vocês é que estão fazendo o milagre acontecer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vocês que talvez nem tenham ideia do quanto, no aparente silêncio do lado de cá, eu estimo cada um. Vocês que talvez não tenham nem ideia de quantos nomes eu já guardei, de quantas histórias pessoais eu já acompanhei.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vocês são o milagre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E eu só queria agradecer, muito, e de coração.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; (E eu também queria que existisse uma palavra maior que "obrigado".)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4839078681358276194?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4839078681358276194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4839078681358276194&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4839078681358276194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4839078681358276194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/12/cinco-anos.html' title='Cinco anos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1530886009711605016</id><published>2011-12-12T21:24:00.001-02:00</published><updated>2011-12-12T21:31:30.628-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Dez Negrinhos</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. iv&lt;/b&gt;)&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um deles se engasgou e então ficaram nove.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Agatha Christie&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devia ter, sei lá, uns dez anos e, depois do almoço, peguei um livro antigo do meu pai, daqueles amarelados e com as páginas meio caindo. Vou admitir que tinha um certo preconceito com aqueles livros porque eram amarelados e tinham páginas caindo, mas estava cansado dos meus de sempre –Gulliver, Sinbad, Mogli– e resolvi arriscar. A capa era feia. Chamava-se &lt;i&gt;O caso dos dez negrinhos&lt;/i&gt;. Comecei a ler, como quem não quer nada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eletrizante, essa é a palavra: eletrizante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma mansão numa ilha. Dez pessoas estranhas. Assassinato. Sobram, então, nove pessoas. Depois, oito e sete e seis.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era época de aula de manhã e nada para fazer à tarde –a lição de casa eu copiava, rapidinho antes de entrar na sala, de uma menina apaixonada por mim, que com dez anos eu era meio cafajeste, depois tomei jeito–, então pude me dar a um luxo que hoje em dia é raro: li tudo de uma sentada só. O dia já estava escurecendo quando fui chegando ao final do mistério, fervendo a cabeça com um monte de soluções e vislumbrando uma promissora carreira de detetive particular.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cinco pessoas. Quatro. Três.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas eis que. Eis que.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando virei uma página, dei com um trecho que, ué, pareceu meio familiar. Virei mais a próxima e mais outra: já tinha lido. Então notei que o livro tinha um defeito: trocaram na gráfica os últimos cadernos de impressão. Então, ao invés das últimas páginas, eu tinha umas repetidas da metade. Necas de final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como o bendito devia ter sido comprado há uns vinte anos, era tarde demais para ir à livraria e pedir para trocar. Quando meu pai chegou em casa, corri para perguntar e ele me respondeu só uma risada divertida. Também não sabia o final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até hoje não sei quem é o assassino. Ficou esse trauma na minha vida de leitor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E enquanto eu escrevia isso me veio à cabeça a ideia de guardar o livro para pregar a mesma peça no meu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Este já foi publicado aqui faz um tempo, mas é que entra certinho nesta série...&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1530886009711605016?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1530886009711605016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1530886009711605016&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1530886009711605016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1530886009711605016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/12/dez-negrinhos.html' title='Dez Negrinhos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8194103890931990961</id><published>2011-12-09T16:29:00.001-02:00</published><updated>2011-12-09T17:36:48.039-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Compras de Natal</title><content type='html'>&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; baseado num dos cartões do sempre&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; surpreendente &lt;a href="http://www.postsecret.com/2011/12/sunday-secrets.html"&gt;Post Secrets&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece bastante, já deve ter se passado com quase todo mundo: num mercado, numa loja, num restaurante, alguém nos chama a atenção, sabe-se lá o porquê. E aí acompanhamos, de canto de olho e só por uns minutos ou até uns segundos, aquele amigo. Uma coisa silenciosa, meio clandestina. Adivinhamos um pouco da história, inventamos outro tanto, desejamos boa noite, bom descanso, que chegue bem em casa. Um tipo de afeto, uma certa curiosidade, alguma simpatia...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que foi bem o que aconteceu com uma moça enquanto empurrava o carrinho pelo supermercado. Já comprara um litro de leite, umas frutas e a comida do gato e agora andava pelos corredores, tentando resolver a sensação de que faltava alguma coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entre as montanhas de panetones, ela cruzou com uma mulher de meia idade, gestos vivos e olhos cansados, cabelos precisando de um retoque. Uma mulher dessas que, de bater os olhos, sabe-se que é mãe, não só dos filhos que têm -ou talvez nem tenha-, mas de muita gente. Empurrava um carrinho cheio de brinquedos em direção dos caixas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Filhos? Netos? Crianças carentes, órfãos, vizinhos pobres...?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A moça largou da sensação de faltar algo -quase nunca falta- e decidiu também ir ao caixa. Ficou ali, escondendo um sorriso e fingindo que olhava um panfleto, enquanto via passar uns carrinhos, uma boneca, um urso de pelúcia, uma locomotiva, uns jogos de montar, um disquinho de músicas natalinas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois da senha, o garoto do caixa falou indiferente que o cartão não foi autorizado. A senhora pareceu olhar para cima e pediu que tentasse no crédito. Foram uns segundos angustiantes até o segundo não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A senhora agradeceu e saiu da loja de mão vazias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas então a moça foi rápida; na mesma hora soube o que fazer. Sempre&amp;nbsp; sabemos, só precisa a coragem. Pediu ao caixa que passasse todos os brinquedos deixados e pagou por tudo. Correu empurrando o carrinho cheio de brinquedos até o carro onde a senhora, de olhos vermelhos, já dava a partida e bateu no vidro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O motor engasgou e morreu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma do lado de dentro, outra do lado de fora, começaram a chorar. A moça se descobriu também uma mãe, não só dos filhos que ainda não tinha mas de muitos outros. A mulher de meia idade abriu a porta e deu um abraço atrapalhado, demorado. Ajudaram-se a colocar tudo com cuidado no banco de trás.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando conseguiu falar, a senhora agradeceu, abençoou, agradeceu, chorou, agradeceu e pediu um telefone, fazia questão de pagar assim que pudesse. E a moça, pela segunda vez, soube o que fazer: puxou um bloquinho e uma canetinha da bolsa e escreveu um número falso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pediu à senhora se podia dar-lhe mais um abraço e foi embora. Só quando chegou em casa notou que esquecera seu leite, suas frutas e a comida do gato.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E era Natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8194103890931990961?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8194103890931990961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8194103890931990961&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8194103890931990961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8194103890931990961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/12/compras-de-natal.html' title='Compras de Natal'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3047631952752864465</id><published>2011-12-07T17:01:00.000-02:00</published><updated>2011-12-12T21:25:47.498-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Nadar para longe</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. iii&lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma época gostosa. Íamos caminhando até a casa de um tio avô da minha mãe, um iuguslavo comunista que tinha no quintal de casa uma escolinha de natação –cujo método de ensino consistia basicamente em me agarrar pelo cabelo enquanto eu nadava: se eu parasse, afundava e doía– e passávamos as manhãs das férias entre braçadas e sanduíches.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia o tio me chamou para a secretaria improvisada –lembro do cheiro de cloro– e perguntou se eu queria uns livros. Imagino que minha resposta tenha sido um sorriso do tipo "quem é que pergunta a um macaco se ele quer bananas?".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi complicado, mas carreguei tudo para casa. Talvez tenha sido a primeira vez que senti o peso –nem sempre no sentido figurado– do conhecimento. É bem sacrificada a vida de leitor nadador aos seis anos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eram cinco volumes grandes e verdes de capa dura, coisa antiga. Por dentro, as histórias e umas ilustrações em traços vermelhos. Posso estar bem enganado, mas ninguém saberá me desmentir: o primeiro tinha as histórias dos Irmão Grimm e o segundo, vários contos de fada; depois vinham as viagens completas do Sinbad, as do Gulliver e as do Marco Polo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Viagens.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi, acho, a primeira vez em que meu mundo cresceu além das oito horas de carro até Minas que eram meu recorde de lonjura. O mundo lá fora era grande para caramba. E o mundo aqui dentro podia ser maior ainda.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O problema dos clichês é que às vezes eles são verdade, e aí já é difícil levá-los a sério. Pois, de todos os clichês sobre livros, aquele de viajar sem sair do lugar foi, por um bom tempo, o que mais fez sentido para mim: vivi um bom tempo em terras distantes. Aparecia em casa sempre que minha mãe chamava para o café, mas logo voltava para algum deserto, alguma ilha, alguma cidade perdida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem me olhava, menino magrelo e tímido, nem imaginava minhas andanças. Há que ser muito macho para chegar lá tão longe. Ainda bem que o tio estava me ensinando a nadar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Anos depois acabamos doando a coleção a outras crianças, de modo que me agrada pensar que talvez eu tenha alguns outros companheiros de viagem por aí. Não me assustaria um dia receber uns postais. &amp;nbsp;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* * *&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Peço mil perdões (de novo) pelo (enorme) atraso. Semana passada, as coisas mudaram muito de rumo aqui, assim meio de surpresa. Mas -já que falamos de viagens- não sou de ficar me ressentindo dos ventos, é só o tempo de ajustar as velas e tocar o barco de novo. A vida é uma beleza. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3047631952752864465?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3047631952752864465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3047631952752864465&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3047631952752864465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3047631952752864465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/12/nadar-para-longe.html' title='Nadar para longe'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8405827069295436851</id><published>2011-11-16T21:19:00.001-02:00</published><updated>2011-12-12T21:25:31.304-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Caminho Suave e bolo de cenoura</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. ii&lt;/b&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, aquele que abriu a porta de casa e entrou na sala não era um menino de cinco anos, mas um general triunfante. Eu me sentia um César recém-chegado da campanha vitoriosa, de coroa de louros, trombetas e tudo. Se soubesse latim, teria feito pose e dito "veni, vidi, vici"; mas na época eu ainda estava aprendendo o português, o que já era de bom tamanho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Meu uniforme novo —camiseta amarela de bichinho estampado, calça e Conga azul marinho— servia de toga de casaca de Napoleão. Parada na porta da cozinha com uma tigela de cobertura de chocolate nas mãos, minha mãe notou que havia algo de estranho no ar —e ainda não era o bolo queimando— e teve o respeito de não rir da minha empolgação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Joguei a lancheira de lado, fui até a mesa de fórmica amarela, afastei a toalha, assoprei um resto de farinha e coloquei ali a mochila. De dentro dela, puxei meu troféu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Era um livro grande, colorido, encapado com capricho em plástico transparente: chamava-se Caminho Suave, a minha cartilha. Abri na primeira lição. E ali, com a melhor voz de locutor de rádio que meus cinco anos me permitiam fazer, li a primeira palavra de minha vida:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     — Ai.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     (Como nada me doía, presumo que eu tenha começado lendo ficção.) Minha mãe aplaudiu, limpou as mãos no pano de prato e sentou ao meu lado. Fiz desfilar, então, naquele fim de tarde, minha tropa: uma legião —meia dúzia, na verdade— de combinações de vogais, que dançaram aos pares, rodopiando entre a fumaça do bolo de cenoura que minha mãe, emocionada, estava quase esquecendo de tirar do forno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     — Ei.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     — Oi.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     — Ui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     E então, em silêncio, tomei um fôlego maior, como o trapezista que chega no ápice do show, no salto mortal sem proteção, e encerrei com uma palavra de três –três!– letras, homenagem ao meu pai, mineiro:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     — Uai!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Eu era um Colombo diante de um novo mundo. Repeti a lição várias vezes, orgulhoso, inclusive para a Elisa, vizinha do apartamento da frente. Esperei ansioso a hora do meu pai chegar do trabalho. Quase não dormi, esperando o dia seguinte: a lição do B.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Lembro-me dos primeiros livros da minha vida, aqueles que eu lia sem saber ler. Acontece que naquela tarde eu li de verdade. E minhas primeiras letras tinham gosto de bolo de cenoura com calda de chocolate.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;     Um dia maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Peço mil desculpas pelo atraso, o post era para ter ido ao ar na segunda. Feriadão, sabem como é...&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8405827069295436851?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8405827069295436851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8405827069295436851&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8405827069295436851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8405827069295436851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/11/caminho-suave-e-bolo-de-cenoura.html' title='Caminho Suave e bolo de cenoura'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-61226165578363184</id><published>2011-10-31T16:28:00.000-02:00</published><updated>2011-10-31T20:23:43.223-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livros e eu'/><title type='text'>Uns poucos livrinhos</title><content type='html'>&lt;b&gt;(os livros e eu, cap. i &lt;/b&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e deixou a impressão de que toda tarde naquele apartamento era ensolarada e de que todo dia tínhamos bolo formigueiro saindo do forno. Minha caneca era verde, a do meu irmão do meio, azul. O mais novo ainda tomava mamadeira, mas também ganhou uma igual —marrom— quando cresceu o bastante. E éramos felizes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lembro da minha impaciência naquelas férias que, pareciam, não tinham mais fim. Parecia não chegar nunca o dia de estrear meu uniforme amarelo e, finalmente, aprender a ler. Minha mãe sentava-se no sofá, colocava um livro entre nós e lia, apontando paciente as ilustrações.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Livros são caros, os tempos não eram fáceis, e então tínhamos só uns poucos. Uns poucos e abençoados livrinhos que meu pai comprava com o salário sacrificado de três empregos. Uns poucos e abençoados que minha mãe não se importava de ler e reler para um menino faminto de histórias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Às vezes uma panela no fogo ou o choro de um outro filho a obrigavam a apressar a coisa e pular uma parte ou outra. Mas não adiantava: de tanto ouvir aquelas mesmas histórias, eu já sabia cada uma delas de cor. Podia recitar de memória cada página, cada frase. Então, eu a fazia parar, voltava a página, apontava e "lia" o que ela havia esquecido. Paciência de mãe é uma coisa maravilhosa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E talvez isso resuma meu amor aos livros: eu os lia antes de saber ler.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; À noite, meu pai chegava e, no pé da cama, contava aventuras para meus irmãos e eu. E, olha, está para nascer alguém que imite melhor o urso Baloo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Faz um tempo tive essa ideia: uma série de posts sobre os livros da minha vida. Não que interesse a alguém, mas vai que numa dessas... Segunda-feira, então, de quinze em quinze dias, será dia de livro aqui no Acepipes.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-61226165578363184?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/61226165578363184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=61226165578363184&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/61226165578363184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/61226165578363184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/10/uns-poucos-livrinhos.html' title='Uns poucos livrinhos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5569825486697581029</id><published>2011-09-26T15:15:00.001-03:00</published><updated>2011-09-26T15:36:51.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Mamões e casamento</title><content type='html'>Faz um tempo, minha esposa tomou a missão de colocar frutas no meu café da manhã.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Outro dia, uma tarde chuvosa, saí do trabalho e passei no mercado para comprar alguns mamões. Na banquinha, achei só uns poucos, e todos meio feios. Garimpei, escolhi os mais apresentáveis e acabei conseguindo três, cada um com algum defeito pequeno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na manhã seguinte, cortei o primeiro em dois: uma metade com umas marcas de batida na casca e a outra perfeita. Comi a parte pior –tive que jogar uma colherada no lixo– e deixei a melhor sobre o balcão da cozinha. Mesma coisa fiz na segunda manhã, com o segundo. O último que sobrou na geladeira tinha uns pontos pretos; virei-o na prateleira de um jeito que escondesse as manchas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois hoje, dia do último mamão, minha mulher acordou mais cedo –normalmente eu me levanto meia hora antes– e, quando eu saí do banho, ela já tinha tomado café da manhã e cantarolava no quarto. Fui para a cozinha e estava lá meu cereal, o leite, o pão, os frios e uma metade de mamão. Na hora, lembrei dos pontinhos podres e virei o bendito para ver: imaculado. Minha esposa acabara de ficar com o pedaço ruim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pegando a colher, me senti meio culpado por não ter ido à cozinha antes que ela. Mas, no segundo seguinte, pensei que isso seria negar que ela também pudesse fazer algo por mim. Imagino que tenha ficado feliz por ter saído da cama mais cedo para descobrir a parte ruim do mamão e escondê-la de mim, a mesma alegria silenciosa que eu tivera nos dois dias anteriores. Porque, no fundo, um casamento é isso: oferecer ao outro sempre a melhor metade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5569825486697581029?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5569825486697581029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5569825486697581029&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5569825486697581029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5569825486697581029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/09/mamoes-e-casamento.html' title='Mamões e casamento'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5912099403829016878</id><published>2011-09-13T08:56:00.009-03:00</published><updated>2011-09-13T11:48:58.802-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Voltar</title><content type='html'>E tem essa coisa de voltar. Quando era pequeno, entrava em casa e tinha a sensação de que, apesar de ter sido só um Sete de Setembro para a gente, ali dentro tinham corrido meses. Como aquelas contas de cachorro: um ano nosso equivale a sete para as poltronas e por aí vai.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Corria na frente de todos para ser o primeiro a ver a cozinha, os quartos, o banheiro. Ia olhando aquelas pétalas caídas ao redor do vaso, o relógio do micro-ondas piscando zerado, um pano de chão esturricado no varal, as pias sem nem uma gotinha de água. Como um mundo recém-descoberto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É uma sensação que dura pouco, logo abre-se as cortinas e vai-se retomando tudo de novo. Ali está a partezinha amassada do sofá, a marca de panela quente na mesa, o lado da janela que não fecha direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Hoje eu vinha pensando em Deus enquanto fazia meu caminho de todos os dias. Engraçado como comento pouco sobre isso, mas é assim: penso em Deus enquanto caminho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De longe reconheci um bem-te-vi; é fácil saber pela cabecinha listrada de preto. Mas de longe pensei que, embora sem dúvida nenhuma fosse um, bem-te-vis são maiores e mais bravos. Só quando passei a uns poucos centímetros e ele não fez menção de fugir foi que me ocorreu a ideia de que era um filhote. Já grandinho, mas um filhote.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi preciso que eu desse mais uns passos até me dar conta de mais: era um bem-te-vi, um filhotinho que ainda mal sabia voar, no meio de um cruzamento onde dali quinze minutos começaria o vai e vem de crianças chegando à escola.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então voltei. Não sei de quem era o maior medo, se o meu de machucá-lo ou o dele de ser machucado, mas peguei-o nas mãos. Fechei bem a concha para que ele não caísse; pareceu não ter nada fora de ordem, talvez estivesse só cansado do primeiro voo. O coraçãozinho acelerado. Convenhamos, amiguinho, que um cruzamento não é um bom lugar para descansar. Pensei em colocá-lo dentro do bolso da jaqueta, mas também pensei que a natureza sabe fazer seu papel melhor que eu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ficou ali, entre os galhos floridos de uma glicínia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Ontem à noite fui buscar água e a geladeira vazia me lembrou que hoje é dia de mercado. Desde pequeno adoro dia de mercado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5912099403829016878?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5912099403829016878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5912099403829016878&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5912099403829016878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5912099403829016878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/09/voltar.html' title='Voltar'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2586243028260514427</id><published>2011-08-26T14:54:00.003-03:00</published><updated>2011-08-26T14:58:26.486-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>Goiaba</title><content type='html'>E tinha o Fraga, que quando era moleque invadia quintais atrás das melhores goiabas. Louco por goiaba. Cresceu, fez carreira no banco, casou e, belo dia, foi chamado para supervisor. Mas nem tudo são flores: a vaga era para o turno da madrugada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De começo, a esposa ficou meio arredia –dormir todo dia sem marido?–, mas o Fraga prometeu que ainda teriam um finzinho de noite juntos, que era provisório, que o Miranda do turno do dia estava para se aposentar e, veja bem, olha aqui de novo essa proposta de aumento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A primeira semana foi complicada, a segunda correu bem melhor, na terceira o Fraga já tirou de letra. Saía de casa noite alta e voltava de manhã cedinho, a tempo de tomarem café juntos antes de a esposa ir trabalhar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Numa quarta-feira ele chegou e, susto!, cama vazia. Ninguém no quarto, nem no closet, nem no banheiro. Desceu, então, para a cozinha e deu com um bilhete na geladeira: "Amor, fui à feira, já já chego. Te amo."&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De fato, já, já chegou a mulher com um carrinho abastecido. E, surpresa boa!, de um embrulho de folhas de jornal surgiu meia dúzia de belas goiabas. Nem maduras demais nem verdes demais: do jeito certinho que ele gostava, exatamente como as da infância. O Fraga, louco por goiaba.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A partir de então, toda quarta, o Fraga chegava em casa e dava com o bilhete carinhoso. Era só o tempo de ferver a água para o café e vinham as rodinhas barulhentas do carrinho de feira. E o afortunado Fraga, que salivava só com o perfume das goiabas, pensava na sorte de se ter uma mulher assim dedicada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi num dia de chuva feia que ele se sentiu mal. Só um resfriado, nada de se preocupar, mas ainda assim pessoal do setor foi solidário, fez questão de segurar as pontas para ele descansar em casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Fraga voltou pensando que, com certeza que a mulher levantaria, preocupada, faria uma canja de legumes, quem sabe até largasse o serviço e ficasse em casa também; até que um resfriadinho era bem-vindo. Chegou no meio da madrugada, abriu a porta com cuidado e foi direto para a cozinha procurar algum comprimido. No que pegou, porém, na alça da geladeira, deu com um bilhete, o bendito bilhete de todas as quartas: "amorzinho, estou na feira, já já chego".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Duas da madrugada. Bilhete já na geladeira.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Subiu para o quarto e a cama estava vazia. Tudo vazio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Duas da madrugada. Ninguém em casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caiu ali, sentado na cama, coçando a cabeça. Quando, de manhã cedinho, ouviu o portão, estava ainda na mesma posição. Era a mulher, prestimosa, puxando o carrinho barulhento. A mulher, prestimosa, que passou o café, espremeu laranjas, torrou o pão e abasteceu a fruteira de goiabas perfeitas. A mulher, prestimosa, que se arrumou para trabalhar e despediu-se do marido com um beijo na testa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nem vestiu o pijama. Durante todo o dia, o Fraga não conseguiu dormir. Por onde ela andou? Será que toda quarta era assim? Será que o fruteiro...?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Prestes a pegar a mala para enfiar todas as roupas da esposa dentro, armar um barraco daqueles de novela, o Fraga foi fulminado por um pensamento que até então não lhe ocorrera: onde mais, meu Deus, ele acharia uma mulher que sabe escolher goiabas bem do jeito que ele gosta?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caiu ali de novo, sentado na cama, coçando a cabeça. Meditou longamente. Cada um tem seus motivos, e esse pareceu um forte o bastante para o Fraga: goiabas perfeitas, toda quarta. Decidiu ficar quieto. Quando, de noite, a esposa chegou do trabalho, ele já a esperava com a janta pronta.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só, por via das dúvidas, decidiu nunca mais voltar antes da hora nas quartas-feiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2586243028260514427?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2586243028260514427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2586243028260514427&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2586243028260514427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2586243028260514427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/08/goiaba.html' title='Goiaba'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-7128179268882361777</id><published>2011-07-29T13:22:00.006-03:00</published><updated>2011-07-29T15:45:50.517-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>E as últimas são que...</title><content type='html'>- Fui convidado para fazer parte de uma mesa redonda com autores contemporâneos na Universidade de Brasília - UnB, em outubro. Já passei pela fase da surpresa, pela da alegria, pela da honra e estou entrando agora na do desespero (eu? falando sobre escrever? num evento desse?).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Segundo o &lt;a href="http://www.multiversso.com/guguisblog/?p=179"&gt;&lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; do Gustavo Soares&lt;/a&gt;, é mais difícil namorar uma garota que lê o Acepipes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Já o Bruno, do Sanduba de Queijo, escreveu &lt;a href="http://sandubadequeijo.com.br/site/?p=2941"&gt;uma resenha bacana&lt;/a&gt; e indicou um texto que eu escrevi sobre &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/10/titicaca.html"&gt;minha viagem&lt;/a&gt; ao lago Titicaca, na Bolívia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- O post do &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/namore-um-cara-que-le.html"&gt;cara que lê&lt;/a&gt; foi o que mais rendeu visitas, &lt;i&gt;tweets&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;retweets&lt;/i&gt;, polegares no Facebook e no GoogleReader e tudo mais (agora, para que eu não passe por mentiroso, só espero que esse cara exista em algum lugar por aí....).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Chegou o dia que eu temia: alguém –meu próprio pai– me perguntou pessoalmente como se pronuncia "&lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/search/label/zwkrshjistao"&gt;Zwkrshjistão&lt;/a&gt;" e descobriu que eu nunca tinha pensado nisso. Eu sou um fiasco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Uma historinha aqui do Acepipes está virando animação. Mas isso eu só posso contar mais para a frente...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Obrigado, obrigado e obrigado. Sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-7128179268882361777?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/7128179268882361777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=7128179268882361777&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7128179268882361777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7128179268882361777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/e-as-ultimas-sao-que.html' title='E as últimas são que...'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8045088229228606386</id><published>2011-07-27T16:56:00.000-03:00</published><updated>2011-07-27T16:56:02.905-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>A parábola dos porcos</title><content type='html'>Assim que ele, segurando a respiração, não pôde ouvir mais nada além da coruja no pomar, o menino segurou firme a lanterna e saltou, já de tênis e tudo, de baixo das cobertas. Esqueceu da tábua solta do assoalho e, quando a madeira rangeu alto, ficou ali paralisado, pensando que tinha botado tudo a perder. Mas não: o avô já roncou logo em seguida. Ufa, à missão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A missão era nobre, valia o perigo de uma aventura na madrugada –para quem dorme à oito, qualquer dez horas já é madrugada. O menino respirou fundo, girou a maçaneta e saiu correndo de uma vez só, sem olhar para cima –não precisava; nessa noite não havia morcegos nas tábuas do telhado da varanda.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eram agora as férias de inverno. Uns dias antes, o pai e a mãe o haviam deixado –junto com a mochila, a lanterna, o telescópio e uma pilha de revistas– no sítio do avô. A irmã teve que ficar na cidade, de recuperação em português.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A coruja girou a cabeça, curiosa, quando viu a sombra passar pelo galpão, contornar a jaqueira –não é bom passar por baixo dos galhos; vai que uma bomba dessas cai na cabeça?–, e seguir na ponta dos pés em direção do chiqueiro. A lanterna ficou desligada mesmo: era noite de lua cheia. E que lua!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A porca esparramava-se de lado, os porquinhos aconchegavam-se uns em cima dos outros. O avô dizia que porco é bicho esperto, sabe quando a gente chega com comida na mão e quando chega com a faca escondida debaixo da camisa. Mas o menino chegava com coisa melhor e, por isso, nenhum reclamou quando ele, chegando de mansinho, agachou rente ao cercado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi ganhando confiança, acariciou primeiro a mãe e depois os filhotes. Esticou os braços no meio das ripas e pegou um dos sete. Subiu o porquinho até em cima da cerquinha e notou, com alívio, que ele não se agitava. E então carregou-o no colo até o meio do terreiro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na roça, onde não há postes que apaguem as estrelas, o céu cintilava cheio de luzinhas:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Olha só como é bonito. Tá vendo aquelas bem ali? É o Cruzeiro do Sul, eu aprendi na escola que é só saber achar ele no céu que a gente nunca vai se perder.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ficaram os dois ali, um momento meio solene, meio engraçado: um menino com os braços esticados, um porquinho suspenso lá em cima.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Aquela grande ali é a lua. Meu vô assistiu uma vez na televisão uns homens que viajaram até lá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O garoto repetiu com cada um dos filhotes –a mãe era pesada demais, mas quem sabe quando ele crescesse e ficasse mais forte?– o mesmo ritual. Mostrou a todos o Cruzeiro do Sul –pouco provável que um deles se aventure muito mais longe do que a cerca atrás do chiqueiro, mas enfim–, a lua cheia, as galáxias e até um avião que passava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É que, mais cedo, segurando um pedaço de broa de milho numa mão e uma revista dessas de curiosidades na outra, o menino descobrira que os porcos não conseguem olhar para cima. Foi um momento de revelação. Os porcos não podem ver o céu, e lhe pareceu injusto que alguém viva –e justo no campo, onde não há postes que apaguem as estrelas– sem nunca ver o céu. Daí a missão nobre, daí ele estar no meio do terreiro, com os braços cansados de segurar filhotes acima da cabeça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez, na ingenuidade, ele nem tenha notado a indiferença dos porquinhos. Arrisco dizer que os bichinhos não deram grande importância, talvez nem se lembrem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas para o menino fez toda a diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8045088229228606386?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8045088229228606386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8045088229228606386&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8045088229228606386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8045088229228606386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/parabola-dos-porcos.html' title='A parábola dos porcos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-566690129796083909</id><published>2011-07-13T16:07:00.012-03:00</published><updated>2011-07-13T17:12:01.593-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Namore um cara que lê</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;baseado no "&lt;a href="http://quinasecantos.wordpress.com/2011/04/28/prato-do-dia-namore-uma-garota-que-le-rosemary-urquico"&gt;Namore uma garota que lê&lt;/a&gt;",&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;texto escrito pela Rosemary Urquico e&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;traduzido e adaptado para o português&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;pela &lt;a href="http://quinasecantos.wordpress.com/"&gt;Gabriela Ventura&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(espero que não se zanguem muito comigo)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos &lt;i&gt;best-sellers&lt;/i&gt; são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do "e eles viveram felizes para sempre", namore um cara que lê.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-566690129796083909?