19.4.07

Ciência

Desde a época da tia Terezinha, na segunda série, eu calhei de achar ciência uma chatice. Isso porque tudo tem que ser provado, refutado, explicado, refutado. É tudo muito respeitoso, tudo muito engomadinho.
     Seria tão mais interessante se fosse algo mais caloroso, mais passional. Imaginem Charles Darwin discursando sobre sua teoria da evolução num clube inglês. Todos fumando cachimbos, pernas cruzadas, terninho marrom. Tratando-se por "sir" e "milorde", uma falsidade que só. Então levanta-se um bispo anglicano e aponta o dedo para o Charles:
     — Não é só porque sua mãe tem pêlos nas costas que todo mundo é descendente de macacos!
     Então o Darwin parte para cima do pulha e resolve à moda antiga: com os punhos. Enfia-lhe a teoria da evolução goela abaixo. Não seria muito mais legal?
     Visualizem Einstein, apresentando sua teoria da relatividade numa reunião com os maiores gênios científicos da época. E todos com cara de interrogação. Ele vira para o lado, balança a cabeça e comenta para si mesmo, baixinho:
     — Eu não tenho culpa se vocês são imbecis demais para entender. Tsc, tsc, cretinos...
     Só que o microfone ainda estava ligado. O pau come no lugar.
     Ou o Galileu num discurso inflamado:
     — Vou provar que a Terra não é o centro do universo
     — Ah, vai? Você e mais quantos?
     Ou o Newton:
     — ... e então, os dois corpos chegam juntos ao solo.
     — Ah, é? E se jogarmos a senhora sua mãe, ela cai com que velocidade?
     Talvez até o Nietzsche, que não era cientista, tomasse um corretivo no mesmo estilo:
     — ... por isso eu declaro, senhores: Deus está morto.
     — Vai ver quem está morto, seu canalha!
     Mas não. Ficam naquele papo de prova, refuta, prova, refuta. E aula de ciências é sempre a mesma coisa. Depois reclamam que as crianças não se interessam.
     Prefiro ficar com a minha imagem de Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão —ok, pesquisei o nome no Google—, depois de ver sua descoberta ser rebaixada a "planeta-anão", cortando os freios do carro do presidente da Academia de Astronomia, rindo baixinho:
     — Anão, é? Tudo bem, tudo bem. Quem ri por último, ri melhor...

23 comentários:

Jane Malaquias disse...

Pois vc precisa ver o povo discutindo filosofia no blog do Antônio Cícero, o irmão da Marina Lima, é um negócio tão elevado, um diálogo nas estrelas.
Como já disse Ariano Suassuna no seu romance A Pedra do Reino, prefiro descender do gavião e da onça!

dän disse...

ninguem merece...
ninguem merece...
ninguem merece.

como sempre, me divirto
ao ler seus posts sarcasticos!

Paulo Rosa disse...

É meu amigo...
Porque tu acha que eu treinava Kung Fu?

Vocês é que pensam que é tão calminho assim... ;)

Inhame Filosofante disse...

hauahauahau concordo com o senhor até alguém refutá-lo...

Aline Ribeiro disse...

Hhahahahahahaha... eu ri demais disso, boas gargalhadas aqui do outro lado do país.
Também nunca fui fã de ciências, outra q achava horrenda era aquilo de geração espontânea: como assim roupa suja gera ratos? Atrai é com fedor! Ô povo q era burro meu Pai! rs...

Cristiano Contreiras disse...

É absurdo como teu blog tem um ótimo conceito, que contextualiza - além dos próprios sentires íntimos - um cotidiano e dia-dia. Sua escrita realmente me pegou!

E tenho dito: você vai longe.

abração

De Niro disse...

HEhehe

Eu sempre gostei de ciências. Do lado experimentador, Doc. Brown, Beakman da coisa.

O lado acadêmico sucz em qualquer área.

Bia Ferreira disse...

Mas então como é que se faria então? E se Galileu perdesse a briga, ficaria provado que a terra é o centro do universo????

Juliana Marchioretto disse...

tambpem prefiro mais passionais. deve ser por isso que escolhi a área de humanas...

bjo

Duda disse...

temo que as discuções sobre ciências políticas não sejam tão calmas assim hehe
abraços!

Simplismente disse...

Muito xique isso aq
Goste!
Bjo

Júlio Câmara disse...

Ciências,chatice.Tô com você!

Isadora A. disse...

Eu fico imaginando essa pancadaria entre os personagens de diversos livros chatéeeeeerrimos, aqueles mesmo, dos vestibulares. Até o dia que uma dessas malditas provas deu como opção uma narrativa contando o embate de Rita Baiana e a Amélia, aquela da música.

Dai eu desisti e me resignei ao meu humilde lugarzinho.

Késia Maximiano disse...

ahsuahsua
adoro esse blog...
=)))

bjosss

Jô Beckman disse...

Física é uma ciência que não consigo entender....não tem quem ponha na m,inha cabeça....kkkkk
beijos

Menina Punk do Cérebro Verde disse...

Realmente muito interessante.
Adorei

Monize disse...

huahauhauahuaha
Muito bom!
Seria muito mais divertido mesmo!
Puxa... mas esse blog ta bombando!!!
hehehehe
Um Beijão

Jane Malaquias disse...

Lembrei! tem um documentário chamado: La sociologie est un sport de combat, estrelando Pierre Bourdieu.
Não vi, mas pelo título acho que vc ia gostar.

Recka disse...

Talvez se todos fossemos mais passionais o mundo seria um lugar melhor, mais cheio de valores.
Realmente dar um par de luvas a certos cientistas e ver o pau comer seria, no mínimo, engraçado...
Esse texto me lembrou uma tirinha:
http://baunilha.org/wulff/?p=98

*CLara* disse...

Perfeito... rs

Como sempre, seus textos muito bem escritos e com uma dose de humor deliciosamente sutis...

Beijinhos.

Anônimo disse...

Bruno...com muita sinceridade..."show de bola" como é bom rir de algo inteligente e bem escrito.
Eu até fico sem jeito de comentar seus textos...me sinto um pouco analfabeta do gênero.
Um abraço Eliane

Ivã Coelho disse...

Tese e antítese. Uma dialética profícua. Ciência totalitária da velharia. No fundo qualquer bom humor a calma nos devolveria.

Aprovado!

Pathaua Brasil disse...

uma vez tava numa aula de estética e o professor viajandão... qdo me dei conta ele tava contando uma historia doida, da mãe não sei de quem, que teve não sei quantos filhos... eu pensei, credo, filosofia é uma coisa muito louca né, parece os bastidores da história chata do Platão.
Concluo que talvez tudo que vc imaginou tenha acontecido!

hahaha pirei!