9.5.07

O destino do pobre Yun Fang

Sentei-me na pastelaria e pedi um pastel especial com refresco. De abacaxi, que a cor do de laranja não estava lá muito convidativa. Na televisão, num canal chinês, o que me pareceu ser uma novela. Claro que não entendi lhufas —uma legendinha cairia bem—, mas fiquei tão envolvido no drama que criei minha própria interpretação.
     Tsai Chang estava à beira da morte no leito do hospital provincial de Hubei. A enfermeira o medicou e saiu do quarto, deixando-o a sós com um delegado com cara de canastrão, o sub-oficial Leng Lo. Silêncio por um momento. Então, lentamente, o homem da lei virou-se, revelando uma cicatriz medonha no lado direito do rosto.
     Logo matei a charada, a mim eles não enganam: o delegado Leng Lo é, na verdade, o mafioso Guang Yu, chefe do submundo de Hong Kong. Tsai é um homem bonachão, leva uma vida pacata numa propriedade rural com sua única filha, a bela Lien Ching, mas vive atormentado pelos fantasmas do passado: ele foi ninguém mais, ninguém menos que o lendário líder da cruel tríade de Mu Giang.
     Amparado por Guang Yu está o pequeno Yun Fang, um menino de cabelos espetados e expressão desamparada, cujo segredo somente Tsai Chang conhece. E, depois de anos de silêncio, o moribundo está prestes a revelar o futuro do pobre garoto. A pergunta é: por que raios ele chamou justo Guang, seu maior inimigo?
     Quase xinguei —e em bom português mesmo— quando perdemos o sinal. Logo agora! A chinesinha do balcão também mostrou nervosismo, dando a entender que minha interpretação estava certa: seja lá o que fosse, estávamos presenciando um momento decisivo na trama.
     Parei de comer. Segundos de tensão. Yun Fang, seja forte!
     Quando a imagem voltou, Tsai jazia morto e a jovem Lien Ching chorava, desesperada, a morte do pai. Então, friamente, o mafioso em pele de advogado tomou a mão do menino e o conduziu para fora do quarto, rumo ao seu destino. Passaram os créditos.
     Paguei a conta, contrariado, e fui embora, sem saber o que foi feito do pequeno Yun Fang. Será que ele voltou para a casa da doce vovó em Beijing? Foi para o orfanato do severo educador Mao? Teria sido adotado como herdeiro do império mafioso de Mu Giang? E já pensou se venderam seus órgãos no mercado negro de Lin Feng Hu?
     Nunca vou saber. Ai, como eu queria falar chinês...

12 comentários:

Lari Nakao disse...

O complicado aqui foi decorar os nomes dos personagens. Quase td igual!!
Não, eu n conheço esta história!! hahaha. Abraços

dän disse...

HAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHA

"Força Yun Fang!"
"Força, Junior!"

morri, morri de rir.
muito bom! hahahahahaha

valeu pelos comentários,
adorei! estou animada
com essa coisa de "temas".

Amelie disse...

Hahahahaha, ótimo!!!!!!!!!

Com certeza a versão dicou melhor que o original! rs...

Bjo

*CLara* disse...

ah que pena...imaginação cortada assim, é pra desanimar mesmo...

P.S: hehe, eu não assisti...

Beijinhos com café bem quentinho pra espantar o frio....

De Niro disse...

É o que eu digo faz anos. Leia o TaiPan que vc vai curtir. :P

dän disse...

o "Oi" do dia.

Aline Ribeiro disse...

O Fantástico mundo de Bruno!
Qta imaginação heim?
Bjo e bom fim de semana

Diva disse...

Hiiiiiiiiiiiiiii... Num conheco...nao passou aqui em Mocambique...Tambem tou afim de saber o final. Contem la, sejam bonzinhos...
Bjs meus

Alf. disse...

uahauhauahauahauhauaha... cara fiquei mais confuso que cego em tiroteio...

...é tanto nome Chinês...

flw cara! abraço!

Inhame Filosofante disse...

também quero saber como termina

dän disse...

hehehe... eu sei desenhar dedos, foi só charme para fugir do assunto! enfim... vim te ler... ver se tem post novo! tá na hora! heheheh... beijos, bom domingo!

Jane Malaquias disse...

Yun Fang foi mandado pra casa de uma tia avó brasileira ,a sra. Li,dona de um karaokê e tornou-se um astro da música sertaneja.