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/566690129796083909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=566690129796083909&amp;isPopup=true' title='61 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/566690129796083909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/566690129796083909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/namore-um-cara-que-le.html' title='Namore um cara que lê'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>61</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-530802878189864112</id><published>2011-07-08T14:29:00.010-03:00</published><updated>2011-07-08T15:08:21.300-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Caminho para casa</title><content type='html'>Ontem, enquanto voltava do trabalho, passei por uma casa que meu nariz acusou de estar assando bolo, uma outra que cheirava a sopa –presumo que de músculo– e uma terceira a manjericão. Uma senhora sorriu quando cruzou comigo, puxada por um &lt;i&gt;cocker spaniel&lt;/i&gt; que carregava, orgulhoso, um pão fresquinho na boca. Também sorriu a que plantava flores no final da rua sem saída. No que abri a porta do meu apartamento, dei com o sol se pondo entre as cortinas da sala e pensei que, olha, a vida é uma coisa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* * *&lt;br /&gt;As pessoas me acusam de ser meio bobo, de achar que tudo é sempre bonito e coisa e tal. Outro dia chovia, minhas botas estava molhadas, eu tinha uma dor de cabeça danada, um sujeito quis me assaltar –no que se deu muito mal– e dei com um vazamento de esgoto no prédio. Mas aí é que está: sobre qual caminhada vale a pena escrever?&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-530802878189864112?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/530802878189864112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=530802878189864112&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/530802878189864112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/530802878189864112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/caminho-para-casa.html' title='Caminho para casa'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1560498973732122127</id><published>2011-06-20T08:34:00.004-03:00</published><updated>2011-06-20T08:56:08.372-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Passarinhos pretos</title><content type='html'>São uns passarinhos pretos, bem pretos. Não sei como se chamam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caminho todos os dias até o trabalho. Saio cedo, gosto de chegar na empresa já no primeiro horário –assim saio mais cedo também. Coisa de meia hora, o sol ainda se espreguiçando, ruas tranquilas, uma ou outra casinha de madeira, muitas árvores, uma praça, uma gangue de vira-latas simpáticos, um casal de velhinhos que sempre me acenam vindo no sentido oposto e os passarinhos. Bem-te-vis, rolinhas, sabiás, joões de barro, canários, quero-queros, pardais, uns periquitinhos. As corujas eu só ouço. E tem esses pretinhos misteriosos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já consultei minha avó, o avô da minha esposa, meu pai; ninguém soube me dizer. Também eu não sei explicar muito bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sou autodidata, meio &lt;i&gt;naïf&lt;/i&gt;, nesse negócio de passarinhos. Acho que &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/avos.html"&gt;meus avôs&lt;/a&gt; teriam sido bons professores. De uns sei só o canto, de outros só o nome, de outros só a aparência. Aos poucos vou juntando conclusões e aprendendo a apontar qual é qual. Esses pretinhos, porém, ainda são um mistério.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não é todo dia que os vejo, tenho a impressão de que são poucos. Não são de bando exclusivo, andam numa boa no meio da turma toda. Maiores que um pardal, menores que um sabiá. Não sei se cantam. Gostam especialmente de um álamo numa das ruas do meu caminho, e vendo a árvore é fácil entender o porquê.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lembrei da minha &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2008/05/flor.html"&gt;falecida avó&lt;/a&gt; e o curió que ela alimentava com giló (quanto "ó"), mas, se não me falha, ele tinha peito marrom; esses meus amiguinhos não têm sequer uma peninha que não seja preta. Cheguei a cogitar que fossem chopins –outros de que só sabia o nome e a fama, mas não fazia ideia de como fossem–, mas meia dúzia de fotos no Google derrubaram minha dedução.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Esses dias atrás, passei um final de semana no campo com minha esposa. Um bando de canários voava de árvore em árvore conforme nós andávamos pela estradinha, um pica pau martelava um pinus, os quero-queros gritavam do outro lado do lago e juro que eu pensei que fosse morrer naquela hora mesmo, de tanta paz que senti.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E teve a vez que, entre os raios de sol que caiam dos galhos de uma araucária, vi uma gralha azul. Uma coisa maravilhosa. A visão foi só um segundinho, mas a memória vai durar o quanto Deus quiser que dure a minha vida. Quando fizeram cara de desconfiança e me perguntaram se eu sabia como era uma gralha azul, eu respondi: "não sei, mas na hora eu soube".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já esses são uns passarinhos pretos, bem pretos, brilhantes, maiores que um pardal e menores que um sabiá, andam no meio dos outros, fogem antes de eu chegar perto e gostam de um álamo em especial, no que os apoio totalmente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei como se chamam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já me sugeriram tirar fotos, mas não comprei a ideia. Primeiro que não sou desses de apontar câmera para tudo o tempo todo –já escrever uma crônica, tudo bem. Depois que, no fundo, acho que não preciso saber, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1560498973732122127?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1560498973732122127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1560498973732122127&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1560498973732122127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1560498973732122127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/06/passarinhos-pretos.html' title='Passarinhos pretos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1578589946404501036</id><published>2011-06-16T15:43:00.011-03:00</published><updated>2011-06-16T16:15:46.927-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Tardes no café</title><content type='html'>O termo correto é "colegas de trabalho", mas não é isso que vou contar aos meus netos. Sobre o &lt;a href="http://tanaami.blogspot.com/"&gt;Denis Tanaami&lt;/a&gt; vou falar das piadas e imitações, das conversas sobre música, da paixão por Fuscas. Era de lei o nosso &lt;i&gt;espresso &lt;/i&gt;à tarde, coincidentemente na hora da ginástica laboral. Para não dar briga entre as duas cafeterias preferidas, seguíamos uma escala simples: um dia em uma, outro dia em outra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Teve a vez, quando saíamos de uma delas, uma que serve um Sul de Minas maravilhoso, que eu estranhei:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ei, Denis, notou que estava faltando a tia do caixa?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"Tia do caixa" era uma velhinha, uma avózinha simpática que sempre pedia ajuda para passar o cartão de débito e desejava "obrigada de novo, uma boa tarde, meninos". E o Denis tinha notado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como no dia seguinte era vez da outra cafeteria, a que serve Alta Mogiana, foi só dois dias depois que voltamos lá e, de novo, nada da velhinha do caixa. Nem no outro dia, nem no outro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Seguimos num silêncio constrangido –os dois preocupados, mas os dois sem jeito de perguntar– até o dia em que demos com as portas de vidro fechadas, um aviso improvisado. "Motivos familiares", dizia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caramba.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desobedecemos a escala –o caso era urgente– e, no dia seguinte, ufa!, vimos de longe as portas abertas. Nada, porém, da nossa amiga. Nem no outro dia, nem no outro. Nem na outra semana, nem na outra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caramba.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Juro que cheguei a ensaiar, cheguei a prender o ar para perguntar e na hora não consegui. Medo de que alguém se ressentisse, sei lá. Eu e minha covardia –e o Denis e a covardia dele também. Ficou aquele silêncio do luto, os dois amigos de café meio órfãos e, fazer o quê?, a escala seguiu. A vida sempre segue.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até o dia em que demos com uma das mesas agitada, mulheres em volta, gritinhos de fofura. E, um sorriso só, sentada com um bebê no colo –nova netinha?– estava nossa amiga, a velhinha do caixa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acabou que saí do emprego e já faz uns anos que não estendo mais o cartão e indico os botões na maquininha para pagar um &lt;i&gt;espresso &lt;/i&gt;naquele caixa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As pessoas deviam saber mais da importância que têm na vida das outras. Engraçado que nunca passou disso, do "boa tarde, meninos" dia sim, dia não; nunca soube dela mais que isso. Ainda assim, tivemos que esconder as risadas –de contentamento, de alívio– atrás das folhas do jornal. Minha vontade era levantar da mesa e pedir licença, perguntar por onde andou, contar como estava feliz por vê-la bem, dar uma bronca de leve por ter assustado daquele jeito. Quem sabe até um abraço acanhado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Me arrependo por não ter feito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1578589946404501036?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1578589946404501036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1578589946404501036&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1578589946404501036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1578589946404501036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/06/tardes-no-cafe.html' title='Tardes no café'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8665270131535048696</id><published>2011-05-24T16:52:00.007-03:00</published><updated>2011-05-24T17:01:46.108-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Mensagem pra quem?</title><content type='html'>Chovia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Chovia, e enquanto chovia lá fora, ali dentro, numa mesa no canto da cafeteria, a mocinha de lenço azul se aquecia com um &lt;i&gt;capuccino &lt;/i&gt;caprichado no creme. Em volta, casais, amigos, pessoal que acabou de sair da aula de francês. Só ela sozinha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com cuidado, colocou a xícara de volta no pires e puxou para mais perto o celular que já estava ali. Começou a digitar com um sorrisinho no rosto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É uma mocinha de lenço azul daquelas que abrem um sorrisinho secreto enquanto seguram a xícara quente com as duas mãos, que suspiram satisfeitas quando dão uma colherada no doce. Que se aconchegam na poltrona confortável do cinema. Que fecham os olhos para respirar o perfume da dama da noite quando, voltando para casa à noite, passam em frente ao jardim da vizinha. "Adorável", acho que é assim que se chama.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sem muita pressa e ainda com o sorrisinho no rosto, terminou a mensagem: "oi, tô aqui no café tomando um capuccino delicinha" –ou seja lá que linguajar mocinhas adoráveis de lenço azul costumam usar–, apertou o botão vermelho do aparelho e mandou para ninguém.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para ninguém. Apagou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E não foi a primeira vez que fez isso. Nunca chegou a fingir falar com alguém do outro lado; só, volta e meia, dá de escrever essas mensagens. Tem vergonha de estar sozinha, quer que os outros pensem que logo mais ela vai encontrar amigas ou namorado, que aquela mesa solitária é só provisória até a próxima mesa cheia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque ela sai um bocado sozinha, não é dessas mocinhas de lenço azul que ficam em casa assistindo comédia romântica e esperando príncipe bater na porta, também não é das que esperam os eternos "um dia a gente combina qualquer coisa" das amigas. Vai ao cinema, toma café, vê exposições, até janta de vez em quando. E, no fundo, não vê problema nenhum nisso –se bem que, no fundo de verdade, queria mesmo que o barista esticasse um guardanapo com um número e um "pode mandar as mensagens para mim".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim, sai sozinha mas tem vergonha de que as pessoas pensem que ela é sozinha, uma coisa difícil de explicar, e daí as mensagens.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"Tô aqui matando tempo na livraria enquanto a chuva não diminui". "Saí do restaurante e vou aproveitar pra ver uns sapatos no shopping". Digita a mensagem, manda para ninguém e espera um pouco. Então pega o celular, finge que lê uma resposta, dá um sorriso e digita. Para ninguém.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então guardou o celular com outro sorriso, terminou o &lt;i&gt;capuccino &lt;/i&gt;e saiu. Na mesa ao lado, repleta de gente, uma mocinha sem lenço tentou –e não conseguiu– disfarçar a curiosidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não chovia mais e a mocinha de lenço azul saiu para um próximo passeio, talvez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quem a vir por aí, já sabe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8665270131535048696?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8665270131535048696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8665270131535048696&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8665270131535048696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8665270131535048696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/05/mensagem-pra-quem.html' title='Mensagem pra quem?'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3012469963813249478</id><published>2011-05-20T11:05:00.001-03:00</published><updated>2011-05-20T11:31:57.177-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Ontem</title><content type='html'>Ontem você esteve doente. Coisa pouca, mas o suficiente para me deixar ansioso e preocupado, o coração suspenso por um fio, sentado impotente na minha poltrona enquanto te observava, finalmente, dormir tranquila.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ontem fizemos três meses de casados e eu não consigo mais lembrar da minha vida sem você. É como se você estivesse desde sempre ali, o sorriso pronto para assim que eu abrir os olhos de manhã.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ontem, um dia frio, te servi no sofá, debaixo do cobertor, uma tigelinha de feijão branco com pouco tempero que pode parecer só uma coisinha de nada, mas que, naquela hora, era tudo que eu podia fazer: te confortar e te dizer que nunca te deixarei faltar cuidado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3012469963813249478?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3012469963813249478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3012469963813249478&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3012469963813249478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3012469963813249478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/05/ontem.html' title='Ontem'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1936275197719896092</id><published>2011-04-08T10:17:00.010-03:00</published><updated>2011-04-08T14:25:25.885-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quase piadas'/><title type='text'>Castanhas noir</title><content type='html'>Outro dia que me apareceu essa ideia de escrever um roteiro. Pensei num negócio meio &lt;i&gt;noir&lt;/i&gt;, uma história de detetive. Ou, de repente, uma trama de mafiosos ou, quem sabe, de contrabandistas de joias ou, também pode, de passageiros do Expresso do Oriente. Qualquer coisa misteriosa que tenha uma mulher de sotaque &lt;i&gt;sexy&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também só tenho uma cena até agora. Um diálogo, na verdade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dois sujeitos de sobretudo –turcos ou gregos, talvez italianos– perseguem um outro, sem sobretudo –um romeno disfarçado de russo, ou vice-versa. Encurralam o coitado num beco sem saída em Istambul. Ou em Bucareste.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O maior dos dois de sobretudo –tem cara de quem nunca aprendeu a tabuada do quatro–, fica na penumbra enquanto o menor –cara de quem trocou a mãe por uma espingarda aos onze anos–, saca uma arma e acende um cigarro. Começa:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Você sabe, minha mãe fazia biscoitos quando eu era garoto. Biscoitos de castanha. Já comeu biscoitos de castanha?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(É um monólogo, na verdade.) O tunisiano disfarçado de egípcio sem sobretudo vai caindo pela parede até sentar, resignado. O azerbaijano de sobretudo que vendeu a mãe continua:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Nós juntávamos castanhas durante todo o inverno até que tivéssemos o suficiente. Ela preparava a massa, alisava tudo com um rolo de madeira, cortava em quadrados e punha uma castanha em cima de cada um, para enfeitar. Assim, uma castanha inteira. Eu e meu irmão ficávamos feito cachorros em frente do forno. E então ela fazia dois pacotes e guardava todo o resto num grande pote na despensa. Eu pegava meu pacotinho, me sentava debaixo de uma boa árvore e mordia as beiradas até que sobrasse só a castanha. Teve uma vez que comi todos os biscoitos e deixei só as castanhas para comer depois. Só que quando voltei, não encontrei minhas castanhas. Eu era um garoto esquentado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Encostado na parede, o irmão que só sabe até a tabuada do três sorri, mostrando uma cicatriz que vai do lábio até a orelha direita –ou a esquerda, tanto faz.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Acho que no fundo do que eu gostava mesmo era das castanhas. As pequenas e quebradas ela triturava e misturava na massa. Mas as graúdas, as mais bonitas, ela reservava para colocar em cima dos biscoitos. Volta e meia, encontrava uma dessas no fundo do meu pacotinho. Assim, uma castanha solta, inteirinha. Então eu olhava para aquela joia e comia deliciado, dando mordidas bem pequenas. Mas depois vinha o preço, e eu achava um biscoito sem castanha em cima. Só a massa, pura. Porque era só uma castanha por biscoito, entende? De algum lugar ela tinha de ter caído.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O grandalhão cipriota continua de braços cruzados na sombra. O hondurenho parece rezar baixinho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Então eu aprendi que a vida é assim: você pode comer as castanhas do fundo do pacote, mas depois terá de comer os biscoitos de onde elas caíram. E aí, nada de castanhas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só um tiro, seco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Algo mais ou menos assim, ainda não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1936275197719896092?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1936275197719896092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1936275197719896092&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1936275197719896092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1936275197719896092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/04/castanhas-noir.html' title='Castanhas noir'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-7930883717895252432</id><published>2011-03-29T15:20:00.005-03:00</published><updated>2011-03-29T15:29:17.089-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Acepipes na universidade</title><content type='html'>&lt;i&gt;&lt;blockquote&gt;"Estou trabalhando numa livraria, um sebo na verdade, e temos muito contato com alunos que procuram os livros dessas listas (e outras também). E eis que ontem uma cliente chega com a lista de livros da 3ª etapa do PAS, e quando olhei pro sétimo item da lista, lá estava o título do seu texto 'Zwkrshjistão'. Deu aquela sensação de 'eu conheço, que orgulho'. [...] Comentei com minha namorada, que também conhece seu blog, e ela teve a mesma reação que eu."&lt;/blockquote&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Novidade. E das boas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Acepipes Escritos, mais especificamente &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/search/label/zwkrshjist%C3%A3o"&gt;o breve guia sobre o Zwkrshjstão&lt;/a&gt; –olwlhchkrasjia sz'ozsye!–, foi indicado como obra literária no &lt;a href="http://www.cespe.unb.br/pas/"&gt;Programa de Avaliação Seriada&lt;/a&gt; da Universidade de Brasília. Não sei direito como aconteceu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pelo que me ensinaram, o PAS é uma iniciativa da UnB, que –me corrijam, por favor– visa a eliminar essa coisa terrível e meio injusta que é o vestibular e avaliar os candidatos durante o terceiro ano do Ensino Médio. Coisa legal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim. O Acepipes &lt;a href="http://www.cespe.unb.br/pas/Matriz_Avaliac_3a_etapa_2009-2011.pdf"&gt;está lá&lt;/a&gt;, tentando não se envergonhar muito na presença de Vinicius, Clarice, Drummond, Brecht, Nietzsche, Guimarães Rosa, Russel, Dias Gomes e Graciliano Ramos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É uma honra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meu obrigado especial ao amigo professor J. Messias, responsável pela história toda. E um abraço ao Rodrigo, que me mandou a história bacana ali em cima.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, se a corrida atrás do sonho de estudar na UnB te trouxe aqui pela primeira vez: juro que não tive nada a ver com isso, por favor não me odeie. Desejo, isso sim, todo o sucesso nessa sua empreitada. Conte comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;* * *&lt;br /&gt;ps. Sua Excelência o presidente Trçakydf envia cordiais saudações aos estimados estudantes brasileiros e aproveita o ensejo para relembrar que estão em aberto ainda nove vagas para intercâmbio no Instituto de Estudos Holísticos de Z'zträkosk. Para inscrever-se, basta preencher uma avaliação básica de fundamentos de dominó e ter noções de idioma zwkrshjistanês.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-7930883717895252432?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/7930883717895252432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=7930883717895252432&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7930883717895252432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7930883717895252432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/03/acepipes-na-universidade.html' title='Acepipes na universidade'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-9059549256888562408</id><published>2011-03-29T09:22:00.025-03:00</published><updated>2011-03-29T16:04:56.555-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>A um único leitor</title><content type='html'>Talvez você nem leia mais o meu &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;, mas fica aqui caso um dia volte.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já faz uns dias que eu sei do que aconteceu. Também sei seu nome, esse que você assinou em baixo de uma crônica minha num concurso. E, embora você não me tenha feito o favor de arrumar aquele terceiro parágrafo –bem ruim–, vou lhe fazer um: a história fica sendo um segredo nosso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Admito que doeu um pouco porque é um texto querido meu, escrito num momento complicado há uns anos atrás. Por outro lado, penso que ele já cumpriu sua missão comigo –me libertou de algo que estava mal resolvido– e quem sabe agora tenha uma outra –meio torta, mas ainda assim uma missão– a cumprir no seu caminho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pode continuar com ele. De onde tirei esse, posso tirar outros.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quem sabe um dia você note que não interessa o quanto as tenha achado bonitas, essa meia dúzia de frases nunca será sua. As palavras mais bonitas são sempre as que dizemos de nossos lábios. Você deve ter suas próprias, basta que procure.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E se acontecer de a vida vir a te cobrar por essa atitude, peça a ela que me procure. Explicarei que já ficou tudo bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só espero, de coração, que um dia você entenda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-9059549256888562408?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/9059549256888562408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=9059549256888562408&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9059549256888562408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9059549256888562408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/03/um-unico-leitor.html' title='A um único leitor'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-7469970052327091526</id><published>2011-03-25T11:07:00.008-03:00</published><updated>2011-03-25T11:38:29.540-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Dessas que acontecem o tempo todo</title><content type='html'>Sardas, sardas delicadas. Pele clarinha. Olhos claros, grandes, e cabelo escuro, pequeno. As alcinhas da blusa nos ombros frágeis. Uns gestos assim de quem quer parecer mulher feita, mas não adianta: tudo nela cheira a coisas frescas –e tem os sapatos, também: os sapatinhos denunciam um resto de meninice.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao lado dela, o garoto não consegue disfarçar a tensão. Ela relaxada, jogada no banco, assoprando a última baforada do cigarro para o alto, mostrando o pescoço branquinho. Ele tenso, intimidado, sentado meio desconfortável na ponta do banco, esqueceu de tirar a mochila das costas, boca seca e mãos molhadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Conversam. Ela conta como foi o dia, e ele saboreia cada palavra, imagina cada momento daqueles. Ela acordando de manhã, ela correndo para pegar o ônibus, ela escondendo-se da chuva, ela mostrando esmeraldas a um cliente na joalheria, ela almoçando um sanduíche natural, ela tomando um chá gelado desses com gosto de adoçante, ela saindo para fumar cinco minutinhos. Ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela relaxada, ele tenso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até que enfim ele tira a mochila das costas. Desajeitado. Agora pode se encostar no banco, vê-la sem ter que torcer o pescoço. O que ele não daria para que ela o visse como alguém além do amigo fofo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela puxa mais um cigarro do maço. Ele quer parecer que não liga, mas pediria a ela que parasse. O isqueiro de bolinhas vermelhas, o pescoço delicado, a boca assoprando para o céu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O que ele não daria.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Chega então um sujeito. Um desses, que parecem mais do que são, que querem mais do que merecem. Dá no rosto da moça um beijo demorado e na mão do garoto um aperto apressado e mais se larga do que se senta no banco. Pede um cigarro a ela, solta a primeira baforada na direção dele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Alguém está sobrando no banco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A garota só tem olhos para o sujeito. O cigarro vai queimando: ela esqueceu de fumar. O garoto fica ali, quer parecer que não liga, mas pediria que ela não andasse com esses caras. O sujeito conta histórias, vantagens.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O garoto interrompe, inventa uma qualquer. Alguém está sobrando no banco e ele decidiu quem é –não deveria ser. Levanta apressado, ajeita a mochila nas costas –parece mais pesada agora– e sai, com as mãos nos bolsos. Chuta uma pedra sem querer e mais adiante chuta de novo, por querer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O que ele não daria, meu Deus!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A garota fica lá, procura o espelhinho na bolsa, agora é ela quem está tensa. O sujeito mal a olha, largado no banco, e conta suas histórias tortas: não sabe ouvir, só falar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quem sabe um dia ela veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(Ou pelo menos foi o que eu imaginei, vendo a cena do outro lado da calçada, sentado no café.)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-7469970052327091526?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/7469970052327091526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=7469970052327091526&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7469970052327091526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7469970052327091526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/03/dessas-que-acontecem-o-tempo-todo.html' title='Dessas que acontecem o tempo todo'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1737809236040442450</id><published>2011-03-18T15:45:00.000-03:00</published><updated>2011-03-18T15:45:36.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>... e a nova rotina</title><content type='html'>Da minha casa nova, venho caminhando até o trabalho. São vinte e cinco minutos por ruas arborizadas, sabiás, uma praça, meia dúzia de vira-latas amistosos, uma velhinha regando margaridas e duas entradas de escolinha infantil.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Hoje –só o intervalo entre um passo e o próximo–, vi o sol se levantando entre dois pinheiros no quintal de uma casinha de madeira. E acabo de me dar conta de que isso é tudo o que precisava escrever neste &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1737809236040442450?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1737809236040442450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1737809236040442450&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1737809236040442450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1737809236040442450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/03/e-nova-rotina.html' title='... e a nova rotina'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3335588963471624087</id><published>2011-02-17T10:36:00.003-02:00</published><updated>2011-03-18T15:46:31.644-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Dois dias</title><content type='html'>Faltam dois dias para o nosso casamento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Faltam dois dias para o nosso casamento e eu estou aqui, uma furadeira na mão, uma chave de fenda na outra e mil pensamentos martelando na cabeça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E enquanto eu vejo minha vida, esta minha vida como eu vivi até agora, acabar, eu tento enganar o tempo e adivinhar pedaços dessa vida nova que vem pela frente. Essa vida que começa daqui a dois dias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, olha, eu te vejo chegando meio assim para contar que quebrou um dos meus copos de chá, aqueles. E me vejo mal humorado porque bati seu carro naquela vaguinha minúscula na garagem do prédio. Te vejo oferecendo carona num dia de chuva e me vejo turrão saindo de moto mesmo assim. Te vejo chorando com cada surpresinha que eu aprontar, essas besteirinhas que eu invento e que você é generosa o suficiente para enxergar como grandes coisas. Me vejo deliciado com cada jantar especial –e saiba que já estou esperando, porque também não é de graça que quis casar com uma &lt;i&gt;chef &lt;/i&gt;de cozinha– que você nos fizer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mil pensamentos, coisas boas, coisas difíceis, um monte, e desejo que eu seja o que você espera de mim. Não tenho vergonha de dizer que tenho, sim, um pouco de medo. Medo de te decepcionar. Às vezes me olho e penso que não sou mais que um menino crescido, com uma furadeira na mão, uma chave de fenda na outra e mil pensamentos martelando na cabeça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então eu respiro mais uma vez, olho no fundo desses olhos azuis e sei que tudo isso é bobagem minha. E que é só deixar a vida acontecer e deixar que venha aquela parte do "e eles viveram felizes para sempre".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque já está vindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3335588963471624087?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3335588963471624087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3335588963471624087&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3335588963471624087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3335588963471624087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/02/dois-dias.html' title='Dois dias'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4034292419467870177</id><published>2011-01-01T11:57:00.009-02:00</published><updated>2011-01-01T21:54:46.412-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Dois mil e onze</title><content type='html'>Gosto de escrever datas por extenso, assim parecem mais importantes. Dois mil e dez foi um bom ano. Não sou de fazer retrospectivas, de fechar para balanço aos trinta e um de dezembro, mas se for para dizer algo, digo isso: dois mil e dez &lt;i&gt;Anno Domini&lt;/i&gt; foi um bom ano.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sei lá, não gosto de fazer listas de compromissos; igualmente, não acho justo exigir nada. Mas, se fosse para pedir algo a dois mil e onze, esse que acaba de nascer e não tem culpa das nossas frustrações passadas, pediria que o sol nascesse trezentas e sessenta e cinco vezes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que termine o verão, que passe o outono, que chegue o inverno e venha a primavera.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também me basta que em dois mil e onze os bebês continuem aprendendo a dar risada, que as crianças continuem tentando andar de bicicleta sem rodinhas, que as donas de casa continuem correndo para tirar as roupas do varal num dia de chuva, que os agricultores sigam plantando e colhendo com generosidade, que os trabalhadores prossigam descansando a cada fim de dia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que o amor ainda seja a força mais frágil e mais poderosa do mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, se pudesse pedir mais um um pouquinho, pediria também que os canários continuem cantando nas janelas logo cedinho. Que os gatos miem nos telhados para avisar como está bonita a lua cheia e que os cachorros façam festa a cada volta dos donos. E, ah!, que os ipês floresçam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com o resto eu me arranjo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um mestre caminhava à beira de um rio onde a água, correndo entre as pedras, fazia nascer uma infinidade de bolhas. Lá pelas tantas, ele perguntou às bolhas: "quem são vocês?", e elas, quase todas elas, responderam: "eu sou uma bolha!", e havia raiva e indignação –como é que ele pode fazer uma pergunta óbvia dessas?– em suas vozes. Porém, aqui e ali, uma ou outra bolha respondeu: "nós somos este rio", e não havia raiva nem indignação em suas vozes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois que o rio continue fluindo, que o Mestre olhe por suas bolhas, que a resposta brote em nossos lábios. E dois mil e onze será um bom ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4034292419467870177?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4034292419467870177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4034292419467870177&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4034292419467870177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4034292419467870177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/01/dois-mil-e-onze.html' title='Dois mil e onze'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6780700035258780415</id><published>2010-12-16T19:49:00.008-02:00</published><updated>2011-03-25T14:33:59.309-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Silêncio e quatro anos</title><content type='html'>Coisa de que não tenho medo é do silêncio. Prefiro, até. Acho chato viver num tempo onde tantos queiram falar e tão poucos pareçam dispostos a ouvir, mas não vou começar com discurso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acho que diria assim: passei uns dias de ouvinte, e só.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acabou, inclusive, que nesse silêncio de mais de quarenta dias foi que o &lt;i&gt;Acepipes &lt;/i&gt;passou o aniversário de quatro anos. Coisa engraçada um blog, lugar para escrever, comemorar o aniversário assim: sem nada escrito. Foi meio sem querer, mas foi.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque não se preocupem: não foi um silêncio ruim. Foi um silêncio gostoso, sereno. Nem todo silêncio é de ausência.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Obrigado aos amigos fiéis que passaram aqui durante esses dias quietos, obrigado aos novos amigos que chegaram nesses dias quietos. Obrigado a cada um por cada um dos mais de duzentos mil cliques –200.000!– nesses quatro anos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;b&gt;Obrigado, sempre.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ah, sim, estou voltando com as postagens ;)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6780700035258780415?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6780700035258780415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6780700035258780415&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6780700035258780415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6780700035258780415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/12/silencio-e.html' title='Silêncio e quatro anos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2060781115308743067</id><published>2010-10-20T18:54:00.001-02:00</published><updated>2010-10-20T18:54:00.509-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Horário de verão</title><content type='html'>O sol brilhava bonito já indo deitar no meio dos prédios, mas umas poças aqui e ali no campinho de areia lembravam a gente da chuva que havia caído de manhã. Eu passava em frente à praça, subia a ladeira em direção do centro da cidade, quando vi um homem com seus dois cachorros. Soltos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só a visão de cachorros já me basta para abrir um sorriso, sou desses de dar bom-dia para os vira-latas na rua. "Bom dia, amigo, que dia bonito, hein?". "Bom dia, amigo, hoje o frio tá bravo, hein?". Às vezes fico pensando como é que pode um bicho ter chegado a esse ponto de ser tão assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O cachorro branco, grandão com cara de filhote, rodeava corria pulava saltitava latia fazia festa. O preto, barbinha branca despontando no focinho, andava sossegado, meditando sobre como esses jovens têm energia para gastar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segunda-feira –porque domingo não conta, domingo é café-com-leite– começou o horário de verão. Minha cachorrinha dorme na cozinha, abrigada do frio das madrugadas de Curitiba e, quando acendi a luz para tomar café da manhã, ela me olhou com uns olhinhos preguiçosos e ressentidos de "que é que você está fazendo aqui a essa hora?". Não existe horário de verão para os cachorros.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu subia a ladeira resmungando atrapalhado com o guarda-chuva numa mão, o livro do James Bond e as blusas que insistiam em ficar caindo na outra. E o filhotão pulava de uma alegria tão pura que me pegou desprevenido. Uma alegria tão canina. Passou numa poça, a água subiu e virou festa, porque o mais velho agora corria e pulava também.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O dono, caminhando com as mãos para trás, não brigou, não xingou, não praguejou. Deixou que os cachorros fossem cachorros. Acho que não viu que, do outro lado da rua, eu sorria também. Aproveitava o horário de verão, o dia até mais tarde para passear na praça e deixar que seus cachorros fossem cachorros.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não existe horário de verão para os cachorros. Para eles é sempre agora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Engraçado como tantas vezes são pessoas desconhecidas que me dão os momentos de felicidade mais pura. Que me perdoem os parentes e amigos. É a felicidade inesperada, que vem enquanto subo ladeiras atrapalhado com as mãos cheias de mais coisas que consigo carregar. Como na vez em que demorei na cafeteria e me atrasei para um encontro só para ficar vigiando de canto de olho uma senhora que tomava meia garrafa de vinho e lia, deliciada, um livro do qual, para minha frustração, não consegui ver a capa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na terça não acendi a luz e preparei meu café da manhã no escuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2060781115308743067?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2060781115308743067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2060781115308743067&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2060781115308743067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2060781115308743067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/10/horario-de-verao.html' title='Horário de verão'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3869022311012146479</id><published>2010-10-16T09:19:00.002-03:00</published><updated>2010-10-17T08:43:34.843-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Dia a dia #12</title><content type='html'>Toda vez que pego o potinho de tampa vermelha penso que meus ancestrais mataram e morreram, moveram mundos e fundos, se aventuraram em mares desconhecidos só para que eu pudesse polvilhar um pouquinho de canela em cima do arroz doce. Sem contar o cravo no doce de abóbora. É um negócio meio solene.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3869022311012146479?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3869022311012146479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3869022311012146479&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3869022311012146479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3869022311012146479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/10/dia-dia-12.html' title='Dia a dia #12'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-7739927676430061834</id><published>2010-10-12T08:26:00.000-03:00</published><updated>2010-10-12T08:26:55.052-03:00</updated><title type='text'>Doze de outubro</title><content type='html'>Permita, Senhor, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira dos motociclistas, que eu e meus companheiros cheguemos sempre aos nossos destinos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-7739927676430061834?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/7739927676430061834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=7739927676430061834&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7739927676430061834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7739927676430061834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/10/doze-de-outubro.html' title='Doze de outubro'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8011561479208322863</id><published>2010-10-06T20:09:00.012-03:00</published><updated>2010-10-06T20:34:33.283-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Titicaca</title><content type='html'>Sentado à janela do ônibus –uma &lt;i&gt;van &lt;/i&gt;velha, lotada de camponeses e com três ovelhas amarradas no bagageiro em cima do teto–, eu apertava os olhos para descobrir até onde ia a paisagem seca e sem cor. O altiplano boliviano, encravado nos Andes. Como se Deus tivesse pisado ali, bem no meio das montanhas, e aplainado com Sua pegada gigantesca um bocado de terra que ia muito além do que meus olhos míopes alcançavam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando era menino, ficava horas fuçando num grande baú de gibis antigos no porão da casa da minha avó. Meus favoritos eram os do tio Patinhas e foi num deles que li o nome pela primeira vez. Não me lembro da história; lembro, para ser bem sincero, de um quadrinho só: um barco de palha sumindo no meio da neblina. Era um lago de água e de nuvens, o lago Titicaca.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O sol brilhava, o motorista xingava o motor velho e barulhento, uma senhora se compadecia –"¡ay, pobrecitas!"– toda vez que as ovelhas amarradas lá em cima baliam, e eu viajava atrás de um sonho de menino. Sozinho. Minha vida havia desabado meses antes e eu tentava procurar nos escombros um resto de mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A paisagem custava a mudar mas, aos poucos, o marrom do deserto ia sendo salpicado por um verde tímido aqui e ali. Chegávamos perto. Notei, de repente, num susto, que lá não havia pássaros. Não me lembro de ter visto nenhum nessa viagem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando dei por mim, todos os rostos me olhavam. Eu pensava em pássaros e não notei que estávamos parados e que o motorista berrava. Hora de saltar. Um garoto trepou na escadinha e me arremessou a mochila lá do alto. Puxei uma moeda do bolso e ganhei um sorriso sem dentes quando ele viu que era das graúdas. A &lt;i&gt;van&lt;/i&gt; continuou viagem pela estrada poeirenta e sem fim e eu tive dó das ovelhas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma brisa salgada me inflou as narinas e então eu soube que havia chegado. Andei pela rua principal do povoado, entre índias de saias coloridas e toldos de armazéns baratos, até chegar numa subida suave que acabava logo ali adiante. Eu sabia o que me esperava. Corri. A mochila não pesava nada nas costas, o peso nos ombros havia sumido. Travei bem os dentes para que o coração não saltasse para fora. Subi mais um declive leve e então.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Magnífico.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acho que nunca tinha falado essa palavra. Deixei escapar em voz alta, "magnífico", porque era o que eu via. Um azul profundo. Um azul sagrado, antigo. Ondas suaves lambiam as pedras na margem. Não tinha fim. E ali não era mais a paisagem seca e sem cor, tudo era verde e vicejante. Um azul generoso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O lago Titicaca. Puxado por mágica de um baú da minha infância, no porão da casa da minha avó.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Contra a luz, vi a silhueta escura de um menino que atirava pedras. O lago parecia não se ofender com a brincadeira, como um pai paciente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E o sol se punha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8011561479208322863?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8011561479208322863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8011561479208322863&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8011561479208322863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8011561479208322863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/10/titicaca.html' title='Titicaca'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1337846566147735377</id><published>2010-09-30T23:10:00.000-03:00</published><updated>2010-09-30T23:10:44.217-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Garoa</title><content type='html'>Dedos delicados&lt;br /&gt;batem na minha vidraça.&lt;br /&gt;Noite de garoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1337846566147735377?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1337846566147735377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1337846566147735377&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1337846566147735377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1337846566147735377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/garoa.html' title='Garoa'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1343377845167854927</id><published>2010-09-30T22:05:00.004-03:00</published><updated>2010-09-30T23:01:26.808-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Filmes #7</title><content type='html'>Acho engraçado como, quando entram na locadora, as pessoas correm direto para a prateleira dos lançamentos como se todo o resto da loja fosse invisível, como se, depois de um mês, os filmes deixassem de valer a pena. Aqui em casa mesmo, toda vez que chego em casa com uma sacolinha, ouço sempre a mesma reclamação: "ai, mas é tudo catálogo..."&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era só isso que eu queria dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1343377845167854927?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1343377845167854927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1343377845167854927&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1343377845167854927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1343377845167854927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/filmes-7.html' title='Filmes #7'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4696886497248415785</id><published>2010-09-22T21:35:00.007-03:00</published><updated>2010-09-22T21:57:01.230-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Quinze</title><content type='html'>Anda rolando no &lt;a href="http://www.facebook.com/palmaesilva"&gt;Facebook&lt;/a&gt; essa coisa de listar quinze livros e quinze filmes. Os quinze que primeiro vierem à cabeça, sem pensar muito, sem colocar em nenhuma ordem. Agradeço as indicações. Resolvi responder por aqui, que é mais legal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois bem, quinze livros:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Dom Quixote&lt;/i&gt;, M. de Cervantes&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Ficções&lt;/i&gt;, J.L. Borges&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O aleph&lt;/i&gt;, J.L. Borges&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;As cidades invisíveis&lt;/i&gt;, I. Calvino&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;As pequenas memórias&lt;/i&gt;, J. Saramago&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O tempo e o vento&lt;/i&gt;, E. Verissimo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O caso dos dez negrinhos&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/dez-negrinhos.html"&gt;mesmo sem saber o final&lt;/a&gt;), A. Christie&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O senhor dos anéis&lt;/i&gt;, J.R.R. Tolkien&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Tao te ching&lt;/i&gt;, Lao Tse&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Moby Dick&lt;/i&gt;, H. Melville&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Walden&lt;/i&gt;, H.D. Thoreau&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Musashi&lt;/i&gt;, E. Yoshikawa&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Comédias da vida privada&lt;/i&gt;, L.F. Verissimo&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;A elegância do ouriço&lt;/i&gt;, M. Barbery&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Anedotas do destino&lt;/i&gt;, K. Blixen&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E quinze filmes:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O poderoso chefão&lt;/i&gt;, F.F. Coppola&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Casablanca&lt;/i&gt;, M. Curtiz&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O tigre e o dragão&lt;/i&gt;, A. Lee&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Star wars&lt;/i&gt;, G. Lucas&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Por um punhado de dólares&lt;/i&gt;, S. Leone&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Kill Bill&lt;/i&gt;, Q. Tarantino&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;A viagem de Chihiro&lt;/i&gt;, H. Miyazaki&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Psicose&lt;/i&gt;, A. Hitchcock&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;James Bond contra o satânico dr. No&lt;/i&gt;, T. Young&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;A história sem fim&lt;/i&gt;, W. Petersen&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;O silêncio dos inocentes&lt;/i&gt;, J. Demme&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Spartacus&lt;/i&gt;, S. Kubrick&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Ben Hur&lt;/i&gt;, W. Wyler&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Herói&lt;/i&gt;, Z. Yimou&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Depois da chuva&lt;/i&gt;, A. Kurozawa&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(E, na mesma hora em que terminei o &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;, já me arrependi de ter escrito, bateu a maior insegurança, lembrei de outros e concluí que está tudo errado. Mas juro que vou resistir à tentação de editar.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4696886497248415785?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4696886497248415785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4696886497248415785&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4696886497248415785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4696886497248415785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/quinze.html' title='Quinze'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2464991329515355736</id><published>2010-09-20T17:08:00.016-03:00</published><updated>2010-09-20T20:41:44.016-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Cupons de desconto</title><content type='html'>Era uma segunda-feira chuvosa de uma semana que prometia ser nada animadora quando o &lt;i&gt;ding dong&lt;/i&gt; da caixa de &lt;i&gt;e-mails&lt;/i&gt; dele anunciou algo que não era "reunião urgente às cinco" e nem "últimas alterações do cliente".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era uma segunda-feira chuvosa de uma semana que prometia ser nada animadora quando ela leu "e-mail enviado com sucesso" e sorriu ao imaginar que ele também sorria do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E ele sorriu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os dois sorriam e um cupom de desconto de restaurante piscava na tela. "Economize tantos porcento na apresentação deste", esse tipo de coisa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Volta e meia, ele recebia um desses, nunca descobriu de quem. Anônimos. Alguém os encaminhava desses &lt;i&gt;sites &lt;/i&gt;de clube de desconto. Alguém que com certeza o conhecia, sabia do que gostava. As sugestões sempre certeiras: restaurante chinês, cerveja especial, camiseta bem humorada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E era ela que encaminhava. Lembrava que, ah!, esse restaurante é do tipo que ele gosta, esse bar é para ele sentar com os amigos e desanuviar um pouco, essas camisetas são a cara dele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foram namorados, terminaram há quase um ano e se for ver, na verdade na verdade, nenhum dos dois sabe explicar por quê. Terminaram, cada um para seu lado e nunca mais se viram. Mas ela ainda se preocupava, ainda sorria ao saber que ele sorria do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;À noite, ele, cupom na mão, jantou no tal restaurante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela ficou em casa, tomando sopa de pacotinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2464991329515355736?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2464991329515355736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2464991329515355736&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2464991329515355736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2464991329515355736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/cupons-de-desconto.html' title='Cupons de desconto'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2489976523110178044</id><published>2010-09-15T19:18:00.010-03:00</published><updated>2010-09-15T21:58:47.389-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Dez negrinhos</title><content type='html'>&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dez negrinhos vão jantar enquanto não chove;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um deles se engasgou e então ficaram nove.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-Agatha Christie&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha, sei lá, uns dez anos e, depois do almoço, peguei um livro antigo do meu pai, daqueles amarelados e com as páginas meio caindo. Eu tinha certo preconceito com aqueles livros porque eram amarelados e tinham páginas caindo, mas estava cansado dos meus de sempre –Gulliver, Sinbad, Mogli– e resolvi arriscar. A capa era feia. Chamava-se &lt;i&gt;O caso dos dez negrinhos&lt;/i&gt;. Comecei a ler, como quem não quer nada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eletrizante, essa é a palavra: eletrizante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma mansão numa ilha. Dez pessoas estranhas. Assassinato. Sobram, então, nove pessoas. Depois, oito e sete e seis.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era época de aula de manhã e nada para fazer à tarde –a lição de casa eu copiava, rapidinho antes de entrar na sala, de uma menina apaixonada por mim, que eu com dez anos era meio cafajeste, depois tomei jeito–, então pude me dar a um luxo que hoje em dia é raro: li tudo de uma sentada só. O dia já estava escurecendo quando fui chegando ao final do mistério, fervendo a cabeça com um monte de soluções e vislumbrando uma promissora carreira de detetive particular.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cinco pessoas. Quatro. Três.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas eis que. Eis que.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando virei uma página, dei com um trecho que, ué, pareceu meio familiar. Virei mais a próxima e mais outra: já tinha lido. Então notei que o livro tinha um defeito: trocaram na gráfica os últimos cadernos de impressão. Então, ao invés das últimas páginas, eu tinha umas repetidas da metade. Necas de final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como o bendito devia ter sido comprado há uns vinte anos, era tarde demais para ir à livraria e pedir para trocar. Quando meu pai chegou em casa, corri para perguntar e ele me respondeu só uma risada divertida. Também não sabia o final.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até hoje não sei quem é o assassino. Ficou esse trauma na minha vida de leitor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E enquanto eu escrevia isso me veio à cabeça a ideia de guardar o livro para pregar a mesma peça no meu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;120° aniversário da Dama do Suspense, minha singela homenagem.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2489976523110178044?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2489976523110178044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2489976523110178044&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2489976523110178044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2489976523110178044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/dez-negrinhos.html' title='Dez negrinhos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8803671487684047439</id><published>2010-09-14T21:00:00.006-03:00</published><updated>2010-09-14T21:51:47.507-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Ei, você!</title><content type='html'>Sim, senhor. Sim, senhora. Este aqui é para você. Você, que me lê e nunca comentou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na verdade, eu estou aqui morrendo de vergonha, procurando o melhor jeito de pedir isso sem parecer um vaidoso sedento por atenção. Estou aqui escolhendo as palavras. Gaguejando, olhando para o chão, chutando umas pedrinhas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É que o Rob Gordon, grande amigo do grande &lt;a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/"&gt;Championship Vinyl&lt;/a&gt;, começou uma &lt;a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/2010/09/vida.html"&gt;campanha&lt;/a&gt; que eu quero comprar: "dê vida a este blog. comente!". Tenho pensado muito nisso desde então.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estivemos conversando também, o Rob, uns outros caras bacanas e eu –todos blogueiro profissionais, eu sou o único amador– que a coisa anda meio fria na blogosfera. Uns tempos atrás tínhamos comentários, memes, postagens cruzadas, textos colaborativos, prêmios, indicações, jogos... Talvez eu seja só um velho &lt;i&gt;cowboy&lt;/i&gt; ultrapassado, mas, pô, precisamos retomar isso, precisamos soprar as brasinhas antes que a fogueira apague.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Coisa legal desde o começo do &lt;i&gt;Acepipes&lt;/i&gt; são os amigos que conheci. Todo mundo que já passou por essa salinha, sentou no sofá, fez um afago no cachorro. Alguns saíram daqui para o &lt;i&gt;e-mail&lt;/i&gt;, outros para o &lt;a href="http://twitter.com/brunopalma"&gt;twitter&lt;/a&gt;, alguns para uma cerveja de verdade num bar de verdade (e alguns, eu admito, acabei deixando escapar, e peço desculpas pela falta de gentileza). E, putz, isso é tão legal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas só pude conhecê-los porque soube que eles estavam do outro lado aí da conexão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Poxa. Já tomei bronca de chefe porque estava escrevendo no meio do expediente, já atrasei em encontro com a noiva porque estava terminando de postar, já pedi caneta emprestada ao garçom para anotar ideia em guardanapo no meio do almoço. Só para contar alguma história para você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Poxa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por trás desse &lt;i&gt;blog &lt;/i&gt;também bate um coração.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, claro –sempre!–, obrigado por me ler, obrigado pela paciência que há anos você tem comigo. É por você que o &lt;i&gt;Acepipes &lt;/i&gt;existe. Porque, mesmo sem comentar, eu sei que você está aí.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, só de birra, não vou autorizar comentários neste &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Já eu, de minha parte, vou entrar para a campanha como comentarista. Afinal, mais que autor eu sou leitor. Vou tirar o pó dos favoritos –sim, eu guardo o blog de cada um que passa por aqui nos favoritos– e fazer umas visitas. Não repare se eu chegar por aí, assim sem avisar.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8803671487684047439?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8803671487684047439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8803671487684047439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/ei-voce.html' title='Ei, você!'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4428071669478727847</id><published>2010-09-02T21:32:00.000-03:00</published><updated>2010-09-02T21:32:58.384-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Aos pedaços</title><content type='html'>Volta e meia me pegam olhando para um banco de praça, um tufo de grama que brotou no meio do asfalto e me puxam as orelhas porque fiquei mudo e me perdi na conversa. O pessoal costuma não entender.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sei lá quando começou; sei que é de menino. Uma vez me mudei de cidade, de estado, e tive de começar tudo do zero, foi uma barra. Agora, anos depois, já estou bem estabelecido e sigo firme no meu ofício: eu me aproprio de pedaços da cidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É impossível amar uma cidade inteira, o que me interessa são só uns pedacinhos. É de pedacinhos que se faz uma cidade e alguns me agradam em especial, então eu os tomo para mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meu inventário é repleto de árvores: tenho, por exemplo, uma meia dúzia de paineiras, dois pessegueiros e três figueiras. Araucárias são oito, desde que uma foi derrubada semana passada, vítima de gente incomodada com os galhos caídos no quintal. Sou dono também de uma cerejeira, mas infelizmente não dela toda: são meus só os galhos do lado de cá. Tenho quase certeza de que um senhor japonês que volta e meia encontro caminhando pela praça com os braços para trás é o dono da outra parte. Mas temos convivido pacificamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não chego ao ponto de tomar casas inteiras, não sou assim pretensioso. Mas sou o dono, por exemplo, do telhadinho em forma de cone na entrada de um casarão, assim como da janela rodeada de trepadeiras no segundo andar de um predinho e dos lambrequins na varanda de uma casinha de madeira. O relógio sem ponteiros na fachada de um sobrado colonial meio caindo aos pedaços: é meu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Uma vez cheguei a ter um anjo de túmulo, um querubim magnífico de asas abertas e espada em punho que aparecia por cima do muro do cemitério, mas o acabei trocando por um metro e meio do caminho de pedras em frente da capela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De algumas coisas eu sou dono só em certos horário do dia. Aquele trechinho da alameda só me interessa às quatro e quinze da tarde, quando a luz passa entre os galhos dos álamos e tinge a fachada da charutaria de um tom esverdeado. Já o chafariz só é meu pela manhã, quando os sabiás vão tomar banho por lá; depois pode ser de quem quiser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já outros bens são mais difíceis de listar. Sou o feliz proprietário do cheiro de café que se sente quando se atravessa uma certa rua numa certa altura, do raio de luz vermelho –só do vermelho– que passa pelo vitral lateral da basílica numa certa época do ano, do barulho oco que faz quando se pisa numa certa pedra solta do calçamento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É tudo meu, pago com sorrisos silenciosos, olhares admirados, suspiros de satisfação. Às vezes à vista, às vezes a prestação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas não é assim tão fácil, não ganhei nada assim, de mão beijada. É trabalho duro, muitos passeios, muitos torcicolos de olhar para cima, muitos esbarrões no poste porque estava olhando para outro lado... Sem contar que é difícil ser dono de tantas coisas; preciso sempre passar pelos meus pedaços de cidade para ver se tudo está indo bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas, tirando um portãozinho que foi arruinado por uma nova pintura cinza, sem graça e quase criminosa, tudo tem andado bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Esses dias, tenho desviado meu caminho por uns quarteirões para passar numa rua onde dez ou doze ipês amarelos coloriram o chão e o teto de um dourado que, por Deus, só vendo para saber. Estou me segurando para não tomá-los todos, de uma vez só, para mim. Acho que não resistirei, amanhã cedinho passo lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4428071669478727847?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4428071669478727847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4428071669478727847&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4428071669478727847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4428071669478727847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/09/aos-pedacos.html' title='Aos pedaços'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2315366905465541630</id><published>2010-08-28T10:18:00.001-03:00</published><updated>2010-08-28T10:20:11.340-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='joe náufrago'/><title type='text'>Para problemas de garganta</title><content type='html'>Quarta passada à tarde, eu estava em casa de atestado médico, me recuperando de uma febre, quando ouvi tiros de bacamarte na rua. Era o capitão Joe Náufrago que veio comprar comida de peixe na mercearia aqui ao lado e aproveitou para me visitar. Escarrou na minha bacia de escalda pés e deu-me um abraço que, suspeito, descolou um dos pulmões. Enquanto ele limpava as unhas do pé –o bom capitão só tem um– com um sabre enferrujado, contei o que aconteceu:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— É que minha garganta inflamou. Tenho que tomar esse antibiótico de seis em seis horas, o anti-inflamatório de doze em doze e o antitérmico de quatro em quatro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Arrrr, por todos os abismos do inferno! Minha avó tuberculosa tem mais colhões que você, seu desgraçado remador de água doce. Você me envergonha, rapaz.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas é que à noite eu tive muita febre e...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Uma boa garrafa de rum com alcatrão te fará muito mais bem que essas porcarias de remédios de donzelas tomadoras de chá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então o capitão tirou da bolsa uma garrafa embaçada de vidro amarelo. Vazia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Aquele saco de pulgas deve ter lambido todo meu rum enquanto eu dormia na sarjeta... Tome, rapaz, vá buscar mais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu pensei em recusar o meio dobrão de ouro que ele me esticava, dizer que já estava em tratamento, mas os dentes arreganhados e o sabre em punho do capitão lembraram-me de que não se recusa o favor de um pirata amigo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E tome mais uma moeda. Uma noite dormida entre os peitos da taberneira Helga também vai te fazer bem. Calor humano, garoto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O velho capitão não tem muita paciência para essas coisas da medicina, mas ele tem boa vontade. Ah, se meu médico fica sabendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Fazia tempo não aparecia por aqui o capitão. &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/search/label/joe%20n%C3%A1ufrago"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; para lembrar outros casos desse meu amigo.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2315366905465541630?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2315366905465541630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2315366905465541630&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2315366905465541630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2315366905465541630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/08/para-problemas-de-garganta.html' title='Para problemas de garganta'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8142551624648372001</id><published>2010-08-20T17:51:00.007-03:00</published><updated>2010-08-20T17:58:23.075-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Batatas</title><content type='html'>Um dia, não lembro quando, me servi num restaurante, um desses buffets por quilo do centro da cidade. Não lembro se foi essa a primeira vez em que estive lá. Não lembro do que peguei –meio prato de salada, uma colher de arroz, provavelmente–, só lembro das duas metades de batata.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu estava sozinho na mesa, de frente para uma vidraça que dava para a rua. Lá fora era um dia ensolarado, não lembro se de inverno ou verão. As pessoas faziam fila para pagar no caixa, uma menina dessas estudantes de cursinho esbarrou com a bolsa de livros em mim –o que normalmente eu levaria como ofensa pessoal–, mas eu nem tomei muito conhecimento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez eu esteja adivinhando ou inventando essas coisas mais do que lembrando realmente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só o que lembro com certeza, com absoluta certeza, é das duas metades de batata. Benditas batatas. Lembro, também com certeza, de ter mastigado cada pedaço delas sorrindo de uma satisfação tranquila, esperando que tão logo não acabassem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não saberei descrever. Tinham uma casca fina e dourada por fora, um queimadinho da assadeira quente na parte de baixo. Por dentro eram macias, úmidas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No fundo, era batata e só. Batata e mais nada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quem me conhece sabe do prazer que tenho em comer. É o luxo que me permito. Não coleciono, não junto nada. Não dou a mínima para carro roupa perfume eletrônico equipamento o que quer que seja. Mas gosto de comer bem. Não muito, mas bem. E nada nunca me tocou tanto quanto aquelas duas metades de batata.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Terminei de comer e fiquei ainda um pouco na mesa. Levantei, paguei a comanda e saí. Na rua, me arrependi de não ter beijado as mãos da cozinheira.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por anos eu voltei ao mesmo restaurante duas ou três vezes por semana depois disso, mas nunca mais almocei batatas como aquelas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É uma história meio ridícula, um segredo meu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas, sei lá, fiquei com vontade de contar isso hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8142551624648372001?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8142551624648372001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8142551624648372001&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8142551624648372001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8142551624648372001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/08/batatas.html' title='Batatas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8851320567054352485</id><published>2010-08-14T02:36:00.017-03:00</published><updated>2010-08-15T09:27:06.775-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Como respirar</title><content type='html'>Pediram outro dia que eu contasse como nos conhecemos, como me apaixonei.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não soube dizer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É como se você estivesse sempre aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei dizer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Amar você é como respirar: não sei como aprendi, não sei explicar como se faz. Um dia cheguei ao mundo e respirei, e isso é a vida. Um dia você chegou e eu te amei, e isso é a vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não me interessa saber por que respiro, não me interessa saber por que amo. Só respiro e vivo. Só amo e vivo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É como se eu tivesse aprendido você tão mansa, tão naturalmente quanto aprendi a andar ou a falar. É como se cada passo meu só tivesse me levado na sua direção, e estar numa madrugada escrevendo cartas de amor não fosse nada mais que o resultado da caminhada. Não me espanta que eu te ame.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nos conhecemos há tantos anos –oito, nove, dez?—, não lembro ao certo como, onde, quando. A vida seguiu. Um dia abri os olhos e soube que te amava, não lembro direito. Essa história não saberei jamais contar. Só sei do dia vinte e oito de fevereiro, o &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/03/foi-numa-tarde-ensolarada.html"&gt;dia da minha coragem&lt;/a&gt;, e do que temos vivido desde então. De antes, não sei dizer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu não lembro mais de como era a vida antes de você. Não lembro de como eram os sábados, os domingos. Não lembro de como era dormir sem antes fazer uma prece silenciosa. Não lembro de com que olhos eu olhava para o céu estrelado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Sabe esses dias bem frios aqui de Curitiba quando a gente vê pela televisão alguma praia do outro lado do Brasil e parece que não consegue lembrar como é o calor, não consegue nem se imaginar de roupa de banho?)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez eu não vivesse, talvez eu não tivesse sábados nem domingos, talvez eu não rezasse, talvez eu fosse cego e não enxergasse o céu. Não lembro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sei que amanhã é domingo, é o seu aniversário, e eu estarei com você. Sei que debaixo desse mesmo céu estrelado você dorme, talvez sonhando os mesmos sonhos que eu. Sinto o peito arfar, então sei também que respiro e que amo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só sei que respiro. Só sei que amo&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Isso é o que me basta saber.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo o que me basta saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8851320567054352485?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8851320567054352485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8851320567054352485&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8851320567054352485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8851320567054352485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/08/como-respirar.html' title='Como respirar'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8271790124162441965</id><published>2010-08-08T16:01:00.001-03:00</published><updated>2010-08-08T16:03:32.491-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Só um parênteses</title><content type='html'>Eu bem que &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/digital.html"&gt;já tinha cantado a bola&lt;/a&gt; antes. Pois hoje, no almoço de dia dos pais, minha avó pediu atenção na sala e anunciou: arranjou um computador e vai fazer curso de informática.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acho que o próximo passo é o Nobel de química ou a conquista da humanidade. Questão de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8271790124162441965?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8271790124162441965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8271790124162441965&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8271790124162441965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8271790124162441965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/08/so-um-parenteses.html' title='Só um parênteses'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5726074698210924652</id><published>2010-07-27T21:50:00.008-03:00</published><updated>2010-07-27T22:36:09.402-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Avôs</title><content type='html'>Desencontramos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando cheguei ao mundo, meus dois avôs já não estavam mais aqui. Coisa de poucos meses. Vô Amaro levado por um infarto fulminante, num episódio particularmente trágico; vô Agenor, por um câncer implacável que o derrubou em poucas semanas. Um seguido do outro. Desencontramos, foi isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meu pai foi –e continua sendo, e Deus permita que seja por muito tempo– o melhor pai que se possa imaginar. Cumpriu em tudo o papel de pai, de amigo, de companheiro, de contador de histórias, de jogador de futebol, de mecânico de bicicletas, de engenheiro de pipas, de biólogo de zoológico. De herói. Mas um papel ele não pôde cumprir, porque não era dele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vô Agenor garçom, vô Amaro sapateiro. É quase tudo o que sei sobre eles: os nomes, profissões e uma meia dúzia de outras coisas. Por mais ridículo que pareça, às vezes fico conversando sozinho, contando a mim mesmo essas histórias, inventando algumas outras, como se fosse um menino de oito anos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Falta vô Amaro aqui para esclarecer a saga da família em Minas Gerais e confirmar os causos do &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2007/04/joo-marra.html"&gt;João Marra&lt;/a&gt;. Falta vô Agenor para contar a vida de colono no Paraná e repetir mil vezes como foi servir um martini ao Frank Sinatra. Como conheceram minhas avós, como as roubaram de casa. Como viveram os anos de dificuldade, como foram parar em São Paulo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quanto a mim, gostaria de mostrar que ando com a voz até que boa para acompanhar uma moda de viola, que consigo distinguir o canto de um ou outro passarinho. Gostaria de aprender a colher café, a pescar, a dançar bolero. Gostaria de acompanhar à barbearia, de sentar à calçada num fim de tarde. Gostaria de apresentar aos dois minha namorada, de dizer que agora ela é noiva, de ter anunciado a data do casamento, de vê-los no altar quando entrar na igreja. E, Deus, como eu gostaria de colocar um bisneto nos braços deles.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sou uma árvore meio capenga, porque me falta um pedaço de raiz.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De todas, acho que essa é minha maior mágoa, por ser a única que não tem, e não terá jamais, remédio. Não tenho o consolo de alguma lembrança. Não tenho com que tampar, ou esconder um pouco que seja, esse buraco na alma. Tenho uma avó também já falecida, mas dela tenho o consolo dos anos de memórias, da convivência, do &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2008/05/flor.html"&gt;último encontro&lt;/a&gt;. De meus avôs não tenho absolutamente nada, nem mesmo o choro da perda.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Faz um tempo, mandei emoldurar uma gravura que ganhei de um amigo. Entrei numa loja dessas antigas no centro velho e dei com um senhor desses respeitáveis, de terno cinza, olhos fundos e boina de lã. Soube que não poderia deixar o serviço em melhores mãos. Ao fechar a porta de vidro, vi no fundo da oficina um garoto que batia pregos com um martelinho e tive de engolir o choro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deus sabe o quanto eu queria ter sentado ao lado do vô Amaro na sapataria, engraxando sapatos. Deus sabe o quanto eu queria ter andado ao lado do vô Agenor no restaurante, carregando pratos. Talvez por isso eu tenha indagado por anos a fio minhas avós em busca de pedaços de passado. Talvez por isso eu me pegue às vezes, sozinho em casa, olhando escondido o canivete que minha mãe guarda na gaveta e o par de botas que meu pai tem no armário.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque a vida quis assim: a maior saudade que eu carrego é de dois homens que jamais conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;i&gt;E por isso eu queria dedicar este post ao sr. Newton Maiewski, avô da minha noiva, que todo fim de semana abre o portão para que eu chegue com a moto, empresta o jornal e conta as últimas do futebol e da política.&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5726074698210924652?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5726074698210924652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5726074698210924652&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5726074698210924652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5726074698210924652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/avos.html' title='Avôs'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-7622981553610132008</id><published>2010-07-19T17:23:00.004-03:00</published><updated>2010-07-19T20:58:40.425-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>Numa segunda-feira</title><content type='html'>Fazia semanas que o Amarildo estava querendo fazer isso. Meses, se bobear. Por isso, antes de apagar a luz para dormir, ele decidiu que amanhã finalmente seria o dia. Ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Amanhã virou hoje e hoje, como decidido, era o dia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como já sabia que enrolava na cama, o despertador tocava às cinco e quarenta, para levantar às seis. Ainda assim, seis acabava virando seis e pouco, seis e meia. Dava que que, quase sempre, o dia começava já atrasado. Mas hoje não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque hoje, hoje era o dia, e o Amarildo despertou assim que ouviu o celular –alguém ainda usa despertador?– chamar. Às cinco e quarenta da manhã começou com o plano: saiu de baixo das cobertas, espreguiçou esticou bocejou coçou os olhos. Fez até umas flexões. Em seguida, foi para a cozinha, onde começou a preparar um café da manhã caprichado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como quase sempre ficava na cama mais do que devia, quase sempre só engolia o que desse tempo. Só que hoje, hoje era o dia, e Amarildo fez tudo como manda o figurino. Preparou o pão com queijo e ligou a sanduicheira, passou café, separou uma maçã, serviu um pouco de cereal na tigela, jogou mel e leite por cima. Sentou-se à mesa posta e comeu com calma, como deveria fazer sempre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como quase sempre o tempo já estava estourando, ele ou deixava a barba por fazer, ou tomava um banho rápido daqueles como quando era moleque ou largava o cabelo de qualquer jeito. Só que hoje, hoje era o dia, então Amarildo foi ao banheiro, fez a barba, tomou banho, arrumou bem o cabelo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quase sempre também só ia vestindo o que estivesse por cima da gaveta ou já estivesse desde a noite anterior largado em cima da cadeira. Só que hoje, o dia, Amarildo separou a roupa cuidadosamente. Cueca, meias, calça, camisa, blusa, jaqueta, cachecol. Escolheu peça por peça, fez até combinação. Colocou o crachá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O dia começou perfeito, como deveria ser. Porque hoje era o dia, e ele vinha planejando isso há semanas. Meses, se bobear.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então, café tomado, aparência cuidada, roupas vestidas, crachá no peito, Amarildo deitou na cama de novo, puxou as cobertas bem para cima, sentiu o cobertor ainda quentinho, deu um sorriso satisfeito e dormiu até depois do meio-dia. Hoje era o dia, e ele queria só ter o gostinho de voltar para a cama. Saber uma vez na vida qual era a sensação de voltar para a cama. De mandar tudo para o inferno e voltar para a cama numa segunda-feira.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Hoje era feriado, porque o Amarildo não era tão corajoso assim.)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi o sono mais gostoso que ele já dormiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-7622981553610132008?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/7622981553610132008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=7622981553610132008&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7622981553610132008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/7622981553610132008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/segunda-feira.html' title='Numa segunda-feira'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-490997472388610089</id><published>2010-07-14T17:06:00.004-03:00</published><updated>2010-07-14T17:32:52.749-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Inverno</title><content type='html'>O vento sul sopra&lt;br /&gt;nuvens que cobrem a lua&lt;br /&gt;madrugada, inverno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-490997472388610089?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/490997472388610089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=490997472388610089&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/490997472388610089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/490997472388610089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/o-vento-sul-sopra-nuvens-que-cobrem-lua.html' title='Inverno'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3407825052196889198</id><published>2010-07-09T15:59:00.013-03:00</published><updated>2010-07-09T16:16:11.137-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Digital</title><content type='html'>Dia desses, fui visitar minha avó e ela veio me mostrar, orgulhosa, as últimas fotos que tirou. A orquídea florida –dez ramos!–, o pessoal do grupo da terceira idade da igreja, o bisneto que foi visitar. Tudo direitinho, bem focadinho, bem enquadradinho. Tudo no visor da máquina digital.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sim, da máquina digital.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Primeiro foi a televisão a cabo. Toda semana, algum neto tinha que relembrar de novo e de novo que botões apertar para ligar, desligar, assistir a novela, o Raul Gil ou o Silvio Santos. Até que um dia fui lá e ela esnobou, zapeou por tudo quanto é canal, mostrou um tal "reloginho que desliga a tevê sozinho" depois que ela já dormiu no sofá e coisa e tal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Depois chegou o celular. Toda semana era ir até lá deletar as mensagens de propaganda da operadora e sumir com "aquela cartinha que fica piscando na tela". Até que dia desses eu recebi um SMS. Vocês têm noção do que é receber um SMS da própria avó?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então veio o DVD –que ela insiste em chamar de dedevê, isso não tem jeito. Mesma coisa. Até o dia que cheguei lá e ela perguntou se eu não queria assistir um &lt;i&gt;show &lt;/i&gt;do Sérgio Reis. Eu quis, claro. (Agora tem também o disco das fotos das férias com meu tio, obrigatório.)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A boa da vez –voltamos ao começo da história– é a máquina digital, presente de aniversário para uma adolescente de setenta e três anos. Está tirando de letra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E agora eu chego à parte que interessa da coisa toda: minha vó era, até poucos anos atrás, analfabeta. Sabia assinar o nome, reconhecer o ônibus, ver o preço dos produtos, mas era analfabeta. Nasceu e cresceu na roça, aprendeu a colher e plantar, aprendeu a vida na cidade grande, aprendeu a criar os filhos e netos, aprendeu a vida, mas demorou para aprender as letras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois aprendeu. Porque –essa parte da história faltou– antes da televisão a cabo lá do terceiro parágrafo, eu ia à casa dela levar lápis novos, ensinar como se faz o "A" maiúsculo, olhar se a letra estava bonita e passar um ou outro ditado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E agora recebo SMS reclamando que demoro para aparecer, assisto o dedevê do Serjão Reis e vejo fotos digitais. Não demora muito, aparece um comentário aqui no &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Essa juventude aprende as coisas rápido demais, meu Deus do Céu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3407825052196889198?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3407825052196889198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3407825052196889198&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3407825052196889198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3407825052196889198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/digital.html' title='Digital'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4961100990355961816</id><published>2010-07-07T15:34:00.003-03:00</published><updated>2010-07-07T15:36:48.013-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Mudança de ares</title><content type='html'>Tentei me livrar da casinha, mas não consegui. Depois de três anos e pouco, não consigo mais imaginar o &lt;i&gt;Acepipes &lt;/i&gt;sem o cachorrinho dormindo no sofá, a fumacinha na chaleira, a estante de livros. Nem desse verde-cor-de-burro-quando-foge eu consigo me livrar mais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já me perguntaram um par de vezes –e eu, desmiolado, nunca soube responder– por que uma casinha?, por que um cachorro?, por que essas cores tão apagadinhas?. Minha única resposta é "por que não?". Por que não, ué?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim, temos um novo &lt;i&gt;layout&lt;/i&gt;. Arrumei uma coisa aqui e ali, puxei um móvel mais para cá, outro mais para lá. Nada tão diferente assim, mas novo, de qualquer maneira. As bebidas continuam ali, na mesma porta do armário, é só se servir. Estejam sempre em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4961100990355961816?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4961100990355961816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4961100990355961816&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4961100990355961816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4961100990355961816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/07/mudanca-de-ares.html' title='Mudança de ares'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5014079843798799327</id><published>2010-06-30T19:37:00.003-03:00</published><updated>2010-07-07T15:01:56.501-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Sobre cachorros e a vida</title><content type='html'>Ontem, antes de dormir, estava pensando no vira-lata ali da esquina de casa, que corre atrás toda vez que eu passo de moto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como nunca tentou me morder quando estou a pé, e inclusive já até brincamos uma ou duas vezes, imagino que a birra dele é com a moto. Ele corre atrás dela, não de mim. Por que? Para que? Será que ele saberia o que fazer se pegasse?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pensei em fazer uma maldade hoje: esperar que ele corresse e freiar. Parar, só para ver qual é.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas pensei também que talvez isso não faça diferença nenhuma. Porque o que importa é o jogo: meu papel é ser perseguido e o dele, perseguir. Perguntar não faz parte da coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Já outro dia fui pegar ônibus na rua de baixo e reparei que o dálmata do material de construção continuava no seu trabalho incansável de cavar para fugir por baixo do portão de pedestres.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quase sempre que vejo, o bicho está lá, dando duro na obra. Só que, pelo que pude ver, a terra é dura e, pelo que pude imaginar, alguém volta e meia deve tampar o buraco, de modo que o serviço nunca termina. Mas ele não desiste. É quase um purgatório de Dante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nisso, abriram o outro portão, o de carga e descarga, e um caminhão saiu, entulhado de areia. O pessoal despachou a entrega, voltou para a loja e esqueceu o portão. Ficou assim: o portão grande aberto e o cachorro brigando com o portão fechado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Será que ele saberia o que fazer aqui fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Hoje cedo saí e o vira-lata veio. Então fiz minha parte: acelerei. E ele, bom garoto, fez a dele: correu latiu mostrou os dentes esbravejou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desviei o caminho para passar em frente ao depósito. O dálmata não estava cavando ainda, mas estava lá, olhando para a rua, sonhando com a fuga.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque é o jogo, entende?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5014079843798799327?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5014079843798799327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5014079843798799327&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5014079843798799327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5014079843798799327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/sobre-cachorros-e-vida.html' title='Sobre cachorros e a vida'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2701203746478313711</id><published>2010-06-26T11:12:00.001-03:00</published><updated>2010-06-27T09:43:00.514-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Só umas noticiazinhas</title><content type='html'>Como ficou um vazio na minha vida virtual depois de cometer orkutcídio e facebookcídio –já no &lt;a href="http://twitter.com/brunopalma"&gt;Twitter &lt;/a&gt;eu continuo firme, forte e rabugento–, acabei entrando numa outra modinha e criei um &lt;a href="http://brunopalma.tumblr.com/"&gt;Tumblr&lt;/a&gt;. Parece divertido, vamos ver quanto tempo dura.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E só para avisar que semana que vem tem novidades aqui no &lt;i&gt;Acepipes&lt;/i&gt;. Nada assim tão fantástico, já aviso, mas ainda assim são novidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2701203746478313711?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2701203746478313711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2701203746478313711&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2701203746478313711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2701203746478313711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/so-umas-noticiazinhas.html' title='Só umas noticiazinhas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3465576337225450470</id><published>2010-06-23T16:07:00.002-03:00</published><updated>2010-06-23T20:36:43.420-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Thanks for playing</title><content type='html'>... essa frasezinha foi uma das coisas mais frustrantes da minha infância.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eram horas e horas dedicadas a um jogo no &lt;i&gt;video game&lt;/i&gt;. Naquela época não tinha como salvar o jogo –hoje a coisa já é mais fácil–, então, para despistar minha mãe e economizar energia, eu desligava a tevê e deixava o console ligado, pausado. Naquela tela escura, o herói ficava de tocaia, pronto a retomar, a qualquer instante, nossa missão de salvar o mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia seguinte quando chegava da escola, lá estava eu labutando de novo. Às vezes eram dias e dias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Volta e meia, minha mãe ou a diarista passavam pela sala, davam com a luzinha acesa e desligavam o bendito: tudo por água abaixo. Mas eu não desistia. A persistência de um garoto de oito anos é um negócio comovente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E lá ia eu. Fase a fase, batalha a batalha, chefão a chefão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então, depois de tanto sofrimento, depois de colocar fita crepe em cima luzinha do &lt;i&gt;on-off&lt;/i&gt; para que minha mãe não visse que estava ligado, depois de meia dúzia de lições de casa atrasadas, depois de ganhar um calo no dedão esquerdo, o da direcional, eu conseguia: terminava o jogo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fechava o jogo e, ansioso para ver o que aconteceria com o herói depois de ter resolvido toda aquela confusão, depois de ter botado para fuder, tudo o que eu ganhava era uma porcaria de um "&lt;i&gt;thanks for playing&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Thanks for playing&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Legais eram os que tinham um finalzinho, os que inventavam alguma historinha, nem que fosse uma animaçãozinha meia-boca com legendas em inglês que eu não entendia direito. Sei lá, alguma coisa que me fizesse sentir herói por ter libertado o mundo dos alienígenas ou ajudado o Mario a resgatar a princesa. Qualquer coisa, só para me tapear. Se não quisessem inventar um final, que pelo menos tivessem a coragem e a dignidade de desligar a tela, assim sem explicação. Mas "&lt;i&gt;thanks for playing&lt;/i&gt;", pelo amor de Deus, não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acontece que eu cresci e volta e meia ainda levo um desses na cabeça. Já nem jogo mais &lt;i&gt;video game&lt;/i&gt;, mas o "&lt;i&gt;thanks for playing&lt;/i&gt;" dá sempre um jeito de aparecer. Vem camuflado de outros jeitos, vem de óculos e bigode, vem de vestidinho curto, mas não me engana.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"&lt;i&gt;Thanks for playing&lt;/i&gt;" é frustrante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3465576337225450470?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3465576337225450470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3465576337225450470&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3465576337225450470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3465576337225450470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/thanks-for-playing.html' title='Thanks for playing'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4655846166241697446</id><published>2010-06-16T07:05:00.006-03:00</published><updated>2010-06-16T22:02:38.372-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quase piadas'/><title type='text'>O príncipe</title><content type='html'>Não vou ficar contando como se conheceram, como começaram a sair juntos, como ela o achara um fofo, o candidato a namorado perfeito, essas coisas, porque não é essa a parte da história que me interessa. A história para valer começa quando ela recebeu uma ligação. "Esteja no parque hoje, tal lugar, tal banco, tal horas; tenho uma coisa importante pra te dizer". Assim, decidido, deu nem tempo para ela responder. Pronto!, o final feliz estava perto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Todo aquele ritual. Umas duas horas para escolher colocar trocar destrocar roupa, fazer desfazer refazer maquiagem, insegurança, euforia, ansiedade. Ai, meu Deus, é hoje. Na hora combinada, mãos molhadas e boca seca, ela estava lá, sentada no banco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só que nada do rapaz.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dez minutos e nada, quinze minutos e nada. Então ela pensou que o cara talvez não fosse perfeito, enfim. Ficou com vontade de chorar. Mas não, ele não faria isso, não ele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até que então.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então ele saiu do meio do bosque, de trás de uma árvore. Pelo jeito, estava ali o tempo todo, observando. Ensaiando o que falaria, como andaria, para onde olharia, em que momento a beijaria, essas coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então ele saiu do meio do bosque, de trás de uma árvore e veio andando em direção dela. Fantasiado de príncipe. Com aquelas calças que vão só até metade das canelas e colã branco por baixo, sapatinhos de tecido de bico fino, capa vermelha, chapéu com pluma, camisa de babado no colarinho. Fantasiado de príncipe, indumentária completa. Domingo, parque cheio. Fantasiado de príncipe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez o rapaz tenha pensado que a expressão de choque da moça foi por causa da emoção, porque ele continuou com a &lt;i&gt;performance&lt;/i&gt;. Puxou de trás de uma outra árvore um cavalinho de pau no qual montou e veio trotando pocotó pocotó pocotó na direção da garota. Então o pretendente parou diante da amada e, sem apear do cavalo, fez a proposta:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu sou seu príncipe. Quer ser minha princesa?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E o mundo, que até então vinha se movimentando em câmera lenta, parou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O mundo parou para ver a cena. Quem estava fazendo &lt;i&gt;cooper &lt;/i&gt;parou, quem estava andando de bicicleta parou, quem estava fofocando parou, quem estava namorando parou, quem estava tomando um caldo de cana parou, quem estava comprando pipoca parou, quem estava correndo atrás das crianças parou, quem estava correndo atrás da bolinha parou, quem estava ouvindo Latino no último volume do som do carro parou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Stop&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fantasiado de príncipe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela ficou em silêncio coisa de meio segundo, sem reação, mas foi praticamente meio minuto. Meio século. O príncipe estava ali, uma mão no cavalo e a outra –de luvas brancas, note-se– estendida em direção da princesa. Mais meio segundo passou, meio milênio, até que ela conseguisse articular resposta:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deu as costas e foi embora chorando. E o príncipe ficou lá, com cara de sapo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;(Baseada em fatos reais, infelizmente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Amiga de um amigo meu.)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4655846166241697446?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4655846166241697446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4655846166241697446&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4655846166241697446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4655846166241697446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/o-principe.html' title='O príncipe'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5046858316848281485</id><published>2010-06-14T11:36:00.004-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.799-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Olwlhchkrasjia sz'ozsye!</title><content type='html'>&lt;b&gt;capítulo doze – conclusão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o leitor já há de ter atentado, atrativos não faltam para que o Zwkrshjistão seja escolhido seu próximo destino de férias. Povo acolhedor, competições esportivas empolgantes, cultura rica e variada, culinária exuberante e concentrações baixíssimas de turistas americanos costumam ser atrativos mais que suficientes, já não bastassem as belas paisagens concretadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por ser considerado segredo industrial, os fiscais da alfândega não podem, infelizmente, permitir que turistas deixem o país levando &lt;i&gt;vodka &lt;/i&gt;de cebola. No caso de encontrarem garrafas escondidas na bagagem, o procedimento padrão é que o piloto as confisque e se encarregue pessoalmente de esvaziá-las –brindando com toda a tripulação e passageiros– antes de levantar voo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já outros produtos tradicionais, como lâmpadas de abajur infantil radioativas, piteiras e palitos de dente podem ser levados sem maiores complicações, desde que preenchidos os formulários B3546-Z, A23W, T456-S, em quatro vias autenticadas. E, como cortesia, todos os visitantes, ao deixarem o país, são presenteados com um retrato oficial de corpo inteiro em tamanho natural do presidente Trçakydf.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não se preocupe caso um de seus filhos ou esposa tenha ficado no país como garantia de pagamento de dívidas de jogo. O governo mantém um asilo especial para esses casos, sob a tutela de Herr Captain Htwrshër, reconhecido pedagogo teuto-zwkrshjistanês.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Seja sempre bem vindo, não se esqueça de voltar a tempo das finais do campeonato de futebol zwkrshjistanês –ou saldar suas dívidas com a máfia– e &lt;i&gt;olwlhchkrasjia sz'ozsye&lt;/i&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5046858316848281485?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5046858316848281485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5046858316848281485&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5046858316848281485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5046858316848281485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/olwlhchkrasjia-szozsye.html' title='Olwlhchkrasjia sz&apos;ozsye!'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6222860207557657534</id><published>2010-06-09T10:59:00.007-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.800-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um tesouro da fonética</title><content type='html'>&lt;b&gt;capítulo onze – idioma&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ouvidos desatentos, o zwkrshjistanês pode passar por uma variação de romeno com sotaque mongol e estrutura frasal levemente javanesa. Impressão que, depois de estudos aprofundados e alguns golpes de palmatória da professora, mostra-se totalmente infundada: o sotaque, na verdade, puxa mais para alguns dialetos de uigur.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não existem conjugação de verbos no futuro, o que talvez reflita na despreocupação dos alegres cidadãos zwkrshjistaneses com o que está por vir, como as mudanças climáticas ou a turnê mundial do Prince. Outra característica marcante é a flexibilidade semântica: um único termo pode significar, por exemplo, "por gentileza, cavalheiro" ou "agora mesmo, seu estúpido", dependendo do contexto, da fase da lua ou da proximidade do rifle de quem fala.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Seguem algumas expressões básicas, de uso bastante corriqueiro, que podem ajudar na sua estada. A pronúncia é bastante simples, especialmente depois da quinta ou sexta dose de &lt;i&gt;vodka &lt;/i&gt;de cebola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Sim – &lt;i&gt;Hhf&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Não – &lt;i&gt;Hhff&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Bom dia – &lt;i&gt;Ojqwr psh&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Não tem nada de bom – &lt;i&gt;Humpf&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Viva o presidente! – &lt;i&gt;Trçakydf!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Com licença, o senhor sentou sobre minha sopa – &lt;i&gt;Mshjka' gwjie inh fshjik ssss&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Quanto custa aquele calibre .38 ali? – &lt;i&gt;Krshjas qechwsh 38'wh'sj ïwtkjl?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Pago dez rúpias e ainda dou mais uma mula zarolha de lambuja pela sua filha mais velha – &lt;i&gt;Çhtwq wk&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;• Um brinde à sua saúde e que jamais lhe falte um copo de &lt;i&gt;vodka &lt;/i&gt;de cebola e uma boa mula que lhe carregue bêbado de volta para casa – &lt;i&gt;Olwlhchkrasjia sz'ozsye!&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6222860207557657534?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6222860207557657534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6222860207557657534&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6222860207557657534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6222860207557657534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/um-tesouro-da-fonetica.html' title='Zwkrshjistão: um tesouro da fonética'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3456126323994284112</id><published>2010-06-08T10:51:00.005-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.800-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um refúgio de tradições</title><content type='html'>&lt;b&gt;capítulo décimo – cultura&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa visita ao país, não se esqueça de visitar o Museu Nacional, em especial a sala Zskl'l Ayhiaqrk, dedicada ao engenhoso construtor de instrumentos de tortura. Caso encontre um mafioso utilizando um dos aparelhos da sala para extorquir dinheiro de um comerciante local, aja com naturalidade e lembre-se de tirar seu chapéu ao cumprimentá-lo –mafiosos zwkrshjistaneses são fortemente apegados aos antigos bons costumes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Biblioteca Nacional Tzawsëj Trçakydf é mantida pela Associação Zwkrshjistanesa de Letras, academia responsável por manter viva e incólume –a custo de pequenos genocídios, se preciso– a literatura do país. O exuberante edifício da BNTT abriga, além de obras menores da literatura ocidental, os manuscritos originais e em torno de trinta mil exemplares do clássico &lt;i&gt;Meditações sobre minha infância&lt;/i&gt;, do presidente Trçakydf.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Madame Trçakydf é conhecida pelo seu apreço à arte, o que costuma custar ao presidente grandes somas de dólares zwkrshjistaneses. O casal presidencial possui uma coleção de arte que inclui um Picasso apócrifo e uma coleção completa de pinturas a dedo das crianças da escola primária Baba Yaga, a na Sibéria. Além disso, ela é a presidente de honra e principal mantenedora do Coro Nacional de Fanhos e da Orquestra Sinfônica Nacional de Xilofones. A primeira-dama recebeu também, há alguns anos, por aclamação popular e indicação expressa do presidente Trçakydf, o cargo de Ministra da Cultura, Moda e Saraus de Poesia Neoarcaica Zwkrshjistanesa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A &lt;i&gt;polka &lt;/i&gt;é o ritmo que embala as noites zwkrshjistanesas, em especial nas tabernas de Z'zträkosk, onde as garçonetes costumam dançar carregando nos ombros dois ou três fregueses de sua simpatia. Ainda falando sobre música, corre à boca pequena que Eduard Khil, o Trololó Man, entrou com pedido de cidadania zwkrshjistanesa, e em breve juntar-se-á ao panteão de artistas da fascinante cultura dessa riquíssima nação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3456126323994284112?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3456126323994284112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3456126323994284112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3456126323994284112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3456126323994284112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/06/um-refugio-de-tradicoes.html' title='Zwkrshjistão: um refúgio de tradições'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2296034547794756145</id><published>2010-05-31T07:00:00.006-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.801-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um celeiro de talentos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo nono – esportes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora desde o grande Brzètktrjl Pdrtjkïe, bronze olímpico na luta greco-romana em 1964, não haja no país atletas notórios internacionalmente, os zwkrshjistaneses são esportistas entusiastas. Especialmente quando se trata da paixão nacional: o futebol zwkrshjistanês.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É dito que o esporte nasceu em 1870 –ou talvez em 1932, ou em 1918, T'töpshjiew Weijhspöt't, um simpático senhor de memória prodigiosa, chamado o museu do futebol zwkrshjistanês, não se lembra muito bem–, quando W'szjïosk Kltr, posteriormente capitão dos imbatíveis Bárbaros de Z'zträkosk, bateu a cabeça numa partida especialmente disputada de canastra e passou a ter delírios de que era Átila, o huno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As partidas são jogadas num campo triangular, onde três bolas e uma senhorita são postas em disputa. Enquanto tentam aniquilar-se mutuamente, cada time defende duas das três traves. Na lógica ocidental, haveria aí um problema aritmético, mas os zwkrshjistaneses resolvem a questão com muito bom humor e ameaças de morte —frequentemente cumpridas— à mãe do juiz. Já que não há mais nenhum regulamento documentado —o único original do manuscrito de Kltr foi inutilizado devido a um desarranjo intestinal minutos antes da final do memorável campeonato regional de 1957—, as regras são bastante flexíveis. Discuti-las calorosamente leva em torno de 140 dos 158 minutos que dura uma partida, além de causar algumas baixas entre os competidores.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais democrático, o dominó é amplamente praticado pela população. Recomenda-se ao turista sentar num dos bancos das belas praças concretadas da capital –vale frisar que é prudente levar guarda-chuva nas tardes de chuva ácida– e apostar algumas partida com os simpáticos velhinhos amantes do esporte. Caso perca, é possível, com algum poder de barganha, trocar um filho adolescente de boa saúde por cada cinquenta rúpias zwkrshjistanesas em dívidas. Já no caso de uma feliz vitória, fique tranquilo: não é sempre que eles se lembram de levar a cabo as ameaças de queimar seu quarto no hotel e assassinar três gerações de sua família.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2296034547794756145?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2296034547794756145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2296034547794756145&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2296034547794756145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2296034547794756145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-celeiro-de-talentos.html' title='Zwkrshjistão: um celeiro de talentos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6906985695935188526</id><published>2010-05-28T07:00:00.005-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.801-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um reduto da fé</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo oitavo – religião&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo zwkrshjistanês é notadamente piedoso. As crianças são ensinadas desde muito pequenas a construírem suas vidas sobre as bases sólidas dos valores religiosos, como família, compaixão com os cachorros sarnentos e superstições pagãs.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Igreja Ortodoxa Zwkrshjistanesa gaba-se de ser a primeira religião protestante da História. No ano 439 —séculos antes de Lutero, portanto—, o bispo Kolhswç Zokrstja II desafiou o Papa ao questionar a pífia quantidade de vinho usada no rito romano e proclamou-se patriarca de uma nova igreja, calcada na abundância do sangue de Cristo. Durante uma celebração são usados cerca de oito barris de vinho canônico, quantidade que pode ser até duplicada num dia de especial congraçamento entre o reverendo e as garotas que assistem ao rito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Embora não haja santos na Igreja Zwkrshjistanesa, já que é impossível a alguém ser virtuoso seguindo seus mandamentos, está em tramitação o processo de canonização pré-póstuma do presidente Trçakydf, homem de reconhecida bem-aventurança.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vale frisar que não é de bom tom que se entre na igreja mastigando carne de mula, e espera-se que o fiel aponte para o alto seu rifle Kalashnikov caso queira externar seu ardor cristão com uma saraivada de tiros. Fique atento também ao fato de que gases podem ser eliminados somente do lado esquerdo da nave da igreja.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também é costume que no dia do casamento o noivo dê uma surra na noiva, com a ajuda dos padrinhos, caso necessário. Isso porque, dada a força das saudáveis senhoras zwkrshjistanesas, é inevitavelmente ele, o marido, quem apanhará durante toda a vida conjugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6906985695935188526?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6906985695935188526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6906985695935188526&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6906985695935188526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6906985695935188526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-reduto-da-fe.html' title='Zwkrshjistão: um reduto da fé'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-9039469963211324442</id><published>2010-05-26T11:10:00.005-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.801-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um horizonte de descobertas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo sétimo – turismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o país, o turista encontrará lindos cenários para suas fotografias. Para captar todas as nuances de tons de concreto só encontradas no Zwkrshjistão recomenda-se a compra de uma legítima Kkdak, tradicional fábrica que tem como missão humanitária conceder um novo recomeço a crianças desempregadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em visita à capital, chamará a atenção a enorme estátua do presidente Trçakydf, conhecida como o Colosso de Z'zträkosk, cuja construção foi iniciada em 1989, fruto da maior importação de concreto da história do comércio mundial. Porém, por um erro de cálculo do engenheiro-chefe, o material deu apenas para chegar até os ombros da figura. A cabeça foi construída, então, com entulho resultante da demolição da mansão do engenheiro que, desaparecido numa viagem misteriosa, generosamente deixou um testamento em favor do grande estadista.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Z'zträkosk é uma cidade cosmopolita e cheia de vida. No centro, vicejam cafés, restaurantes de comida regional, ginásios de dominó e casas de aposta ilegal. Não se acanhe caso uma taberneira o convide para dançar uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;polka &lt;/span&gt;–elas costumam não tolerar muito bem a recusa. Da rodoviária, o turista poderá rumar para qualquer ponto do país, mas há que ser flexível quanto a dividir seu assento no ônibus com mulas de estimação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Descendo as encostas acidentadas do monte Zwkrshj, onde em 1973 foi batido o recorde mundial de fraturas expostas de alpinistas em 24 horas, você chegará à bela e jovem Çwsjya'h, capital zwkrshjistanesa dos esportes radicais. Já viajando em direção ao norte, as estepes vermelhas de Çakrtr são o cenário ideal para férias românticas, sendo as aconchegantes tendas de fibra de urtiga muito procuradas por casais em lua-de-mel. A paisagem bucólica do planalto de T’äktrhjt é a opção mais acertada para piqueniques em família e pactos suicidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-9039469963211324442?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/9039469963211324442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=9039469963211324442&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9039469963211324442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9039469963211324442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-horizonte-de-descobertas.html' title='Zwkrshjistão: um horizonte de descobertas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2832406352275710683</id><published>2010-05-24T10:51:00.002-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.802-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um oásis de prosperidade</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo sexto - economia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inflação galopante, desvalorização cambial e outros termos negativos dos economês parecem não abalar o otimismimo dos zwkrshjistaneses, povo alegre e despreocupado com o futuro. Em termos de mercado financeiro, a rúpia zwkrshjistanesa mostra-se uma moeda extremamente versátil, especialmente quando se trata de calçar mesas bambas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Superando os anos de crise –os invernos rigorosos no hemisfério norte têm prejudicado a outrora forte indústria de tinta para pintura a dedo–, atualmente o espírito arrojado do presidente Tzawsëj Trçakydf impulsiona o Zwkrshjistão para o mundo desenvolvido. O país desponta na conversão de urânio radioativo em lâmpadas de abajur e na impressão de baralhos estampados com mulheres nuas. Também não é exagero dizer que, muito em breve, todos as crianças fumantes do mundo terão ao menos uma piteira infantil do simpático ratinho Mlckëy.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A política do Estado é não interferir na economia. O presidente Trçakydf evita estatizar as empresas privadas, exceto quando elas conseguem mais de 10% de lucro ao ano. A taxa de desemprego pode chegar, no caso de derrota do time de coração do Ministro do Interior, à casa dos 80%.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A administração do Banco Central Zwkrshjistanês fica por conta do ministro Hwszhjk Trçakydf, alfabetizado pela Escola Primária de Z'zträkosk. O BCZ, por sua vez, é financiado em grande parte pelo Conselho dos Agiotas de Tblïshjkra, que pratica taxas amigáveis de juros quando se trata de projetos estatais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nos lares de todo o país, o praticado é que não se comprometa mais do que três quartos do orçamento mensal em apostas de jogo ou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola. Também é considerado de bom tom –e evita problemas dentários– pagar 97,8% de juros caso se pegue, numa emergência familiar, dinheiro emprestado de algum parente próximo. Uma filha caçula com bons dentes também costuma ser de grande valia nas negociações de dívidas mais corriqueiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2832406352275710683?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2832406352275710683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2832406352275710683&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2832406352275710683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2832406352275710683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-oasis-de-prosperidade.html' title='Zwkrshjistão: um oásis de prosperidade'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1859262090561130340</id><published>2010-05-19T09:06:00.004-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.802-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão: um baluarte da democracia</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo quinto – política e relações internacionais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zwkrshjistão é uma república democrática, até segunda ordem do presidente Tzawsëj Trçakydf. Sua Excelência está já em seu oitavo mandato e tem mostrado sinais sutis de que vai, num gesto de sacrifício e abnegação pessoal, ceder ao apelo popular e aceitar o desafio de uma nona gestão no ano que vem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O presidente Trçakydf é muito conhecido por sua popularidade junto aos jovens. Promove, anualmente, o Concurso Pequeno Ditador nas escolas primárias do país. O vencedor ganha todas as despesas de exílio perpétuo pagas na Sibéria, como forma de assegurar que não liderará uma revolução no futuro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Homem de espírito paternalista e protetor, o presidente dá preferência a secretários, ministros e funcionários de sua família, ainda que nenhum deles tenha o ensino primário completo. A primeira-dama, a elegante e roliça madame Ïkrsfglja Trçakydf, passa onze meses ao ano em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spas&lt;/span&gt;, escolhidos a dedo pela sua mãe e mantidos com dinheiro público. Correm boatos de que não é por coincidência que, nos breves períodos em que ela vive no palácio presidencial, o presidente apareça em público com um dos olhos roxo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Devido a um mal-entendido envolvendo um espião –o serviço secreto zwkrshjistanês é um dos mais eficientes do mundo, tanto que não existem informações sobre ele– e os freios da limusine de um alto diretor da Onu, o Zwkrshjistão não é parte da organização. E, como ninguém tem interesse no seu queijo coalhado de leite de mula e toda produção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola é consumida internamente, não participa dos grandes tratados comerciais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sendo uma nação pacífica e que abomina a luta por motivos mesquinhos, o Zwkrshjistão não se envolveu nas Guerras Mundiais ou quaisquer campanhas internacionais, exceto pelo massacre de Zznhshjk, em 1973, quando cento e cinquenta mil crianças e idosos foram mortos em virtude de um resultado controverso nas quartas de final da série B do campeonato regional de futebol zwkrshjistanês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Nota: a pedido do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Tzawsëj Trçakydf, o último parágrafo foi suprimido da corrente edição.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1859262090561130340?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1859262090561130340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1859262090561130340&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1859262090561130340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1859262090561130340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-baluarte-da-democracia.html' title='Zwkrshjistão: um baluarte da democracia'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3509363352394010956</id><published>2010-05-18T14:26:00.005-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.803-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão:  uma janela para as glórias passadas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo quarto - breve história&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais velhos contam que, muito antes de existir a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola, a Grande Mula das estepes vermelhas, mãe de todos os animais de carga do mundo, já muito velha, levava um carregamento de bigornas especiais para o Gambá Ferreiro. Ao chegar numa encruzilhada, deu à sua frente com duas cordilheiras: uma linda como jamais havia visto e uma outra não tão assim atraente. A Venerável Mula decidiu, então, seguir para a mais bonita, maravilhada com a ideia de aposentar-se num lugar tão fabuloso e com vista para o mar. O fato é que o Zwkrshjistão era a outra cordilheira, e o Gambá procura suas bigornas até hoje, o que explica porque os ferreiros sentem um odor característicos nas oficinas em noites de lua cheia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lendas à parte, o Zwkrshjistão é uma nação relativamente jovem, o que explica em parte seu espírito descontraído e vanguardista. Somente por volta do século V d.C. foi que o grande explorador Kfgr, para descobrir a razão por que as caravanas de prisioneiros hunos costumeiramente sumiam naquele ponto desconhecido do mapa, empreendeu viagem a essas terras. Tendo descoberto o paredão de pedras cortantes de Kfgr, sempre coberto por uma névoa que impede o viajante de ver onde pisa, o intrépido explorador soube o motivo dos desaparecimentos e ganhou, além da alcunha de "o aleijado", o título de descobridor da bela depressão zwkrshjistanesa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Às margens do pântano L'l, porém, alguns descendentes renegados dos nômades das estepes vermelhas de Çakrtr tratavam de, através de casamentos consanguíneos, moldar as saudáveis gerações que se tornariam no belo povo zwkrshjistanês. A sucessão dos líderes tribais correu normalmente–de acordo com a tradição, o pai deixa o poder para o sétimo filho homem de sangue AB negativo–, até que, no episódio da Madrugada das Princesas Virgens, conde Iïejshjrtzws, o fanho, unificou o poder e deu início a uma monarquia marcada pelo forte espírito nacionalista e pelos envenenamentos por cianureto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Esse regime durou séculos até que o presidente Trçakydf, no Ato Libertário de Jtrwsh, deu início ao atual e progressista regime zwkrshjistanês. Sua Excelência tomou posse em 1976, quando o antigo rei, sua família, seu primeiro ministro, seus conselheiros, sua guarda real e seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;hamster &lt;/span&gt;de estimação vieram a falecer num lamentável acidente. Desde então, vem sendo reeleito sucessivamente com absoluto apoio popular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3509363352394010956?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3509363352394010956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3509363352394010956&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3509363352394010956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3509363352394010956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/uma-janela-para-as-glorias-passadas.html' title='Zwkrshjistão:  uma janela para as glórias passadas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2626894451701852385</id><published>2010-05-14T07:00:00.002-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.803-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão:  uma joia ignorada pelos atlas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo terceiro – geografia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situado na Ásia central, na região do Paquistão, Quirguistão, Curdistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Afeganistão etc, o Zwkrshjistão é uma jóia engastada na bela e radioativa cordilheira de Zwkrsh. O país é uma grande depressão envolvida por todos os lados por um emaranhado instransponível de montanhas, penhascos e chaminés de usinas de beneficiamento de urânio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A capital, Z'zträkosk, foi planejada por urbanistas para estar exatamente no centro da depressão, trezentos metros abaixo do nível dos paredões da cordilheira. Por essa razão venta muito pouco lá e as temperaturas podem atingir, durante o dia, a casa dos 50 graus Celsius.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A maior parte da população zwkrshjistanesa vive na capital Z'zträkosk ou no eixo urbano entre as aldeias de Blzÿkrshtjr e Tblïshjkra. Ao norte, no planalto de T´äktrhjt, encontram-se as pequenas fazendas de cebola e criação de mulas. Os tuberculosos em quarentena moram em Zkt. Os outros 37% da população está exilado em campos de concentração estrangeiros cedidos por ditadores amigos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cerca de 95% da vegetação original já foi derrubada para alimentar a outrora fortíssima indústria nacional de palitos de dente. Porém, depois da falência da fábrica, quando da grande epidemia de gengivite aviária que assolou o país em 1999, o governo estuda um projeto pioneiro para reflorestar o país com plantas de plástico.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Devido à instabilidade das suas fronteiras –por motivos de ética profissional, os cartógrafos só trabalham depois da ingerir duas garrafas de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola–, marcadas e remarcadas constantemente, o Zwkrshjistão não aparece em atlas oficiais, mas consta do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guinness book&lt;/span&gt; como o "nome de república quase democrática com maior número de consoantes seguidas".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2626894451701852385?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2626894451701852385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2626894451701852385&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2626894451701852385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2626894451701852385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/uma-joia-ignorada-pelos-atlas.html' title='Zwkrshjistão:  uma joia ignorada pelos atlas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2724405627282966178</id><published>2010-05-12T07:00:00.002-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.804-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Zwkrshjistão:  um berço de tradição</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo segundo - etimologia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem do nome "Zwkrshjistão" é, assim como a escalação da seleção nacional de dominó de 1987, motivo de constantes e calorosas discussões nas rodas de conversa zwkrshjistanesas. Não há estudos conclusivos sobre o assunto, o que de certa aumenta a aura de mistério que paira sobre essa fascinante nação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo uma antiga tradição, o rei Childerico III dos merovíngios, notório apreciador de conserva de cebolinhas, teria visitado a região –ainda inabitada na época– em meados do século VIII, num estudo sobre a possibilidade de transformar esses férteis campos num polo produtor de cebolas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;baby &lt;/span&gt;para consumo pessoal. Perdido, porém, nos labirintos rochosos das Montanhas Hjtwy'y, Sua Majestade teria ficado enjoado com o balanço da mula e dito, antes de regurgitar, a palavra "zwkrshj", que significaria, então, "maldita terra inóspita onde jamais crescerá um pé de cebola". Ironicamente, poucos séculos depois, o Zwkrshjistão despontaria no cenário mundial como o maior produtor de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola do planeta, o que mostrou que os conhecimentos de agronomia de Sua Majestade não eram assim tão acurados, e justificando seu título de "o idiota".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Corre também à boca pequena que "zwkrshj" teria sido a última palavra –registrada por um repórter da imprensa marrom que passava por ali– balbuciada pelo imperador Fgrshjistöj I, quando em suposta reunião importante no Palácio Governamental de Z'ztr, foi encontrado caído sobre uma barraca de arenques defumados, completamente nu a não ser por uma echarpe de poás, debaixo de uma das janelas de madame Jghÿshgr, a famosa cortesã. Tal mal entendido teria dado início à primeira dinastia imperial, além de ter levado a imperatriz a decretar a Lei de Fgrshjstj, que proíbe os cidadãos zwkshjistaneses de trabalharem horas extras sem a presença da esposa no escritório.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, mais recentemente, uma versão apresentada pelo filológo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;monsieur &lt;/span&gt;Tnhg'bzë, zwkrshjistanista reconhecido, na sua obra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zwkrshjistanês: idioma ou acidente de dicção?&lt;/span&gt; vem causando polêmica e guerrilhas familiares ao norte do país. Defende o estudioso, depois de oitocentas e quarenta e sete páginas de minuciosa argumentação lógico-esotérica, que "zwkrshj" nada mais é que um punhado aleatório de letras criado por um blogueiro, possivelmente da distante América do Sul, numa fase de pouca vida social.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas tudo indica que isso são discussões temporárias. Visando ao fim dos impasses e, com vistas a criar um nome cuja origem todos bem conhecerão, o presidente Tzawsëj Trçakydf, num gesto de desprendimento pessoal, não afasta a possibilidade de uma emenda constitucional que mudará o nome do país para Trçakydfistão. Aguardemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2724405627282966178?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2724405627282966178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2724405627282966178&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2724405627282966178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2724405627282966178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/um-berco-de-tradicao.html' title='Zwkrshjistão:  um berço de tradição'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3454518532341312762</id><published>2010-05-10T07:00:00.003-03:00</published><updated>2011-03-28T10:52:27.804-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistao'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zwkrshjistão'/><title type='text'>Bem-vindos!</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;capítulo primeiro – introdução&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-vindo ao Zwkrshjistão, uma nação feliz, berço do coalho de leite de mula, líder mundial na conversão de urânio radioativo em lâmpadas de abajur infantil e último verbete dos dicionários. Uma terra de ordem, governada pelo presidente Tzawsëj Trçakydf, homem de espírito democrático e progressista.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os zwkrshjistaneses herdaram o jeito caloroso e a habilidade de pronunciar mais de cinco consoantes seguidas de seus ancestrais nômades das estepes vermelhas de Çakrtr. São um povo patriota, apaixonado por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vodka &lt;/span&gt;de cebola e profundamente apegado a valores tradicionais, como família, amizade e assassinatos políticos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A baixa procura dos turistas –no ano passado foram quase dezessete– faz do Zwkrshjistão um destino perfeito para quem quer desfrutar de férias em família longe da correria dos grandes centros turísticos e uma escolha especialmente acertada no caso de você estar enfrentando algum tipo de dificuldade judicial.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deixe-se envolver pela atmosfera descontraída e levemente sulfurosa desse lugar fabuloso. Aproveite sua estada, aventure-se nas escarpas mortíferas da cordilheira de Zwkrshj, dance uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;polka &lt;/span&gt;com as taberneiras de Z'zträkosk, aposte as economias para o estudo dos seus filhos numa partida do bom futebol zwkrshjistanês e, como diriam os simpáticos senhores jogadores de dominó dos becos de Blzÿkrshtjr, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;olwlhchkrasjia sz'ozsye&lt;/span&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3454518532341312762?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3454518532341312762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3454518532341312762&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3454518532341312762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3454518532341312762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/bem-vindos.html' title='Bem-vindos!'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5459119779637879733</id><published>2010-05-06T17:26:00.012-03:00</published><updated>2010-06-08T10:59:17.201-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Prepare suas malas</title><content type='html'>(Faz tempo eu não escrevia um editorial...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negócio que anda na moda é isso de relançarem coisas que nós já compramos para que compremos de novo. Eu próprio sou muito suscetível a esse tipo de golpe: escreveu "edição comemorativa", "especial de colecionador", "tiragem limitada" ou coisa que o valha na caixa, estou levando. Pois bem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dois anos atrás, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acepipes escritos&lt;/span&gt; publicou, em primeira mão, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Breve guia turístico do Zwkrshjistão&lt;/span&gt;. Um fenômeno editorial. A tiragem de nove edições impressas esgotou quase que instantaneamente –só minha vó pediu cinco exemplares autografados– e, depois disso, tenho recebido pedidos insistentes de reedição e/ou continuação, incluindo uma conversa amigável com o correspondente da máfia zwkrshjistanesa no Brasil &lt;a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/"&gt;don Rob Gordon&lt;/a&gt; e uma carta gentil de Sua Excelência o Presidente Trçakydf avisando que, homem supersticioso que é, temia que coisas desagradáveis sucedessem caso eu não o fizesse. Decidi seguir o conselho amigo e...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Senhoras e senhores, sem mais blablablá, tenho a honra de anunciar, a partir de segunda-feira, numa série de doze &lt;span style="font-style:italic;"&gt;posts &lt;/span&gt;especiais, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Breve guia turístico do Zwkrshjistão: edição definitiva especial de luxo estendida de colecionador&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Maior, mais completo e com acabamento de primeira (e mais caro também).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Olwlhchkrasjia sz'ozsye!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(E quem não me acompanha há tanto tempo e não sabe do que eu estou falando, ficará sabendo na segunda. E, sim, este teaser é um golpe de marketing.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5459119779637879733?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5459119779637879733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5459119779637879733&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5459119779637879733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5459119779637879733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/05/teaser.html' title='Prepare suas malas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1291604234886180014</id><published>2010-04-30T10:19:00.000-03:00</published><updated>2010-04-30T10:20:10.843-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Noites chuvosas</title><content type='html'>Deitado na cama.&lt;br /&gt;Há quanto tempo não vejo&lt;br /&gt;a lua na janela?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1291604234886180014?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1291604234886180014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1291604234886180014&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1291604234886180014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1291604234886180014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/04/noites-chuvosas.html' title='Noites chuvosas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5337557836646120627</id><published>2010-04-16T15:27:00.022-03:00</published><updated>2010-04-22T06:02:10.593-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>O capitão</title><content type='html'>– O senhor gosta de água gelada, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era tarde da noite. Não era nem que estivesse cansado: eu estava quase esgotado. Esgotado, sujo, com frio, sei lá onde no meio da Serra do Mar. Meu grupo já estava na barraca preparando-se para dormir, mas eu tive que, sabem como é, atender um chamado da natureza. Voltando, cruzei com o capitão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;– O senhor gosta de água gelada, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dei a única resposta razoável:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não, senhor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Pois então pule na água para aprender a gostar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A "água" era um poço escuro e fundo, um resto de água podre represada no canto do brejo. Corri o mais rápido que pude, levantei o fuzil –jamais largue seu fuzil, jamais– o mais alto que pude, pulei o mais longe que pude e gritei "Brasil!" o mais alto que pude. Uma camada fina de gelo se quebrou. Apresentei-me diante do capitão tremendo de frio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E agora, gosta de água gelada, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dei a única resposta razoável:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Gosto, sim, senhor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Pois já que gosta tanto, pule lá de novo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O sangue ferveu. Levantei o fuzil pulei gritei mais alto ainda. Quando saí da água, não tremia mais de frio: tremia de raiva.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— A senhora sua mãe, como se chama, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Izabel.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E a dona Izabel sabe fazer bolo, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sabe, sim, senhor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Com cobertura de chocolate, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Sim, senhor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Você não precisa estar aqui, zero cinco, tremendo de frio, obedecendo um  capitão maluco. É só pedir para sair, zero cinco, e você estará quite com o serviço militar do mesmo jeito. É só pedir para sair, o motorista te leva em casa e você pode comer um bolo quentinho com cobertura de chocolate da dona Izabel, zero cinco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não, senhor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não ouvi, zero cinco. Acho que meus ouvidos congelaram. Quer voltar pra casa, zero cinco?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— NÃO, SENHOR!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu vi que você e o oito ficaram para trás e ajudaram a carregar o equipamento do onze na corrida hoje de manhã. Você é um bom soldado, Palma. Você é um homem, esse foi o seu batismo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Homem. Eu tinha dezoito anos e foi a primeira vez que alguém me chamou assim. Senti o corpo aquecer, o peito estufar de orgulho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No quartel, tínhamos uma regra: cada minuto de atraso, cinco flexões. Um dia, esperávamos diante do refeitório e nada do capitão. Ele podia ter explicado que fora chamado pelo coronel –aliás, ele nem devia ter dito nada, um capitão não deve explicações aos soldados– mas não: deitou-se diante da tropa e pagou flexões. Cem delas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Outra vez, ele decidiu que correríamos não só os doze de sempre, mas sessenta minutos. E não de tênis, shorts e regata, mas de coturno e fuzil. Eu olhei em volta e vi caras de espanto, e a minha não devia ser diferente. Então o capitão entregou a pistola, pediu ao cabo que lhe trouxesse um fuzil e correu. Ele não precisava estar lá. Ele era um oficial do Exército Brasileiro e não precisava se sujeitar a correr como soldado, a carregar um fuzil de soldado. Mas ele estava lá. E todos, todos –magros ou gordos, fracos ou fortes, corredores ou não– chegaram ao final. Todos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um dia o pessoal da empresa invocou de me chamar de Palma –tinha entrado um outro Bruno no mesmo setor– e eu cortei a onda na mesma hora. Porque só me chama pelo nome de guerra quem carregou fuzil e rastejou na lama ao meu lado. Só me chama de Palma quem largou o orgulho de lado e dormiu quase abraçado comigo para que eu –magricelo que era– não morresse de frio. Só me chama de Palma quem me incentivou a fazer só mais uma flexão, a correr só mais cem metros, a aguentar só mais um dia, a ir só mais um pouco além do limite.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Descobri mais tarde que naquela madrugada a temperatura chegou a dois graus negativos na Serra do Mar –e cinco negativos, na noite seguinte. Mas eu teria pulado na água quantas vezes o capitão mandasse. Eu teria seguido aquele homem até o inferno.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Chefes já tive muitos. Mas líderes eu conheci poucos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bons tempos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bons tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(E isso que nem contei histórias dos sargentos. Grandes sujeitos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ps. Oito é o De Niro, de quem &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/metallica.html"&gt;já falei por aqui&lt;/a&gt;. E o soldado onze é o grande Fabrício, que anda lá pras bandas do Espírito Santo e de quem me bateu uma saudade enorme agora. Saravá, meu amigo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5337557836646120627?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5337557836646120627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5337557836646120627&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5337557836646120627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5337557836646120627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/04/o-capitao.html' title='O capitão'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-745198141187291325</id><published>2010-04-05T14:20:00.023-03:00</published><updated>2010-04-18T08:29:46.693-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>A falta que faz uma capa</title><content type='html'>Uma historinha de amor entre amantes da Literatura. Nada de mais, deve acontecer por aí o tempo todo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fim de noite, sexta-feira, a cidade já está quase vazia. Um cara está sentado no metrô –vou contar a história com metrô porque é mais charmoso, mas pode ser no ônibus, na lotação, na perua escolar, sei lá–, cansado depois de um dia de trabalho. Almoçou mal, correu o dia inteiro, teve que ficar na hora extra e perdeu o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;happy hour&lt;/span&gt; com os amigos, essas coisas. Os passageiros em volta deviam ter passado por um dia igual, o vagão todo estava meio apagado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aí então o vagão se ilumina. O vagão se ilumina e não foi porque uma lâmpada preguiçosa que estava apagada decidiu acender, foi porque uma garota acabou de entrar. Bonita na medida, bem vestida, charmosa, com um meio sorriso e uma bolsa colorida de bolinhas. Ela –destino, destino– decide sentar-se ali, de frente para ele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então, a garota abre a bolsa e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Versão analógica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;... tira um livro lá de dentro. Nosso amigo reconhece as cores, a foto, o título. A sorte acaba de sorrir para ele: os dois estão lendo o mesmo livro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele procura rápido na mochila e saca o livro também, faz questão de segurar de um jeito que todos possam ver a capa. A garota levanta os olhos, curiosa, para ver o que ele está lendo e... Bingo! O meio sorriso vira um sorriso inteiro. É a deixa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os dois conversam, ele troca para o banco dela, acaba descendo uma estação antes só para acompanhá-la até em casa. No dia seguinte foram à livraria ver as novidades, passaram o fim de semana juntos e o resto vocês já sabem: acabaram juntando as bibliotecas e vivendo felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Versão digital&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;... tira um Kindle lá de dentro. Ela está lendo o mesmo livro que ele, mas nosso amigo não tem como saber: só vê a parte de trás do aparelhinho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sem saber como puxar papo, ele saca da mochila o iPad, para passar o tempo. A garota levanta os olhos, curiosa, para ver o que ele está lendo e... Só vê uma estampa de maçã. O meio sorriso continua meio. Nada de deixas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não conversam. Ela desce numa estação, ele fica na seguinte. No dia seguinte, cada um baixou um livro novo, cada um na sua casa, e o resto vocês já sabem: passaram o fim de semana na Internet. Além do mais, nem daria para juntar as bibliotecas mesmo, porque tem arquivo que nem é compatível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-745198141187291325?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/745198141187291325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=745198141187291325&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/745198141187291325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/745198141187291325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/04/falta-que-faz-uma-capa-de-livro.html' title='A falta que faz uma capa'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4296876844959522414</id><published>2010-03-30T17:13:00.013-03:00</published><updated>2010-03-31T07:57:09.830-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Na estrada</title><content type='html'>Fecho um pouco os olhos por causa do brilho do sol refletido no painel. O asfalto corre a cem por hora aqui bem debaixo dos meus pés, o motor ronca colado ao meu corpo. Tenho o guidão firme nas mãos, a estrada fixa nos olhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estou sozinho na estrada. Minha moto e eu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O vento uiva nos cantos do capacete, agarra nas minhas roupas, brinca com a moto de um lado para o outro. Aprendi que não adianta querer lutar contra, nem adianta fazer força. Tenho é que me sujeitar, relaxar o corpo. Tenho que ser filho do vento. Tenho que ser vento eu também.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um caminhão vem vindo. Cada um desses é um cruzado de direita, faz meu mundo estremecer. Seguro mais forte o guidão e então ele passa pela pista do outro lado, retribuindo minha buzinada. Sei lá, tenho algum tipo de simpatia por caminhoneiros, coisa de moleque. Nada mau levar a vida em cima de uma boleia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora é um apressadinho colado na minha traseira, deve estar pensando que aqui não é meu lugar. Vem cada vez mais perto; não se brinca assim com a vida dos outros. Deixo que passe, desejo boa viagem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sou o mais vulnerável, mas sou o mais livre. E aqui é, sim, meu lugar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dentro do carro, aquele sujeito está vendo a paisagem passar. Já eu estou na paisagem. Sem lataria, sem vidros &lt;span style="font-style:italic;"&gt;insulfim &lt;/span&gt;quebra sol. Ouço o quero-quero que grita em algum pasto desses, sinto o cheiro de mato. Ar pesado, vem chuva. Não estarei dirigindo com chuva: estarei na chuva. Sentirei a água correndo pelo meu corpo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pessoal diz que abrir mão da segurança, do conforto de um carro é loucura. Dizem que é desapego da vida. O que eu digo é que é amor à vida. Inclino o corpo para mais uma curva. Sinto o asfalto chegar mais perto do joelho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Isso é que é vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não espero que me entendam. É discutir o sexo dos anjos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque também isso a moto me ensinou, e também isso é bom: a fragilidade. Tenho que deixá-la em casa num dia de mau tempo, tenho que dar passagem aos maiores, tenho que evitar certos caminhos, tenho que ser cauteloso em cada metro percorrido. Correndo o risco, aprendi o cuidado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Subida. Acelero mais, peço que ela me dê mais e ela responde, obediente. Boa garota. Amigo caminhoneiro me dá passagem e solto outra buzinada. Lembrei: quando era pequeno, pedia ao meu pai que buzinasse para os caminhoneiros. Só de teimosia, faço questão de alcançar e ultrapassar o apressadinho lá de trás. Molecagem, preciso parar com isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sei bem que um buraco, uma pedra, um punhado de areia, uma poça de óleo, um descuidozinho que seja podem me derrubar. Aprendi caindo, mas não me envergonho: é assim que se aprende.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E houve a vez em que não caí; fui derrubado. Acertado a noventa por hora. Foi a mão de Deus, a mão poderosa de Deus. Fugi por vinte centímetros, um palmo me separou da tragédia. Pensaram que eu ia desistir, tinham certeza que eu ia desistir. Mas aqui estou eu. Aqui estamos nós. Carregamos os dois, cavalo e cavaleiro, as cicatrizes de batalha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Existem dois tipos de sujeitos em cima duma moto soltos aí pelo mundo: os que compraram moto por falta de opção e os que compraram por opção. Eu sou desse segundo tipo: não tenho moto porque acho mais barata ou prática que um carro: tenho moto porque não me imagino feliz num carro. Talvez por isso eu goste de cada instante em cima dela. Dou dois tapinhas leves no tanque, como quem agrada um cavalo. Boa menina. Boa menina.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu sou motociclista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estou arrepiado por baixo da jaqueta. A voz está querendo falhar, melhor parar por aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Minha saudação aos irmãos de estrada. Meu respeito aos que já partiram.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Permita, Senhor, que eu chegue sempre ao meu destino.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nossa Senhora Aparecida, padroeira dos motociclistas, rogai por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Esse post foi gravado, junto com o barulho de vento –muito vento–, em cima da minha moto num desses domingos ensolarados da vida. Os campos estavam floridos e as araucárias me pareceram mais lindas que nunca.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(E choveu dali cinco minutos).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4296876844959522414?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4296876844959522414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4296876844959522414&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4296876844959522414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4296876844959522414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/na-estrada.html' title='Na estrada'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6836381802062030565</id><published>2010-03-23T14:39:00.010-03:00</published><updated>2010-04-05T17:07:50.383-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>Uma de comédia romântica</title><content type='html'>Chovia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De longe, ela viu o carro e soube o que ia acontecer. Tem vezes que a gente simplesmente sabe, então ela soube, foi mais para o fundo do ponto de ônibus e começou a chorar por antecipação. Droga.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha passado outro dia na frente da loja, se apaixonado pelo vestido, namorado por uns dias, pensado "ai, mas é muito caro", comentado com as amigas, pensado "ah, mas eu mereço", entrado, provado e saído com a sacola. Em vezes no cartão, várias vezes. O resto do limite foi num sapato, umas bijuzinhas, aquele batom. Essas coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha se arrependido e desarrependido umas dez vezes no ônibus de volta para casa. Provado na frente do espelho e não gostado, depois provado de novo e voltado a gostar. Tinha também ouvido o comentário da mãe e decidido trocar, ouvido a opinião da irmã e resolvido ficar com ele. Tinha se imaginado em situações, virando para a direita, olhando por cima do ombro, andando devagar, ajeitando a alça, jogando o cabelo. Essas coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo porque o cara do financeiro, que não decidia se casava ou comprava uma bicicleta, havia decidido finalmente e a convidado para sair.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Daí o vestido, daí a insegurança, daí a euforia, daí a insegurança de novo e a euforia de novo umas dez vezes, daí ela estar chorando por antecipação no ponto de ônibus numa noite de sexta debaixo de uma garoinha chata com um carro vindo na sua direção. Droga, droga.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então o carro chegou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não, ela não morreu atropelada: foi pior. O carro passou e levantou uma onda de água. Um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tsunami &lt;/span&gt;de lama que molhou os sapatos, emporcalhou a bolsa, respingou no cabelo. E o vestido, acabou com o vestido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então ela voltou para casa, ignorou o pai, mandou a mãe para o inferno, bateu a porta na cara da irmã, desligou o celular, chorou debaixo do chuveiro quente, fez as pazes com a mãe, chamou a irmã para desabafar, ganhou um beijo silencioso do pai, ficou de pijama de pelúcia rosa no sofá da sala assistindo um filme da Jennifer Aniston e devorou todo o chocolate –inclusive um pacotinho de granulado– da casa. Droga, droga, droga.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E aí parou de chover. Às vezes a vida é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas, se ela tiver paciência, semana que vem, o cara do financeiro vai convidar de novo, ela vai ficar o tempo todo com a mão na perna direita para disfarçar a mancha do vestido, eles vão se beijar na hora da música romântica dos créditos e terão três filhos e dois labradores. Só, por favor, não contem nada para ela para não estragar o final.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6836381802062030565?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6836381802062030565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6836381802062030565&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6836381802062030565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6836381802062030565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/uma-de-comedia-romantica.html' title='Uma de comédia romântica'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6416772605653054309</id><published>2010-03-19T13:07:00.002-03:00</published><updated>2010-03-20T07:37:14.201-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Peraí, Manuel, que eu vou também</title><content type='html'>Vou-me embora pra Pasárgada&lt;br /&gt;Lá é que é legal&lt;br /&gt;Todo mundo é gente boa&lt;br /&gt;E leva a vida na moral&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6416772605653054309?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6416772605653054309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6416772605653054309&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6416772605653054309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6416772605653054309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/perai-manuel-que-eu-vou-tambem.html' title='Peraí, Manuel, que eu vou também'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-286098997080808285</id><published>2010-03-19T13:00:00.002-03:00</published><updated>2010-03-24T06:57:37.487-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Literatura #2</title><content type='html'>"Capítulo oitavo: do bom sucesso que teve o valoroso D. Quixote na espantosa e jamais imaginada aventura dos moinhos de vento, com outros sucessos dignos de feliz recordação": só os títulos dos capítulos do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quixote&lt;/span&gt; já dão mais de 140 caracteres. Cervantes daria um péssimo microcontista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-286098997080808285?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/286098997080808285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=286098997080808285&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/286098997080808285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/286098997080808285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/literatura-2.html' title='Literatura #2'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-800063137838157406</id><published>2010-03-16T16:22:00.012-03:00</published><updated>2010-03-17T13:26:13.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Por um triz</title><content type='html'>Quinta passada, estacionei a moto na frente de casa e, quando desci para abrir o portão, dei com um vizinho maltratando dois cachorros. O macho com os dentes arreganhados, a fêmea prenha se encolhendo contra o muro para proteger os filhotes na barriga e o valentão brandindo um pedaço de pau. O sangue ferveu. Perguntei se não preferia bater em alguém do tamanho dele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu queria só que ele me respondesse. Eu estava louco para que ele me respondesse, só uma resposta atravessada. Eu queria só que aquele filho da puta covarde me respondesse. Mas ele não respondeu. Largou a madeira, resmungou que os cachorros estavam mordendo os japinhas que jogam bola na rua –duvido muito que estivessem– e foi embora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O cachorro veio lamber meus pés e eu quase chorei com a gratidão do bicho. Por pouco não gritei para aquele cretino que um vira-lata sarnento de rua era muito mais nobre que ele. Minha mãe arranjou um pote de ração e outro de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E domingo passado, saí de ônibus para a casa da minha noiva e, no que entrei no terminal, dei com três maloqueiros intimidando um garoto meio andrógino. Ouvi só a parte do "vamo te quebrar pra você virar homem". O sangue ferveu. Abri caminho no meio dos marginaizinhos, estiquei a mão para o garoto, comprimentei como se fôssemos velhos amigos –nunca tinha visto–, virei para os três e perguntei se tinham algum problema com meu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brother&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Resmungaram qualquer coisa e foram embora, puxando aquelas calças ridículas para cima. Eu queria só uma resposta atravessada, eu queria só que um filho da puta daquele boquejasse comigo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O garoto arrumou a franja, soltou um "valeu" meio envergonhado e –não esperava por essa– me esticou a lata de Coca-Cola. Eu nem queria beber nada, eu nem tomo refrigerante, mas peguei a lata. Entendi que a Coca era o melhor que ele tinha para oferecer na hora e eu o ofenderia se não aceitasse. Não sei explicar, mas por um segundo tive a impressão de que ele nem esperava que eu fosse aceitar; deve ser sempre assim, quem é que quer beber no mesmo gargalo de um garoto &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi um baita gole, daqueles de encher os olhos de lágrimas. Ele agradeceu de novo quando devolvi a lata, e eu sabia o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve o tempo –eu era pequeno– em que morávamos num conjunto de prédios e no mesmo bloco, se não me engano, morava o seu Zé da Peixeira. Fácil entender o apelido. Lembro dele hoje porque ninguém nunca se meteu com o Zé da Peixeira. Vagabundo nunca mexeu com as filhas dele na rua, malandro nunca roubou pipa dos filhos dele. Duvido que alguma vez o amarelo da padaria tenha dado troco errado para os filhos do seu Zé da Peixeira como fazia comigo, que ainda não sabia contar o dinheiro do leite.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na minha cabeça, acho que ele não foi sempre assim. Devia ser um pacato desses da vida e que, belo dia, cansou de ser só mais um Zé e virou o Zé da Peixeira. Cansou. Cansou de ter muro pichado, mulher desrespeitada, filho judiado, cachorro chutado. Cansou de ser pernambucano mas ser chamado de baiano.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Imagino o que será que foi preciso para que ele resolvesse dar esse basta, qual terá sido a gota d'água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso reclamar, nunca fui perseguido na escola, nunca sofri preconceito. Meu problema era ser tímido e medroso demais. Ficava vermelho só de a professora olhar para mim e tinha medo dos meninos maiores. Todas as minhas primeiras paixões foram platônicas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acabou que por isso eu andava com o pessoal perseguido. Na quarta série meus amigos eram uma gordinha aspirante a metaleira, o único japonês da escola e um garoto pobre que não tinha dinheiro para comprar o uniforme novo para o qual a escola tinha trocado naquele ano. Éramos os que sobravam no canto do pátio na hora do recreio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cresci e aprendi a lidar com isso, decidi que não queria mais sobrar. Fui campeão de vôlei, servi o Exército, liderei movimento na paróquia, namorei a menina que todo mundo queria, perdi o medo de altura, ganhei faixa preta de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;kung fu&lt;/span&gt;, aprendi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;boxe&lt;/span&gt;. Mas não esqueci de como é amargo ser escolhido por último no futebol.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque por mais que eu me pinte de machão nessa história toda, ainda sou tímido e medroso. Ainda me pego recebendo troco errado e não dizendo nada, aceitando o pedido que veio errado no restaurante, pagando a conta absurda de celular sem questionar, ficando no acostamento por causa de uma fechada no trânsito, esperando o próximo ônibus porque o motorista fechou a porta na minha cara, deixando que me puxem o tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que quase fui morto por uma cretina que furou o sinal vermelho e me acertou a noventa por hora, um sujeito buzinava para eu levantar logo e tirar a moto do meio da rua, da frente da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pick-up&lt;/span&gt; importada dele. As pessoas passavam, apontavam e diziam que "motoqueiro é foda". Só que a culpa não era do motoqueiro sentado na sarjeta, era da senhora mãe de família loira, bonita e bem vestida. Antes de ir embora, ela esticou a mãozinha e, com as pontas dos dedos, me deu um cartão de seguro. Não fui capaz nem de responder "eu tenho seguro, não preciso disso". Não fui capaz de nada. Meu corpo inteiro doía, meu orgulho estava despedaçado. Eu me senti um lixo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha gente na rua no dia em que cheguei em casa e ninguém fez nada pelos cachorros. Tinha gente no terminal de ônibus e ninguém fez nada pelo garoto. Tenho medo de ficar como essa gente, de fingir que não vi.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Acho que nunca vou chegar no ponto de virada, na gota d'água. Duvido que um dia vire um novo Zé da Peixeira. Mas às vezes sinto que estou por um triz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-800063137838157406?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/800063137838157406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=800063137838157406&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/800063137838157406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/800063137838157406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/por-um-triz.html' title='Por um triz'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-1092969655048282444</id><published>2010-03-11T16:24:00.004-03:00</published><updated>2010-03-12T09:52:33.294-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Viola</title><content type='html'>Debruçado na janela do apartamento, ele olhou para a viola, largada num canto, atrás da pilha de antigos livros da faculdade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Às vezes tinha essas saudades. Saudades da terra onde nasceu, dos campos onde cresceu, da casa onde ainda –se Deus quiser– voltaria para morrer. Saudade dos pomares, das plantações, dos pastos, dos riachos. Do canto do galo, do grito do quero-quero, do mugido, do relincho, do cacarejo, do pio. Do canto próximo de um sabiá, do som distante de um berrante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Saudades dos dias, mas principalmente saudades das noites.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meses atrás, um telefonema o avisara da morte do pai. O dono da viola. O pai, que carregava a bandeira todos os anos na Festa do Divino. O pai que, todas as noites, tocava antes de deitar-se e que chorou de orgulho quando ouviu os primeiros acordes nascerem das mãos do filho. O pai, sábio de uma sabedoria que não se ensina na escola, que o incentivara a buscar estudo na cidade grande.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De tudo, do que mais ele sentia falta era das noites. Na cidade não se pode ver as estrelas porque as luzes dos homens ofuscaram a luz do céu. Vivem todos tão ocupados aqui em baixo, tão preocupados com aqui em baixo que esqueceram que existe um lá em cima.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando era pequeno, ele se deitava de barriga para cima no terreiro e via a Lua e todas aquelas estrelas. Ficava lá, com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, ouvindo a viola trinar na varanda até que a mãe chamasse para dentro. No dia seguinte, o trabalho era duro: nem tudo na vida é olhar estrelas. Os dias eram difíceis, mas as noites eram gentis e ele tinha saudades delas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então ele saiu da janela. Pegou a viola há tempo tempo encostada e tocou, tocou como se morasse ainda na roça, onde não há vizinhos que reclamem do barulho a essas horas da noite. Uma lágrima correu quando ele viu que ainda sabia como se faz.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E os vizinhos reclamaram, mas só porque não sabem da tristeza que lhe dá a lua cheia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-1092969655048282444?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/1092969655048282444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=1092969655048282444&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1092969655048282444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/1092969655048282444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/viola.html' title='Viola'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-9183900221476972321</id><published>2010-03-09T21:29:00.003-03:00</published><updated>2010-03-10T08:20:02.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Aposentadoria</title><content type='html'>Não há mais lugar&lt;br /&gt;para a fúria dos poetas,&lt;br /&gt;suspira o Godzilla.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-9183900221476972321?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/9183900221476972321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=9183900221476972321&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9183900221476972321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/9183900221476972321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/os-tempos-sao-outros.html' title='Aposentadoria'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4496198196615544410</id><published>2010-03-02T16:16:00.010-03:00</published><updated>2010-03-02T16:55:51.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>De como me tornei marginal</title><content type='html'>Até pouco tempo atrás era coisa que quase todo mundo gostava. Em casa era normal, cresci vendo meus pais e lembro da minha mãe dizer, quando pedia para experimentar um pouquinho, que ainda não, que não era coisa de criança. Vai ver foi isso que me atraiu. Daí que no dia que decidi que não era mais criança eu já sabia o que fazer: comprei um pacote e, olha, me senti adulto. Aquela fumaça subindo, aquele cheiro no ar... Era um negócio charmoso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque aí começou essa onda de ser politicamente correto, saudável, ecológico, sustentável e o diabo a quatro. Começaram com campanhas contra, estatísticas de que todo ano não sei quantas mil pessoas têm problemas em decorrência de, que o Estado gasta não sei quantos milhões com, que não sei quanto porcento da renda familiar acaba indo para, que crianças estão experimentando cada vez mais cedo, que na terceira idade o consumo está avançando. Não era mais inofensivo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pessoal mais impressionado começou a parar preocupado com a saúde. Quem era pai largou para não dar mau exemplo em casa. Quem era solteiro deixou para arranjar namorada. Passou um tempo, a coisa foi aumentando. Mais notícias, mais estudos. Obrigaram a colocar mensagens –"o Ministério da Saúde adverte blablablá"– na embalagem, resolveram proibir em lugares fechados, na escola, no trabalho. Não era mais charmoso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu acabei me adaptando, em alguns lugares ainda era permitido. Frequentava cafeterias no horário do expediente, dava uma fugidinha para uma ou outra lanchonete amiga na hora do almoço. E o povo olhando feio, porque me vieram com essas ideias de consumidor passivo, que quem está por perto acaba se prejudicando também. Aí danou-se: viramos os vilões da história e a coisa ficou séria.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não deu outra: dali um tempo em lugar nenhum podia mais. Só na rua e em casa –se a mulher deixar, e a minha não deixa desde que o Júnior ficou maiorzinho e começou a entender as coisas. Foi rápida, a nossa queda: não era mais permitido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Inclusive vou admitir agora que, no fundo, no fundo, nem acho tão bom assim. É amargo, deixa gosto na boca. Mas é um negócio bacana, relaxa, serve de boa companhia quando eu leio –cá entre nós, serve de desculpa para uma escapadinha no trabalho também. Não consigo ficar sem e, sei lá, não me entra na cabeça que é errado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já me aconselharam a frequentar um grupo de ajuda. Cheguei a assistir uma reunião –mentira, assisti meia reunião–, e, olha, foi demais para minha cabeça. Nada contra quem gosta de sentar diante de olhares de piedade e dizer "oi, meu nome é Fulaninho e já estou há dois dias limpo", mas, desculpem, não faz meu estilo. Decidi que sairia sozinho do buraco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só que não saí.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E agora eu estou aqui, de madrugada na cozinha, escondido da minha mulher, que ameaça sair de casa se me vir de novo tomando uma xícara, improvisando com uma meia e pedindo ao Rex que não comece a latir. Deus me livre, as crianças ficarem sabendo que o pai bebe café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4496198196615544410?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4496198196615544410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4496198196615544410&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4496198196615544410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4496198196615544410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/03/de-como-me-tornei-marginal.html' title='De como me tornei marginal'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6410785568388290748</id><published>2010-02-25T11:08:00.000-03:00</published><updated>2010-02-25T11:09:22.361-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>À tarde, de moto</title><content type='html'>Vejo o pôr-do-sol&lt;br /&gt;pelo espelho retrovisor&lt;br /&gt;–fim de fevereiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6410785568388290748?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6410785568388290748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6410785568388290748&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6410785568388290748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6410785568388290748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/tarde-de-moto.html' title='À tarde, de moto'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2461712380426907961</id><published>2010-02-23T09:38:00.010-03:00</published><updated>2010-02-23T12:49:57.692-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Meeting Rob Gordon</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/2010/02/meeting-bruno-palma.html"&gt;(Clique aqui&lt;/a&gt; para ler a outra parte da história.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um momento de fraqueza, admito, depois de quase quatro horas de pé no sol, no meio do gramado do Morumbi, sem comida ou banheiro, aguentando empurra-empurra, marofa de maconha e cretinices em geral. Peguei o celular e mandei uma mensagem para um sujeito que eu sabia que estava lá em cima, tranquilão, nas cadeiras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi um momento de fraqueza. "Never tell anyone outside the Family what you are thinking again", diria o Don Corleone.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porque não deu nem dois minutos, senti o celular vibrando no bolso, tinha chegando mensagem. Duas palavras só:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Chupa, pista!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pronto. Eu nem tinha visto ainda –sabia só que ele estava lá em cima em algum lugar, ao lado da &lt;a href="http://www.is-adora-ble.blogspot.com/"&gt;única mulher de azul cobalto do estádio&lt;/a&gt;–, mas sabia que estava lidando com o &lt;a href="http://www.twitter.com/robgordon_sp"&gt;Rob Gordon&lt;/a&gt;, o legítimo. "Chupa, pista" só poderia ser coisa dele, ninguém mais na face da Terra responderia assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E esse foi meu primeiro contato com Rob Gordon, o cara do &lt;a href="http://www.champ-vinyl.blogspot.com/"&gt;Championship Vinyl&lt;/a&gt;: trocando insultos via SMS num estádio lotado antes do show do Metallica. Nada mau, eu diria.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E você tá aí em cima fazendo ôla? Que bicha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aí o Metallica entrou no palco. &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/metallica.html"&gt;Aquela história&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um parênteses: antes disso, eu já tinha combinado de encontrar sr. e sra. Gordon no shopping. Não deu. Depois, na entrada do show; não deu. Eu, que me gabo de ser o tipo de cara que recebe ligação convidando pra uma cerveja, responde "só se for agora", levanta e vai, estava me sentindo mal com a situação. O Rob vai pensar que eu sou um fresquinho enrolado, pô! Fecha parênteses.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Depois de uma fila desesperante –&lt;span style="font-style:italic;"&gt;show &lt;/span&gt;é como faculdade: depois de um tempo, você descobre que entrar foi a parte fácil, e que o difícil vai ser sair–, informações erradas, eu querendo matar um e umas cinco voltas ao redor do estádio, achamos o Rob. Exatamente como eu imaginava: careca, baixinho e gente boa. Gente boa de primeiríssima qualidade. No minuto seguinte, já éramos velhos amigos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A aventura no táxi talvez merecesse um post à parte. Quatro marmanjos apertados no banco de trás, motorista míope sem óculos, uma série de manobras ousadas, buzinada da polícia de choque, essas coisas. Mas eu estava com o Rob Gordon, não esperava menos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Decidimos comer alguma coisa. O McDonald's parecia cena de filme do Hitchcock, tomado por uma revoada de corvos pretos –metade dos caras do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;show&lt;/span&gt; decidiram engolir um Big Mac– e o Rob acionou um plano B: Habib's. Lá fomos nós. Boa escolha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"Boa escolha" não porque eu seja chegado numa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;esfiha &lt;/span&gt;–logo, logo aparecem nos comentários alguma piada com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;kibe&lt;/span&gt;, querem apostar?–; "boa escolha" porque não teria lugar melhor para se divertir. Eram duas da madrugada, e qualquer pessoa com um pouco mais de sensatez desliga a tevê num horário desses. Mas o gerente da loja não era um cara sensato e a gente ficou lá, vendo uns estranhos montarem cubo mágico e tocarem qualquer porcariazinha emo. Fora que o garçom –Diego Tardelli, só que de avental– fez confusão com nosso pedido, meu amigo inventou alguma coisa com a promoção de chope que estava além das minhas capacidades matemáticas –algo tipo "eu pago um, você me traz cinco, aí ele pede outro e fica tudo beleza"–, a moça do caixa pensou que estava sendo enganada quando começamos a pegar troco uns dos outros antes de pagar para ela, essas coisas. Eu estava com o Rob Gordon, não esperava menos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia seguinte, fiquei esperando o Rob e, depois de ter visto duas batidas de carro na mesma esquina em menos de dez minutos, soube que ele estava vindo. Dito e feito: vi uma camiseta do Metallica subindo a Teodoro –não sei se foi para me agradar, mas ele estava com uma camiseta do Metallica. Notei que o Rob é como eu: encara a livraria com a mesma naturalidade de quem anda no quintal de casa. Conhece as prateleiras, sabe onde estão os leitores de código de barra, qual coleção é melhor, que editora está lançando o quê, até arruma um ou outro livro –mas só os autores que eu gosto– fora do lugar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não é para ironizar com o tamanho dele, não, mas o Rob é o que eu chamo de um grande sujeito. Anos atrás, quando comecei o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acepipes&lt;/span&gt;, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Championship&lt;/span&gt; estava no começo também. Eu fui um dos primeiros leitores de lá, e ele foi um dos primeiros daqui. Nos despedimos, eu prometi avisar com mais antecedência quando voltasse a São Paulo e subi no metrô. Desci no Tietê, comprei a passagem para um ônibus que saía dali dois minutos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu sou o tipo de cara sentimental que escreve coisas do tipo "cheguei trazendo na bagagem um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;show &lt;/span&gt;memorável, um livro do 007 e uma nova grande amizade". Enfim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Grande sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;ps. Rob, da próxima vez tem Degas.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2461712380426907961?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2461712380426907961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2461712380426907961&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2461712380426907961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2461712380426907961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/meeting-rob-gordon.html' title='Meeting Rob Gordon'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6543713041262771402</id><published>2010-02-20T23:37:00.006-02:00</published><updated>2010-07-09T16:17:52.048-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quase piadas'/><title type='text'>Manoelcarleanas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(Ou "Dos clichês de novela das oito")&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Abertura.&lt;br /&gt;Música do Tom Jobim.&lt;br /&gt;Nascer do sol em Copacabana. Pessoas caminhando no calçadão. Jovens jogando futvôlei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Washington Cleyson correu para pegar o primeiro trem saindo do subúrbio. Tomou um esbarrão de um trombadinha que quase levou a mochila. Deus me livre, os livros da faculdade, que ele conseguiu com tanto esforço. Um dia vou ser doutor, ele pensava. Ser doutor e ajudar minha mãe.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O vagão estava tão cheio que ele nem precisava se segurar. Cochilou em pé mesmo e sonhou com a moça rica que entrou no bar do clube uns dias atrás. Ah, se um dia ela me desse bola...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;O sol brilhava alto e Cíntia Patrícia, a moça rica, caminhava pelo calçadão. Rebolava e balançava bem os braços em suas roupas de ginástica compradas em Miami. Os homens viravam para olhar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No caminho, encontrou o ex-namorado carregando a prancha, ainda molhado do mar. Balançou, mas ficou firme quando ele disse que estava com saudade. Colocou o óculos escuro, esnobou, disse que agora estava bem, saindo com um homem de verdade. E rico. Humpf.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Saiu balançando ainda mais os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A caminho da padaria, dona Teresa Cristina, mulata bonitona, cumprimentava os conhecidos na rua. Toda a rua, na verdade. Como todos os dias, ganhou cantada do malandro desempregado e riu, divertida. Era mulher batalhadora, conhecida na comunidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No balcão, encontrou com a amiga cartomante e comentou que Washington Cleyson tinha vindo de novo com o papo de querer saber quem era seu pai. Queixou-se de que era jovem e boba, como é que foi cair na conversa de patrãozinho? Ficaram de ler as cartas mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Música internacional.&lt;br /&gt;Carros passando no Leblon. Pão de Açúcar. Crianças brincando no parquinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena almoçou entre papéis do escritório. Mulher independente, vivida, divorciada, cuida dos filhos, sustenta a mãe idosa e ainda tem tempo para cuidar da pele e dos cabelos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Telefone. Era sua melhor amiga, para confirmar o fim de semana em Búzios e avisar o bonitão dono da livraria estaria lá também. O som do restaurante começou a tocar uma música conhecida e Helena suspirou ao lembrar de Rodolfo Augusto, o antigo amor de sua juventude. Por onde andava?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aliás, melhor desmarcar Búzios. O que ela precisava mesmo é de uns dias calmos em Petrópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Enquanto o sol baixava no Leblon, Rodolfo Augusto pensava nas mulheres de sua vida. Possuíra muitas, sussurrara ao lado de muitas, mas só uma o fez suspirar: Helena, o amor de sua juventude. Helena, que o deixara quando soube que ele havia engravidado uma antiga empregada da mansão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A luz tingia o apartamento de tons dourados. Por trás das persianas meio fechadas, o mundo lá fora parecia longe demais de seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;flat&lt;/span&gt;. O celular tocou: era Cíntia Patrícia, a lolita inconveniente. Desligou o aparelho. Hoje não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A música suave de fundo e o barulho das pedras de gelo no copo de uísque o deixavam mais calmo. Melhor subir para Petrópolis no fim de semana, pensou. Uns dias calmos em Petrópolis bem que fariam bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Ofendida, Cíntia Patricia jogou o celular na piscina do clube e pediu seu drinque favorito. As amigas pediram só uma aguinha de coco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deve estar com aquela mulher de novo, aquela mocreia velha, bufou de raiva. As amigas elegantemente aconselharam a pagar na mesma moeda e Cíntia Patricia disse que era isso mesmo, que ia traí-lo com o primeiro homem que aparecesse na frente. Ajeitou os óculos escuros.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nisso, chegou Washington Cleyson, o garçom, trazendo as bebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Música do Vinícius.&lt;br /&gt;Pôr-do-sol no Arpoador. Cristo Redentor iluminado. Carros passando.&lt;br /&gt;Créditos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6543713041262771402?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6543713041262771402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6543713041262771402&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6543713041262771402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6543713041262771402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/manoelcarleanas.html' title='Manoelcarleanas'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2097571670202879825</id><published>2010-02-03T17:46:00.009-02:00</published><updated>2010-02-16T15:45:41.187-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seu Glicério'/><title type='text'>No restaurante</title><content type='html'>— E por onde eu abro esse negócio?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Assim, pressão já alterada, encontramos nosso amigo, o tantas vezes incompreendido seu Glicério, brigando com o cardápio –&lt;span style="font-style:italic;"&gt;menu&lt;/span&gt;, aliás– no restaurante onde dona Eulália deu de querer estrear o vestidinho que deu a si mesma de aniversário. Não que ela tenha esperança de que ele note isso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Seu Glicério é homem direto, gosta das franquezas da vida e da culinária. É um amante das coisas simples, dos cardápios de uma folha só, dos nomes de pratos em bom português. Gosta mesmo de um bom rodízio, onde é só sentar e a comida vem até você. Não que isso impeça ele de reclamar, vez ou outra, porque todo cidadão tem seus direitos:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Deve ter algum amigo lá no fundo, olha lá os garçons indo lá de novo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Acho que o churrasqueiro é indiano. Só passa frango, frango, frango...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— O garçom deve estar guardando as picanhas pra levar pra casa, só pode ser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Quem inventou de colocar peixe cru no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;buffet &lt;/span&gt;de churrascaria?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu lá sou homem de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mousse&lt;/span&gt; de maracujá? Eu quero uma fatia de goiabada. Tem?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas hoje dona Eulália viu o restaurante do momento numa revista e decidiu que era lá. E lá estava o casal sentado numa das mesinhas do bistrô, à luz de uma vela e do olhar desconfiado dum &lt;span style="font-style:italic;"&gt;maitre &lt;/span&gt;que, seu Glicério observou, pela magreza não devia ser muito chegado a comida, não. "Comida contemporânea", dizia o luminoso, o que para nosso amigo soa como "nem brasileira nem de lugar nenhum".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Se eu lixar a mesa do jardim, fica igual. Fica melhor, até, que daí eu tiro esses riscos aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— É madeira de demolição, Glicério. Está usando agora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na mesa ao lado, um rapaz de cachecol e de óculos de aros grossos e armação escura, segurava –meio a contragosto, segundo nosso amigo– as mãos de uma menina que, aparentemente, usava as roupas da avó, só que do avesso. Ali mais à frente, uma mulher devolvia um prato, alegando que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feng shui&lt;/span&gt; da semana recomendava que seu arroz viesse à direita, e não à esquerda do filé de soja. E seu Glicério já com a pressão alterada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Olha o tamanho dessas porções. Duas garfadas caprichadas e lá se foram cinquenta mangos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dona Eulália estava indecisa entre um contemporâneo –minicrepes de chá verde ao molho de esturjão e falso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;foie gras&lt;/span&gt; de acelga– e um clássico francês –&lt;span style="font-style:italic;"&gt;gratin dauphinois au vin blanc d'Astarac&lt;/span&gt;. Acabou pedindo, pronto!, os dois: um para ela e um para o marido, que assim ela poderia experimentar tudo. Para seu Glicério, agora já resignado, tanto fazia, era tudo caro do mesmo e pequeno do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bom mesmo, melhor que rodízio, para ele, são os lugares onde nem precisa olhar cardápio, como a cantina do Gennaro, onde é só sentar, pedir um espaguete à bolonhesa e ponto. E quem é amigo, ainda ganha uma jarra de vinho da casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então, chegaram os pratos. Seu Glicério observou que, na verdade, as suas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gratin dauphinois au vin blanc d'Astarac&lt;/span&gt; nada mais eram que batatinhas de aperitivo, iguais às do boteco do Carlão. Só que no boteco do Carlão a porção vem com doze, e aqui veio com duas só. Antes de dar a primeira –e penúltima– garfada, decretou:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E semana que vem é no Gennaro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Comeu e já colocou o remédio debaixo da língua, para evitar o infarto na hora de pedir a conta. Ele sofre, ele sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/search/label/seu%20Glic%C3%A9rio"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; para ler outras desse nosso amigo, bom e velho Glicério.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2097571670202879825?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2097571670202879825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2097571670202879825&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2097571670202879825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2097571670202879825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/no-restaurante.html' title='No restaurante'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8810130263366529833</id><published>2010-02-01T10:14:00.023-02:00</published><updated>2010-03-03T11:16:51.555-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Metallica</title><content type='html'>Engraçado que eu nunca tenha nem citado ele por aqui: Diego de Niro Gonçalves. Desfaço a injustiça hoje, assim com nome e sobrenome, porque o sujeito merece. Estamos aí, este ano, fazendo quinze anos de amizade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois há uns, sei lá, catorze anos atrás, o De Niro –estudamos em colégio militar, a gente ainda se chama por nome de guerra– apareceu na aula com &lt;span style="font-style:italic;"&gt;discman &lt;/span&gt;e um CD de uns caras que eu não conhecia. E eu tirava sarro; pois é, vou dar o braço a torcer: eu tirava sarro. Bom, eu tinha doze anos de idade, acho que isso releva um pouco as coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até que um dia ele achou a solução. Talvez ele nem lembre disso, mas foi um golpe de mestre. Golpe de mestre. Abriu o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;discman&lt;/span&gt;, tirou o CD lá de dentro, tirou a caixinha da mochila, guardou o disco e me esticou: "então toma, leva pra casa e ouve". De Niro nunca foi de aguentar desaforo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E eu ouvi.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;And justice for all&lt;/span&gt;, meu primeiro álbum do Metallica. Lembro de ter gostado especialmente de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;One&lt;/span&gt;, ouvindo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;One &lt;/span&gt;eu larguei definitivamente da minha opinião preconceituosa. Desde então minha paixão pelos caras cresceu. Cresceu a ponto de, no dia trinta de janeiro de 2010, eu me ver no meio de quase setenta mil pessoas num estádio, olhando o relógio a cada minuto, ansioso como poucas vezes na vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Antes de começar, o James Hetfield perguntou, em bom português, se estávamos prontos. Não precisava perguntar, todos estavam prontos. Eu estava pronto. Há anos eu estava pronto. Desde o dia que o De Niro se encheu e me emprestou aquele CD.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então começou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Creeping death, For whom the bell tolls, The four horsemen, Harvester of sorrow, Fade to black, That was just your life, The day that never comes, Sad but true, Broken, beat and scarred&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando vi a lua cheia subindo por trás das arquibancadas, pensei que seria perfeito ouvir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Of wolf and man&lt;/span&gt;. Coisa minha. Sei lá, eu tenho alguma coisa com lobos, vai ver por causa da história do Mogli que meu pai me contava todo dia antes de dormir, todo santo dia antes de dormir. E também foi a primeira música que tocou –nem fui eu que escolhi, estava no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;shuffle&lt;/span&gt;– quando liguei o iPod para tentar me distrair logo depois de ter sobrevivido a uma &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/2007/02/o-assalto.html"&gt;tentativa de assassinato&lt;/a&gt; e que me fez sentir forte de novo na hora mais difícil da minha vida. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"I hunt, therefore I am"&lt;/span&gt;. Mas enfim, não é dos grandes sucessos deles, entendo a ausência no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;setlist&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não tocou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Of wolf and man&lt;/span&gt;, mas tocou &lt;span style="font-style:italic;"&gt;One&lt;/span&gt;, a música que me fez mudar de ideia catorze anos atrás. A música do CD que meu amigo me emprestou, o primeiro sucesso do Metallica na minha vida. Os olhos marejaram.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Master of puppets, Blackened&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então, aos primeiro acordes de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nothing else matters&lt;/span&gt;, eu desabei. Chorei mesmo, de escorrer pelo rosto, e não me envergonho. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Couldn't be much more from the heart"&lt;/span&gt;. Acho que é a música da vida de muito metaleiro por aí, e vendo a letra é fácil entender o porquê. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Never care for what they do"&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enter Sandman, Stone cold crazy&lt;/span&gt; –Queen!–, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Motorbreath &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Seek and destroy&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No final, o James mostrou o braço arrepiado. Sei lá, era eu e mais sessenta e oito mil fãs ali, mas eu também me senti responsável por aquilo, por ter deixado arrepiado um músico com tantos anos de praia, um sujeito calejado da estrada. Devem fazer isso em todo lugar que vão, mas foi legal ver os caras com a bandeira do Brasil, dizendo que se arrependeram por terem demorado tanto para voltar. Senti sinceridade, senti a emoção dos quatro, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;the four horseman&lt;/span&gt;. Porque terminaram o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;show&lt;/span&gt;, tocaram o bis -e que bis!- e ficaram ali no palco, Hetfield, Ulrich, Hammett e Trujillo, meio bobos, não acreditando numa recepção daquelas. E eu estava lá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Acho que nunca escrevi palavrão aqui, sempre vem a primeira vez, então...) Foi do caralho, resumo assim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi do caralho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Valeu a espera de anos, valeu a ansiedade desde o dia do anúncio do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;show&lt;/span&gt; –pessoal do &lt;a href="http://twitter.com/brunopalma"&gt;Twitter&lt;/a&gt; não devia me aguentar mais–, valeu cada minuto de viagem, valeu cada centavo investido, valeu ter aporrinhado, anos atrás, meu melhor amigo até que ele resolvesse me fazer provar do que eu ria sem conhecer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, meu amigo, foi uma honra estar ao seu lado lá. Uma honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"Fiquem juntos sempre, e tudo estará bem."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;-James Hetfield, 30 de janeiro de 2010&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8810130263366529833?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8810130263366529833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8810130263366529833&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8810130263366529833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8810130263366529833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/02/metallica.html' title='Metallica'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5632643734797086147</id><published>2010-01-27T18:46:00.003-02:00</published><updated>2010-01-28T09:14:15.191-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas da vida'/><title type='text'>Verduras e morangos</title><content type='html'>Parado em frente à porta, ele sentiu de novo aquela coisa gelada virando, revirando dentro do estômago. Esticou a mão direita e em seguida puxou o braço de volta, recuou um passo, como se a maçaneta fosse um bicho pronto para o bote.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já tinha hesitado mil vezes antes de chegar até ali, pensado mil vezes, ensaiado mil vezes. Pensado ensaiado pensado ensaiado. Ontem mesmo, depois de ter repetido consigo a fala, parou diante da porta, juntou os fiapos de coragem para bater, aprumou-se, respirou fundo... e não bateu. Antes que alguém perguntasse o que fazia ali, voltou para a mesa sem graça na sala sem graça onde um relatório sem graça –para as cinco, urgente!– o esperava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas hoje não, hoje decidira-se que iria até o fim. Respirou fundo e, usando como combustível a indignação que sentia consigo mesmo por ser assim tão covarde, bateu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sempre assim: "para as cinco, urgente!", "para daqui cinco minutos, urgente!", "para ontem, urgente!". Tudo era urgente. Mas desde uns dias atrás que ele sentia que viver era ainda mais urgente, viver era urgentíssimo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Empurrou a porta, pediu licença, entrou e fechou-a atrás de si. A maçaneta não mordia, afinal. Sentou-se. As mãos suavam, mas ele soube disfarçar bem. A voz saiu firme, muito melhor do que esperava. O sujeito do lado de lá da mesa largou o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mouse&lt;/span&gt;, deixou um pouco de lado a tela de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e-mails&lt;/span&gt;. Estava se saindo bem, afinal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então ele pediu demissão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sentado na sua cadeira de diretor, a única confortável da empresa, o chefe não entendeu, perguntou se era insatisfação com salário, ofereceu um pouco mais, vergonhosamente pouco mais. Mas ele não estava aberto a negociações, estava firme no que havia decido, o chefe não pôde fazer nada a não ser concordar. A tela piscava, novos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e-mails&lt;/span&gt; caíam na caixa de entrada. Era já perto do dia trinta e eles agilizaram tudo para o dia primeiro. Começaria o mês desempregado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Voltou para a sala, onde não disse nada. Não tardou muito, alguém voltou da chefia e espalhou a notícia da demissão. Ninguém entendeu o porquê –"é salário?"–, mas ele nem esperava mesmo que entendessem. Era funcionário antigo da casa, era funcionário exemplar. Abriu suas planilhas, terminou um relatório urgente para as cinco e meia. Voltou para casa já levando algumas coisas das gavetas, para adiantar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dia trinta, despediu-se. Lavou a caneca pela última vez, decidiu deixá-la na copa para quem quisesse, o resto das coisas –pastilhas para garganta, uns cartões, o carregador do celular– coube numa sacola de mercado. Sem alarde, sem choradeira, sem fotografias, sem almoço especial. Na cadeira de diretor, o chefe entrevistava um candidato.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já no dia seguinte, começou a procurar. Passou as semanas seguintes olhando classificados, fazendo contas. Não tinha pressa e só fechou negócio quando achou exatamente o que sonhava. Daí para mudar-se para o sítio foi só questão de tempo. E foi viver.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Está difícil segurar a ansiedade, as verduras demoram para crescer e nem sinal ainda dos morangos. Mas logo ele colhe a primeira safra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5632643734797086147?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5632643734797086147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5632643734797086147&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5632643734797086147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5632643734797086147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/01/verduras-e-morangos.html' title='Verduras e morangos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-733820914289278454</id><published>2010-01-26T19:22:00.001-02:00</published><updated>2010-01-27T08:23:10.577-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Obs</title><content type='html'>É só que eu queria dizer que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;layout &lt;/span&gt;do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acepipes &lt;/span&gt;foi feito com Bloco de Notas e Paintbrush. Acho que nunca contei isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-733820914289278454?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/733820914289278454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=733820914289278454&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/733820914289278454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/733820914289278454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/01/obs.html' title='Obs'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5418940278161368503</id><published>2010-01-26T14:14:00.003-02:00</published><updated>2010-01-26T14:23:18.162-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Dia a dia #11</title><content type='html'>Tenho o hábito de, quase todo dia, escrever um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Haikai"&gt;haikai &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;na cadernetinha. Pois nunca isso foi tão repetitivo como nas últimas semanas. É só chuva chuva chuva. Um saco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5418940278161368503?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5418940278161368503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5418940278161368503&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5418940278161368503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5418940278161368503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/01/dia-dia-11.html' title='Dia a dia #11'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3287073532716630347</id><published>2010-01-14T16:57:00.020-02:00</published><updated>2010-03-02T16:34:59.591-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eu por mim mesmo'/><title type='text'>Quietinho  (ou "Dos traumas da infância")</title><content type='html'>Pré primário. 1988.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os chineses se acham maus porque inventaram a tortura chinesa, os iranianos se acham piores ainda por terem inventado o cinema iraniano, mas a professora Viviane era particularmente cruel.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para quem não sabe, tia Vivi –nome de guerra– tinha um método particular de deixar as crianças sairem de sala, no fim da tarde. Nada de debandar como uma horda pequenos bárbaros arrastando as lancheiras e correndo para ver quem chegava primeiro na perua escolar; saíamos um por um, e na ordem que ela mandasse. Era muito simples: quem estivesse quietinho, podia ir embora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu cruzava os braços sobre a carteira, apoiava a cabeça sobre eles e ficava ali, com cara de eujátôbemquietinhopelamordedeusmechamatia. Era um exercício de autoridade, ali ela mostrava quem é que mandava e quem é que obedecia. Aos cinco anos de idade, nós já nos deparávamos com a dura lei da vida: sempre vai ter alguém maior que você. Sempre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Gabriel.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então o Gabriel ganhava a liberdade e olhares de inveja. Pegava a mochila, a lancheira e podia ir embora. Ficávamos todos ali, nossos destinos à mercê de uma professorinha com avental xadrez, cara de boazinha e lindos cabelos loiros. Lembro, inclusive, de um dia uma menina não ter aguentado a pressão, levantar a mão e pedir:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Deixa eu, tia. Deixa eu!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tia Vivi olhou com complacência, a complacência que prestamos para os fracos, para os que sabemos que, cedo ou tarde, serão engolidos pelo monstro terrível que é o mundo sem nem saberem o que lhes aconteceu, e deixou que a menina saísse. Mas não eu, eu jamais pedi misericórdia, eu era um soldado da linha de frente, um bom infante, e meu orgulho combatente não me permitiu jamais entregar os pontos. Só os fracos pediam para ser chamados. Atrás das trincheiras dos meus braços finos, eu disparava em direção da tia meu melhor olhar de anjo comportadinho. Mas ela era durona:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Marina.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Daniel.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Eu, tia! Eu!)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Carolina.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu dobrava redobrava tresdobrava o silêncio, ficava feito um tigre pronto para o bote de tão quietinho, um atirador de elite em cima do telhado de tão quietinho. E nada. Eu, tia!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Vinícius.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Modéstia à parte, eu era um sujeito quietinho, e era bom no que fazia. Normalmente eu saía rápido e não ficava para ver a espera desesperada dos derrotados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas não naquele dia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Naquele dia fatídico, todos foram saindo e, no final, sobramos eu e um outro garoto: Rafael –sempre tive problemas com Rafaeis na minha vida, mas isso é outra história–, conhecidamente um mau-elemento, o menos quietinho da sala. Eu havia sido abertamente desafiado para um duelo. Tia Vivi olhou para os dois, prendeu a respiração um instante, instaurando aquele silêncio que precede as decisões mais solenes, aquele segundo que tem o peso dos séculos, e então proferiu a sentença que marcaria minha vida dali em diante:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Rafael.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não cheguei nem a ouvi-la dizer meu nome. Saí desconsolado, carregando um peso maior do que o da mochila nas costas. Fui o último a ir embora, derrotado pelo menino mais bagunceiro do pré primário da escola. Estigmatizado pelo resto da vida, praticamente um pária da sociedade. Foi o fundo do poço. Teria pensado nas drogas, se soubesse que elas existiam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora com licença, que eu preciso ir ali me recompor. Escrever isso mexeu demais comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3287073532716630347?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3287073532716630347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3287073532716630347&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3287073532716630347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3287073532716630347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/01/quietinho.html' title='Quietinho  (ou &quot;Dos traumas da infância&quot;)'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3659595302309926356</id><published>2010-01-11T17:21:00.001-02:00</published><updated>2010-01-15T07:09:51.297-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>Contada mil vezes...</title><content type='html'>Um casal normal. Casados há alguns anos, dois filhos pequenos, cachorro, almoço na sogra aos domingos, essas coisas de casal normal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois bem. Os dois tomavam café num sábado, coisa bonita de ver: a mulher tentando fazer o menorzinho acertar a colher na boca, o cachorro roubando o pão do maior, o marido lendo o jornal, caderno de variedades. Então a mulher aponta para a capa:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Querido, é você ali!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O marido fecha o caderno e olha bem para a primeira página. É um homem, mesma altura, mesmo peso, mesmo cabelo, mesmas feições, mesmas roupas. Mesmo tudo, só que abraçado com duas mulatas na quadra de uma escola de samba. A mulher espera uma explicação. Ele analisa a foto mais um instante e solta, impassível:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Acho que não... Não sou eu, não.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E volta para a matéria sobre a nova safra de escritores do leste europeu. Só isso, como se nada tivesse acontecido. Não se assusta, não se admira, não dá explicação, não diz que nem nunca esteve no Rio, não faz drama de como é que você me acusa de uma coisa dessas?. A mulher larga o menino comendo mingau pela testa mesmo e puxa o jornal do marido:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas como não? Olha aqui! E eu não conheço meu marido depois desses anos? É você, seu safado!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele dá mais uma mordida no pão de forma com geleia e diz, na maior naturalidade:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas não sou eu, querida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Silêncio. Uma nuvem paira em cima da mesa. A mulher toma o jornal dele, não quer brigar na frente das crianças. termina de dar comida para o menor, veste os dois e sai para a casa da mãe, o marido e o cachorro que se virem para almoçar. Volta só no fim do dia, coloca os meninos na cama, tira o jornal da bolsa mostra a foto e tenta de novo:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Pode dizer, eu sei que é você.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não sou eu, amor. Agora vamos dormir, vamos?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E apaga o abajur.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Passam dias, semanas. A mulher não se conforma, fala pergunta acusa aponta a foto no jornal; o marido parece não se incomodar. Ela chora grita esperneia ameaça xinga desespera; ele diz que não é ele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Passam meses, anos. Volta e meia, ela volta à foto, diz que não tem mais problema se ele confessar, e o marido sempre na mesma calma, diz que não é ele, esqueça isso, querida. Vêm os netos, bodas de ouro, o bisnetinho e o infarto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A esposa pede que os filhos fiquem no corredor e entra no quarto sozinha. Ele abre os olhos assim que ela entra, faz sinal para que chegue mais perto e fala com dificuldade: &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Eu preciso contar uma coisa, querida: era eu na foto. Era eu abraçado com as mulatas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A mulher recua, horrorizada, não consegue acreditar. Ele repete, diz que, sim, era ele, e pede perdão pela mentira de tantos anos. Ela diz que não, que ele está confuso, que deve ser a medicação que o está fazendo delirar. Ele insiste mais, diz que não pode morrer em paz levando essa mentira. E ela não acredita, não tem Cristo que a faça acreditar. Ele morre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Homens... Mulheres...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3659595302309926356?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3659595302309926356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3659595302309926356&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3659595302309926356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3659595302309926356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2010/01/contada-mil-vezes.html' title='Contada mil vezes...'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8324732059196553885</id><published>2009-12-30T17:13:00.008-02:00</published><updated>2010-01-04T07:25:46.514-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Pensamentos #6</title><content type='html'>Esses dias entre Natal e Ano Novo são sempre meio estranhos: gente que desaparece, gente que reaparece do nada, telefone que não atende, número de celular que muda, notícia de gente que mudou casou teve filho morreu... É como se essa semana fosse a Área 51, o Triângulo das Bermudas do calendário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8324732059196553885?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8324732059196553885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8324732059196553885&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8324732059196553885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8324732059196553885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/pensamentos-6.html' title='Pensamentos #6'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4817138278345371911</id><published>2009-12-28T10:47:00.002-02:00</published><updated>2009-12-28T10:49:57.249-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Cada um...</title><content type='html'>Da ameixeira, ameixas.&lt;br /&gt;Do limoeiro, limões.&lt;br /&gt;Da figueira, figos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4817138278345371911?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4817138278345371911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4817138278345371911&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4817138278345371911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4817138278345371911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/cada-um.html' title='Cada um...'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2261683589014189683</id><published>2009-12-21T11:41:00.020-02:00</published><updated>2010-01-13T09:52:37.387-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parábolas'/><title type='text'>O Frank</title><content type='html'>— E então o Frank puxava esse banco aí, esse aí que você tá sentado, Carlão, pedia uma dose, encostava no balcão e a gente ficava papeando.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O "Frank", no caso, era o Frank Sinatra. E quem contava a história, apontando para o banco do lado direito do balcão, bem em frente ao vidro de rolmops, era o seu Juvêncio, dono do boteco, para mais de cinquenta anos de vida boêmia. E contava sempre assim, com toda seriedade do mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Volta e meia alguém puxava o assunto mais uma vez. Na verdade, era meio que um plano B: quando tudo estava quieto, o futebol estava de férias, naquela época em que acabou o Brasileirão mas ainda não vieram os regionais e o último escândalo político já tivesse dado pizza, eles puxavam o assunto do Frank Sinatra. E o seu Juvêncio não negava prosa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Diz que lá pelo final dos sessenta, começo dos setenta, quando o boteco era recém aberto e nem tinha muita coisa ali em volta ainda, o Frank Sinatra apareceu por aquela porta. Veio um dia, voltou no seguinte e virou cliente amigo. Abria o pote e pescava ele mesmo um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rolmops&lt;/span&gt;, pedia uma caninha e ficava ali, de papo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas se o senhor não fala inglês e o Sinatra não falava português, seu Juvêncio...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Meu amigo, dois semelhantes, quando se encontram, se comunicam. É coisa de alma.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E dava um gole em brinde ao amigo falecido. O pessoal da roda ficava sempre entre indignado e divertido,não sabia se chamava o velho botequeiro de volta à realidade –Sinatra tomando cachaça e comendo rolmops em boteco pé de porco?– ou se incentivava a fantasia dele. Eram histórias divertidas, afinal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Volta e meia alguma mulher, toda chorosa, ligava aqui, desesperada para falar com ele. O Frankie ficava ali, acenando, e eu dizia "Frank Sinatra no meu bar, minha senhora? Não me faça rir!"&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E virava outro gole. O bom do seu Juvêncio é que ele parecia não notar a ironia dos amigos. Quando pediam para repetir alguma, ele fingia não ouvir os risos escondidos e a ironia nas vozes. Para ele, falar do Frank era assunto sério.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Então ele combinou de fazer um sinalzinho. Disse que quando coçasse a orelha, é porque aquela era pra mim. Grande Frank.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Outro gole.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um dia anunciaram atração de gala na Globo: especial do Sinatra. De madrugada, é claro, porque horário nobre é só para cantora de axé. Combinaram de assistir todos ali no boteco. Naquela noite, o seu Juvêncio não contou nenhuma história. Ficou ali, preparando massa e recheio, arrumando o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;freezer&lt;/span&gt;, passando paninho com álcool no balcão de fórmica azul. O pessoal tomou o silêncio como nervosismo: a máscara estava prestes a cair.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lá pelas tantas, cantando &lt;span style="font-style:italic;"&gt;My Way&lt;/span&gt; –justo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;My Way&lt;/span&gt;!–, o Frank Sinatra deu uma coçadinha na orelha direita. Seu Juvêncio deu um suspiro fundo, como quem segura a emoção, levantou o copo em direção da tevê, virou de um gole só e voltou em silêncio para a fritadeira, de onde tirou mais uma leva de pastéis. Tirando a voz do Blue Eyes, o boteco passou o resto da noite em silêncio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— The record shows, I took the blows and did it my way...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desde então ninguém mais pediu para o seu Juvêncio contar nenhuma do Frank Sinatra. Também, por precaução, ninguém mais sentou no banco do lado direito do balcão, o que ficava bem em frente do pote de rolmops. Com essas coisas não se brinca. Vai saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2261683589014189683?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2261683589014189683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2261683589014189683&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2261683589014189683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2261683589014189683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/o-frank.html' title='O Frank'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-3641222818638648980</id><published>2009-12-14T14:14:00.005-02:00</published><updated>2010-01-13T10:09:57.598-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Três anos</title><content type='html'>Sempre publico meus textos do mesmo jeito, com a mesma fonte, mesmo corpo, mesma cor. Mas hoje vou fugir à regra, porque quero escrever aqui um grande e sincero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0); font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;obrigado!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Três anos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acepipes Escritos&lt;/span&gt;. Duzentos e poucos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;posts&lt;/span&gt;, mais de cinquenta mil visitas, um prêmio, um monte de indicações. E o melhor: amigos. Obrigado mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-3641222818638648980?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/3641222818638648980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=3641222818638648980&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3641222818638648980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/3641222818638648980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/tres-anos.html' title='Três anos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2818632785832238578</id><published>2009-12-14T09:26:00.000-02:00</published><updated>2009-12-14T15:27:15.781-02:00</updated><title type='text'>Ele, ela e o Chet Baker</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 17.10.2008)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sexta, depois de uma cerveja com os amigos, ele chegou em casa molhado da garoa fina. Sozinho, ninguém na garupa da moto. Um gato fugiu, rápido, quando ele abriu o portão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Numa sexta, depois de um cinema com as amigas, ela voltou ouvindo música baixinho no carro. Sozinha, ninguém no banco do carona. O cachorro correu para saudá-la na garagem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Debaixo do chuveiro, ele pensava que a havia deixado escapar. Escapar como a água que agora corria para o ralo. Delicada, refinada. Uns olhos que faziam a coisa valer a pena. Bela garota, talvez a que ele andava precisando para deixar de vez de viver do passado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sentada no sofá, ela lembrava de como ele, desde a última vez, sumira. Sumira feito a fumaça do chá que ela agora assoprava. Bem-humorado, bom caráter. Uma voz que a fazia sentir-se mais leve. Bom rapaz, quem sabe o que ela estava esperando para viver o futuro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pensando consigo, ele sabia que tinha mexido com ela. Certa vez concluíra –embora não fosse dizer isso jamais– que ele deveria ser diferente dos outros com quem ela havia convivido até então. Notara como ela parecia mais à vontade e deixava-se afundar lentamente nas cadeiras quando estava ao lado dele e como –coisa tão sutil nela– tocava-lhe as mãos, às vezes, enquanto conversavam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No fundo, ela sabia que havia, sim, despertado o interesse dele. Um dia tivera a impressão –que jamais dividiria com ninguém, para não soar pretensiosa– de que ela trouxera frescor ao mundo tão rígido dele. Notara como ele se empertigava todo ao entrar em algum lugar ao lado dela e achara bonitinho o gesto –parecia tão natural nele– de empurrar as portas e deixá-la entrar antes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para ele, não havia mais volta. Hesitante, deixara o tempo passar, deixara as coisas chegarem a um ponto onde não havia mais conserto. Na verdade, para ele, tudo havia começado errado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para ela, tudo estava perdido. As coisas tinham esfriado, culpava-se por talvez ter sido muito precipitada, talvez tê-lo assustado de alguma forma. Para ela, terminaram tudo errado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas, no fundo, pensava que cederia caso ela voltasse. Censurava-se por ter pensado demais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Porém, tinha uma esperança de que ele aparecesse. Consolava-se por ter sentido demais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No quarto, antes de dormir, ela ouvia Chet Baker. Lembrava de terem comentado uma vez e sorrido ao descobrir esse gosto em comum.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E no quarto, antes de dormir, ele amaldiçoava Chet Baker porque cantava, com sua voz mansa, no ouvido dela, tudo o que ele fora covarde demais para dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2818632785832238578?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2818632785832238578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2818632785832238578&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2818632785832238578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2818632785832238578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/ele-ela-e-o-chet-baker.html' title='Ele, ela e o Chet Baker'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5216964530599884900</id><published>2009-12-13T18:20:00.001-02:00</published><updated>2009-12-13T18:23:02.046-02:00</updated><title type='text'>A casinha branca</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 1.3.2007)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol, que acabara de se levantar, iluminava a casinha de madeira. Paredes, portas, janelas, grades, tudo branco. O nascer do sol dava à casa um brilho delicado, ao contrário dos prédios de concreto e vidro que a ladeavam. Uma casinha frágil no meio dos prédios brutos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, enquanto a cidade acordava, a velhinha regava seu jardim, com a serenidade que os anos lhe deram. Embora os prédios não lhes concedessem mais que algumas poucas horas de sol, as margaridas do jardim continuavam floridas como há quase cinqüenta anos. Ainda não era época de rosas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como fazia há cinqüenta anos, ela sorriu quando o velhinho empurrou o portão e entrou com o pacote de pão debaixo do braço. Deixou o regador no canteiro e os dois entraram, ela primeiro, ele depois.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A mesa estava posta como sempre desde que ficaram sozinhos: duas colherinhas e uma faca; duas xícaras e um açucareiro de porcelana branca; manteiga e um bolo coberto por um pano de prato bordado. Dedicada, ela serviu o café, colocou o bule de volta no fogão e sentou-se para comer o pedaço de pão que ele já lhe havia cortado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os dois conversaram sobre os filhos que não apareciam há algum tempo e os netos de quem tinham poucas notícias. Falaram sobre o passado, mas não sabiam do futuro. Comeram o bolo de laranja em silêncio. Terminaram o café e ela tirou a mesa enquanto ele fechava as janelas brancas. Tinham de sair.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O velhinho abriu a porta para que a velhinha saísse e deu-lhe a mão para que descesse os três degraus da varanda. Embora o pulso não tivesse mais a antiga força, a gentileza era a mesma de cinqüenta anos atrás. Fechou o portão e os dois saíram na direção de todos os dias. Mas hoje não iriam passear.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Moravam ali desde que se casaram, quando ele anunciou que havia comprado um lote num setor novo da cidade. Não havia ainda todas aquelas casas, muito menos as lojas e os prédios. Construíram juntos a casa, que sempre foi branca, e plantaram juntos o jardim, que sempre foi florido. Os filhos cresceram e hoje moram em prédios cinzentos sem flores e sem varandas. E aos netos nunca interessou brincar no balanço ou procurar ninhos nas pitangueiras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Andando de mãos dadas, reconheceram no caminho os locais onde um dia ficavam a sapataria, a mercearia, a quitanda e a farmácia. Lembraram da casa da árvore aonde iam, às vezes procurar as crianças, que sumiam o dia inteiro. Hoje tudo lojas, prédios e escritórios. Da rua tranqüila também nada sobrava, exceto por uns pedaços do calçamento e alguns ipês um tanto descuidados. Nada também dos velhos vizinhos, renderam-se todos. Os dois atravessaram a avenida o mais rápido que puderam, mas o sinal ficou verde antes que chegassem ao outro lado. O tempo já não era suficiente. Os motoristas buzinaram.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entraram num escritório. Um homem gordo, apressado, estendeu-lhes duas cadeiras, mas foi o velhinho quem ajudou a esposa a se sentar. Quase não conversaram: já há alguns meses a proposta fora feita e o homem sabia que, hora ou outra, eles viriam. Todos um dia vêm. Disse algumas palavras e tirou uns papéis de uma pasta, uma pasta entre tantas. Uma casinha entre tantas. O velhinho tomou a caneta e, mãos trêmulas um tanto pela idade, um tanto pela emoção, olhou para sua velhinha por uns instantes. Encontrou ali, no silêncio do mesmo olhar doce de cinqüenta anos atrás, a força de que precisava. Sentiu os olhos embaçarem, suspirou e assinou o papel. Todas as vias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E os dois saíram de mãos dadas, no ritmo que as pernas permitiam e que a tristeza impunha, em direção à casinha toda branca onde moraram durante toda uma vida. Mas logo não morariam mais, e amanhã o velhinho sairá pela última vez para buscar pão enquanto a velhinha rega pela última vez seu jardim de margaridas floridas. E as rosas não chegarão a florescer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5216964530599884900?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5216964530599884900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5216964530599884900&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5216964530599884900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5216964530599884900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/casinha-branca.html' title='A casinha branca'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-460480160600703658</id><published>2009-12-12T11:43:00.002-02:00</published><updated>2009-12-12T11:43:54.434-02:00</updated><title type='text'>Quinze anos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 11.4.2007)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxava uma carroça cheia de papelão, mas, no mais, era uma menina como qualquer outra. Talvez pensassem que por ser pobre ela poderia ser diferente, mas não era nem um pouco: ela queria as mesmas coisas que todas as outras meninas queriam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha vontade de ser estrela de televisão, modelo, bailarina ou professora. Vontade de alisar o cabelo e comprar uma roupa daquelas de vitrine de loja. Queria acabar o segundo grau e ganhar um anel de presente de formatura. Poderia nem ser de ouro, mas tinha de ser dourado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Também, como qualquer menina, tinha vergonha dos meninos. Tinha um lá no bairro que sempre a olhava de longe. Num domingo ela o viu jogando bola com os outros garotos e achou que ele era o melhor jogador do mundo. Ficou ali, quietinha, torcendo para ele fazer um gol, um gol só para ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E hoje, bem hoje, a menina fazia quinze anos. Desde o ano passado sonhava com uma festa: via-se dançando com um príncipe, imaginava as amigas segurando arranjos de flores e uma mesa cheia de bolo e refrigerante. Sorria toda vez que imaginava o pai de terno e sapato, achava a idéia engraçada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já de noite, a cidade —e as latas de lixo— começou a ficar vazia: hora de voltar para casa. Ela sabia que as bancas estariam fechadas, mas passou em frente ao mercado de flores, só porque era bonito. E de longe viu alguma coisa numa lata de lixo, uma coisa branca. Surpresa!, era um buquê de margaridas. Um pouco murchas, mas, mesmo assim, eram as mais lindas flores que ela jamais ganhara. Aliás, as únicas flores que ela jamais ganhara.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Passou pela praça e viu que a catedral já estava enfeitada para o Natal. Ficava tão linda, tão brilhante com aquelas luzes todas. Um pipoqueiro ouvia música no radinho de pilha. Era uma música bonita, como as que o avô dela ouvia quando vivo. A menina ficou ali, escutando, e, já que ia sobrar mesmo, ganhou do pipoqueiro um pacotinho: pipoca doce, com coco.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi quando chegou na praça o menino do futebol, aquele que ficava olhando de longe. Ele baixou os olhos, tímido, sorriu e disse um “oi” envergonhado. Comentou do tanto de papel que tinha conseguido no mês e disse que, olha só, ele ficou sabendo que hoje era aniversário, juntou um dinheirinho e comprou um presente. Tirou do bolso um pacotinho de papel vermelho e entregou à menina. Teve a impressão de que as mãos dela tremiam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A menina sorriu ao ver, dentro do pacotinho, um anel dourado. Agradeceu um tanto envergonhada e já logo o colocou no dedo. Deu certinho. O anel não caberia em outra mão que não a dela. Ela sorriu e mais balbuciou que falou um “obrigada”. O menino chutou umas pedrinhas do chão e comentou algo sobre a música, que ele achara tão bonita.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E, enquanto os sinos da catedral soavam as horas, os dois dançaram ao som do radinho sob as luzes brilhantes. Margaridas, pipoca doce, música, sinos, um anel e um príncipe, o melhor jogador de futebol do mundo. E a menina soube, lá no fundo, que Deus existia e que Ele havia lhe dado uma festa de quinze anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-460480160600703658?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/460480160600703658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=460480160600703658&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/460480160600703658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/460480160600703658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/quinze-anos.html' title='Quinze anos'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5252349474678896833</id><published>2009-12-11T13:03:00.001-02:00</published><updated>2009-12-11T13:05:39.293-02:00</updated><title type='text'>Talvez</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 30.7.2008)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um fazendeiro. Um fazendeiro que, como todos os fazendeiros de história de "era uma vez", não era assim lá um latifundiário. Tinha sua terrinha, vivia do seu trabalhinho honesto —pessoal de história de "era uma vez" é sempre honesto—, ensinava suas coisinhas para os filhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois bem, um dia, como sempre acontece nas histórias de "era uma vez", o destino quis que sucedesse uma reviravolta na vida do nosso bom amigo: sumiu-lhe o cavalo. O cavalo que puxava arado, carroça e a fazenda inteira nas costas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os vizinhos, loucos por uma desgraça como todo bom brasileiro, correram para prestar solidariedade. Ajudar que é bom, ninguém ajudou, mas ficaram ali, com aquelas lamentações de sempre:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Rapaz, que uma vez um primo meu perdeu oitenta e sete cabeças de gado lá pras bandas de Lavras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E que a gente trabalha a vida inteira para conseguir juntar umas coisinhas e aí me vem um filho da...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ó céus, que falta de sorte!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As outras são só gracinhas, essa última lamentação é a que interessa na nossa história de "era uma vez". Foi para ela que bom fazendeiro respondeu:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Talvez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia seguinte, o cavalo, que de burro não tinha nada, deu as caras de novo. E trouxe junto um pessoal que conheceu na sua aventura: três outros cavalos selvagens, coisa mais linda —está certo que não devem mais existir cavalos selvagens nem nas planícies da Mongólia, mas história de "era uma vez" sempre ignora uma ou outra lógica. Os vizinhos correram, dessa vez para fazer festa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Olha que no fim das contas tudo termina bem quando acaba bem, compadre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Mas dá até pra levar pra feira, esses três!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Masbá, que beleza de bagual! Que buena sorte, tchê!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;(Esse último era gaúcho.) Nosso fazendeiro largou, com a calma de sempre, a resposta de sempre:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Talvez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia seguinte, o filho do fazendeiro resolveu dar umas bandas num dos novos cavalões. Aparecer na cidade, impressionar umas meninas, essas coisas. Deu que o cavalo, que nunca tinha usado arreio estribo sela barrigueira nem nada desse tipo, refugou empinou relinchou. Tanto fez que derrubou e estropiou todo o rapaz. A vizinhada correu para urubuzar a nova tragédia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Ai, que meu neto se acidentou com a moto e tomou quarenta e nove pontos na cabeça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E que depender do SUS nesse país...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Jesusmariajosé, que desgraça!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O fazendeiro, servindo refresco para essa turma toda porque era um bom anfitrião, respondeu:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Talvez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia seguinte, a Fátima Bernardes apareceu no plantão dizendo que o Bush resolveu invadir o pedaço. O povo entrou em desespero, o exército se mobilizou, juntou as tropas e correu para recrutar soldados. Um sargento passou e foi levando todos os jovens da região para recepcionar os ianques. O filho do fazendeiro, todo escalavrado que estava, não foi convocado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os vizinhos:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E que esse governo só lembra de pobre quando precisa de gente para morrer...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Rapaz do céu, que hora boa que você foi cair do cavalo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Que sorte!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E o fazendeiro:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Talvez.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E por aí vai, acho que deu para passar o espírito da coisa. E alguém ainda tem dúvida de que assim, tocando a vida na maciota, o fazendeiro viveu feliz para sempre?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5252349474678896833?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5252349474678896833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5252349474678896833&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5252349474678896833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5252349474678896833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/talvez.html' title='Talvez'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4092929153892840361</id><published>2009-12-10T08:49:00.002-02:00</published><updated>2009-12-10T09:25:43.262-02:00</updated><title type='text'>Prima Doroti</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(originalmente publicado em 26.6.2007)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariado, seu Glicério, bermuda e chinelo, empurrava o carrinho pelos corredores do supermercado, arrastando os pés. Dona Eulália corria de uma prateleira a outra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Será que ela prefere molho ao sugo ou bolonhesa?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Qualquer um. Quem vê pensa que ela faz cerimônia para comer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;"Ela" era a prima Doroti, que vinha do interior para fazer uns exames do coração e aproveitaria para almoçar e passar a tarde com dona Eulália. Mexericando e beliscando, como diz nosso amigo. E ele que pensou que os problemas com família haviam terminado quando enterrou a sogra. Que nada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— E vamos levar uns sequilhos, para a gente conversar de tarde.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Exatamente: mexericando e beliscando, pensou nosso amigo. Doroti era prima de primeiro grau de dona Eulália. Herdara em tudo os hábitos da geração anterior das matriarcas da família. O mesmo jeito de falar com o dedinho levantado na asa da xícara, o mesmo jeito de andar, lidando com todo aquele tamanho; o mesmo jeito de apertar as bochechas das crianças, que do mesmo jeito fugiam dela. Usava, por baixo das saias, as mesmas anáguas também.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Não me deixa esquecer o chuchu para o suflê.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ia ser aquela de sempre. Prima Doroti chegaria, ofegante, e jogando todo aquele peso no sofá. Abanando-se com o mesmo lenço listrado com que enxugava a testa lustrosa e queixando-se que a vida não anda fácil, menina. De lá só se levantaria para sentar-se à mesa, não antes de fazer alguma cerimônia, que ela está de dieta, mas vai aceitar só porque o suflê está lindo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Durante o almoço, prima Doroti contaria a mesma história da vizinha que fugiu com o padeiro e largou as três crianças, vê se pode? Talvez falasse também daquela do conserto da geladeira. E a dona Eulália ali, mão no rosto, escandalizada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ainda sem se levantar depois do almoço —e deixa que o Glicério lava a louça, que ele adora ajudar em casa—, iriam tomar chá com bolachas —muitas bolachas, que, ai, estes sequilhos estão maravilhosos. E as risadas? Seu Glicério tentava nem pensar nas risadas. Na saída, a prima ainda levaria uma travessinha de bolo de laranja com coberta por um pano de prato bordado. Mas só para não fazer desfeita, menina.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo isso ainda não havia acontecido. Mas nosso herói já sofria por antecipação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Você está vermelho, Glicério. Vou aproveitar a prima para medir sua pressão. Ela fez enfermagem no curso técnico quando era mocinha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O bom era que o mercado estava cheio de moças sorridentes com amostras grátis. Assim ele se distraía um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Claro que não podia faltar uma do &lt;a href="http://acepipesescritos.blogspot.com/search/label/seu%20Glic%C3%A9rio"&gt;seu Glicério&lt;/a&gt; na seleção.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4092929153892840361?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4092929153892840361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4092929153892840361&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4092929153892840361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4092929153892840361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/prima-doroti.html' title='Prima Doroti'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-4099445268920348153</id><published>2009-12-09T09:27:00.004-02:00</published><updated>2009-12-09T09:44:33.835-02:00</updated><title type='text'>Na livraria</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 10.1.2008)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a vi, ela estava na seção dos nacionais. Tinha acabado de passar pela poesia e começava agora a olhar os títulos de prosa. Foi o incentivo que eu precisava para deixar de lado as gôndolas centrais, das sugestões da loja —que eu nunca aceito—, e também me aventurar entre as prateleiras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Demorei um pouco num livro do Drummond para dar a ela alguma dianteira. Mesmo de rabo de olho foi possível ver que era bonita. Os sapatos e a bolsinha colorida denunciavam um par de olhos de menina por trás dos óculos. Ela avançou até Clarice Lispector: bom sinal, leitura de mulher forte, independente. Avancei, enfim, para a mesma prateleira e fingi interesse num Jorge Amado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Passando os dedos finos, mãos delicadas, pelas lombadas, ela analisou com cuidado o Q e o R. Rachel de Queiroz, Mario Quintana, Nelson Rodrigues, Guimarães Rosa. Talvez procurasse algo, mas, pelo visto, não encontrou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Então, de um salto, ela pulou para o final dos brasileiros. Pegou um do Verissimo pai, Erico, e olhando alguns Cony, eu senti um rastro suave de perfume. Decidi chegar mais perto. Machado de Assis, o bom e velho, me ofereceu uma posição estratégica, logo ao lado dela. Senti melhor o cheiro, doce na medida certa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela devolveu o livro e passou os olhos pelos do Luis Fernando, Verissimo também. Não se interessou por nenhum. Será que, como eu, ela já tem todos e está esperando o próximo lançamento? Não pode ser só coincidência. Um sorriso que quase quer aparecer no cantinho dos lábios mostrou que, sim, é uma garota bem-humorada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Num movimento gracioso, ela virou para a prateleira de trás e entrou no domínio dos estrangeiros. Eu me demorei ainda um pouco nos nacionais e, de costas para ela, pude ver melhor seus cabelos. Pretos, macios. Nem alta nem baixa: sob medida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Li a surpresa nos olhos dela quando viu os Borges e pensei, triunfante: "tolinha, ainda não sabia que estão relançando as obras completas dele". Eu pensava que teríamos muito o que conversar e então ela se abaixou, para ver melhor o Calvino. Será que ganharia algum ponto se contasse a ela que tenho quase todos?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Decidi tomar a dianteira e fui até o Dostoievski, no fim da estante. Quando passei por ela senti novamente o perfume e imaginei o calor do seu corpo. Não demorou muito até que ela, ignorando o García Marquez, passasse por mim e fosse para o outro lado da estante. "Instigante", esta era a palavra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A estante baixa e a posição estratégica do Umberto Eco permitiram que eu ficasse frente a frente com ela. Tinha os olhos baixos, provavelmente na letra J, quem sabe James Joyce. Dei a volta também. Um Hemingway amigo ofereceu-me refúgio, rápido. Estiquei os olhos e vi que errei: não era Joyce, era Kafka que ela olhava. Ela umedeceu os lábios com a língua e eu, num gesto atrevido, atravessei o braço diante dela, os corpos quase se tocando, para alcançar um Llosa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez por imaginar que eu tivesse algum problema —sem notar, eu lia a capa de ponta-cabeça—, ela fugiu para longe, pediu socorro ao Pamuk. Decidi impor o ritmo da coisa. Fui ganhando terreno e empurrei-a para o Proust. Calor no fundo da livraria, ela levantou os cabelos num coque improvisado —ai, meu Deus!—, mostrando a pele branquinha do pescoço.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Demoramos bastante no Saramago, o velho Zé ajudou a acalmar os ânimos. Não tentei dessa vez nada mais ousado. A certo ponto, ela fez um "hum" de interesse —o que para mim foi o suficiente para adivinhar que tinha boa voz— e, em seguida, deu um passo para o Tolstói.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Virginia Woolf. Estavam acabando os livros. Decidi pedi-la em casamento, assim de uma vez: "oi, quer casar comigo?". Juntaríamos nossas bibliotecas e viveríamos felizes para sempre!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas então ela deu uma guinada brusca e voltou para as gôndolas centrais, as horrendas gôndolas centrais, dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;best-sellers&lt;/span&gt;. Pegou o último do Paulo Coelho e foi para o caixa. Fiquei ali, meio sem reação e, pela vitrine, eu a vi indo embora. Não corri atrás.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Posso ter perdido a mulher da minha vida, mas Paulo Coelho não entra lá em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-4099445268920348153?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/4099445268920348153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=4099445268920348153&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4099445268920348153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/4099445268920348153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/na-livraria.html' title='Na livraria'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8702926846979975364</id><published>2009-12-08T08:48:00.003-02:00</published><updated>2009-12-08T09:05:55.945-02:00</updated><title type='text'>Tarot</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 8.5.2008)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há meses eu tento escrever uma história de suspense com cartas de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tarot&lt;/span&gt;. O Calvino escreveu um livro só com isso e ficou genial; eu nem tenho tanta pretensão, só queria uma história curtinha mesmo. Mas deparo-me sempre com dois problemas: nem eu acredito muito e nem eu entendo nada de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tarot&lt;/span&gt;. Nadinha. O negócio é que acho as cartas muito charmosas, vejo nelas uma possibilidade literária muito grande. Sem contar que aumentaria minha popularidade escrever sobre coisas assim esotéricas —vejam só o Paulo Coelho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pensei talvez numa coisa assim: uma mulher de roupão de seda cai do décimo terceiro andar de um hotel no centro da cidade. Aquela comoção, os populares fazem roda para olhar, os bombeiros e o socorro chegam tarde demais, o IML é chamado. Então um rapaz repara que ela segura uma carta na mão esquerda. Num gesto meio impensado, ele pega a carta e esconde debaixo das blusas. Não sabe por quê fez isso, mas sentiu que devia, as teias invisíveis do destino o moveram. Sai andando apressado, as mãos suando de nervosismo. Dobra a primeira esquina, entra, ofegante, numa cabine telefônica e olha para a carta que tem escondida sob a jaqueta: é a rainha de copas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ou assim: um sujeito entra num &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pub&lt;/span&gt;. O lugar é meio escuro, quase vazio, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;neon&lt;/span&gt; atrás do balcão pisca de tempos em tempos, no fundo toca um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blues&lt;/span&gt;. Num dos cantos, um cara meio estranho, encapuzado, dispõe um baralho na mesa. Nosso sujeito senta no balcão e pede um uísque duplo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cowboy&lt;/span&gt;. Passou por um dia muito difícil, precisa de um bom trago para pensar na vida, nas teias invisíveis do destino. O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;barman&lt;/span&gt; erra no pedido e serve rum com duas pedras de gelo. Porém, quando nosso amigo levanta os olhos para reclamar, vê que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;barman&lt;/span&gt; sumiu. Então o homem do capuz vem na sua direção e lhe entrega uma carta: é o enforcado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ou então: um contador solteirão resolve comemorar a aposentadoria com uma viagem no Expresso do Oriente. Numa noite, enquanto toma uma sopa no vagão restaurante, ele é abordado por um sujeito visivelmente transtornado que fala algo sobre as teias invisíveis do destino, entrega-lhe um envelope e sai, apressado. Em seguida, passa por ali um russo albino enorme, mais parece um urso polar, com uma cicatriz que vai de fora a fora no rosto, e toma o mesmo rumo. Ouve-se um estampido lá fora. Nenhum dos dois aparece de volta. Mais tarde, na sua cabine, o contador abre o envelope: dentro há uma carta de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tarot&lt;/span&gt;, o arcano do usurpador.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E aí é que entram mais problemas: não sei como terminar nenhuma das possibilidades, suspeito que minha interpretação das cartas esteja errada e acho que nem deve existir um arcano —se é que é mesmo essa a palavra, "arcano"— do usurpador.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Melhor deixar para lá, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Esse &lt;/span&gt;post &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ganhou uma releitura –muito melhor que meu texto original– que foi publicada pela Stephanie no &lt;/span&gt;&lt;a href="http://alevezadoser.blogspot.com/2008/05/os-arcanos-e-outros-mistrios.html"&gt;blog &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dela&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8702926846979975364?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/8702926846979975364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=8702926846979975364&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8702926846979975364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8702926846979975364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/tarot.html' title='Tarot'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-6986125877707255653</id><published>2009-12-07T10:00:00.003-02:00</published><updated>2009-12-07T10:53:29.753-02:00</updated><title type='text'>Desencontros</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Série especial de aniversário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(publicado originalmente em 29.3.2007)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vinha descendo a rua. Avoada, pensava na vida, cabeça de mulher. Bonita, feminina, atraente, essas coisas. Inteligente, adorava arte e sabia tudo sobre café. Ia a confeitarias e reproduzia as receitas em casa no fim de semana. Gostava da cumplicidade, da troca de olhares, dos segredinhos em comum, de dançar coladinho. Fazia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;yoga&lt;/span&gt; e viajava quando podia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele vinha subindo a rua. Olhava, mas não via nada, cabeça de homem. Boa pinta, bem vestido, perfume, essas coisas. Culto, gostava de literatura e entendia de vinhos. Apreciava boa comida, sabia cozinhar alguma coisa. Gostava da provocação, do flerte, do beijo no cantinho da boca, de oferecer rosas, deixar bilhetinhos. Lutava &lt;span style="font-style:italic;"&gt;boxe&lt;/span&gt; e acampava quando podia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela chegou na esquina. Perguntava-se onde arranjaria um homem bonito, mas não assim comum. Um cara que se interessasse pela sua vida, que visitasse sua família aos fins de semana sem fazer cara feia. Que a levasse num lugarzinho charmoso e falasse sobre música e poesia, mas também roubasse um beijo, de sopetão. Refinado, sensível, mas masculino como homens devem ser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele chegou na esquina. Queria saber se um dia conseguiria uma mulher bonita, mas inteligente, de personalidade. Uma assim que gostasse das suas coisas, que lhe acompanhasse num passeio no parque com o cachorro. Que lhe provocasse e deixasse as coisas no ar, mas também sorrisse com doçura quando ele a olhasse nos olhos. Firme, decidida, mas feminina como mulheres devem ser.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela parou para esperar os carros. Gostava do último namorado, mas acabou desiludida. As amigas ajudaram, chorou até esquecer. Ia sozinha ao cinema e sentia a falta de um ombro onde se acomodar durante o filme. Imaginava quando conheceria o homem que a faria pensar em filhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele parou para esperar os carros. Era apaixonado pela última namorada, mas ela o acabou deixando. Consolou-se, ocupou-se até esqueceu. Saía com os colegas depois do trabalho e invejava de longe a felicidade dos casais. Pensava se um dia voltaria a fazer planos ao lado de uma mulher.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os carros pararam e ela atravessou. Olhou, preocupada, para a esquerda, para certificar-se que os carros não avançariam. Não viu o homem atrapalhado que passou ao seu lado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os carros pararam e ele atravessou. O celular tocou e ele atrapalhou-se procurando o aparelho no bolso. Não reparou na mulher preocupada que passou bem ao seu lado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela continua duvidando que exista um homem que valha a pena. Ele continua não acreditando em alma gêmea. E vão andando por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-6986125877707255653?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/6986125877707255653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=6986125877707255653&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6986125877707255653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/6986125877707255653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/desencontros.html' title='Desencontros'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-8583144995833783344</id><published>2009-12-07T09:46:00.005-02:00</published><updated>2009-12-14T14:19:25.664-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='editorial'/><title type='text'>Sete, seis, cinco, quatro...</title><content type='html'>Contagem regressiva! Semana que vem, dia 14, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acepipes &lt;/span&gt;sopra velinhas. Três anos, está virando um rapazinho já.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como forma de comemorar –e de apresentar coisas antigas para os leitores novos–, vou publicar durante uma semana, todos os dias, os que eu julgo os melhores &lt;span style="font-style:italic;"&gt;posts&lt;/span&gt; que já apareceram nessas páginas verdes. Pode ser?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-8583144995833783344?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8583144995833783344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/8583144995833783344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/sete-seis-cinco-quatro.html' title='Sete, seis, cinco, quatro...'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-5824601623851119995</id><published>2009-12-01T08:11:00.000-02:00</published><updated>2009-12-01T08:12:32.917-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='haicais e poemas'/><title type='text'>Despeito</title><content type='html'>Os cachorros presos&lt;br /&gt;latem para o gato que&lt;br /&gt;desfila na rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-5824601623851119995?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/5824601623851119995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=5824601623851119995&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5824601623851119995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/5824601623851119995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/12/despeito.html' title='Despeito'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6447774049890669846.post-2087459816868723426</id><published>2009-11-30T10:59:00.005-02:00</published><updated>2009-12-07T10:15:23.889-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aperitivos'/><title type='text'>Filmes #6</title><content type='html'>Estava assistindo o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=94n2hDg-vTg"&gt;filme&lt;/a&gt; sobre a vida do mestre &lt;span style="font-style:italic;"&gt;zen &lt;/span&gt;Dogen Zenji, e lá pelas tantas ele diz: "Flores na primavera, cucos no verão, a lua no outono, neve gelada no inverno". Genial. Simplesmente genial. Fiquei pensando como ele definiria o mundo hoje, quando faz frio no verão, chove no inverno, existe furacão no Brasil e a flor de maio lá de casa está desabrochando agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6447774049890669846-2087459816868723426?l=acepipesescritos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/feeds/2087459816868723426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6447774049890669846&amp;postID=2087459816868723426&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2087459816868723426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6447774049890669846/posts/default/2087459816868723426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acepipesescritos.blogspot.com/2009/11/filmes-6.html' title='Filmes #6'/><author><name>Bruno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16367629544448282789</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_Nw_cubkHzDk/Sh5fAbzfZyI/AAAAAAAAAAM/5diM1Za00x8/S220/msn_oculos.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
