10.3.09

Foi numa tarde ensolarada

Fui presenteado com uma tarde de sábado ensolarada, dessas tão raras em Curitiba. Não poderia deixar passar uma oportunidade assim. Pode parecer mentira, mas uma garoa fina, um borrifo de nuvem, caiu quando fechei o portão: saí debaixo de um arco-íris. Não poderia deixar passar uma oportunidade assim, não mesmo.
     Talvez fosse tarde demais, talvez já houvesse muito tempo entre nós, talvez eu já a tivesse deixado escapar, talvez ela já estivesse cansada da minha demora. Mas algo me dizia que não, uma tarde que começava assim não poderia ter um final menos do que perfeito.
     Subi na moto e saí. Saí numa tarde ensolarada de sábado, debaixo de um arco-íris. Saí não sem rumo, não só por sair, como por tanto tempo vinha fazendo; saí e tinha porque sair, tinha porque chegar. Por quem chegar.
     Ela me esperava. E quando a vi, aquele sorriso, aqueles olhos azuis me disseram que ainda era tempo.
     Passeamos pelo museu. Há quanto tempo eu esperava por alguém que fosse ao museu comigo, há quanto tempo eu esperava alguém que me perguntasse qual quadro gostei mais, alguém que me mostrasse algo em que eu não tivesse reparado, alguém que me lembrasse de pegar os catálogos, que me ensinasse a olhar mais de longe, que risse dos meus comentários e fizesse outros que me fizessem rir.
     Todos os bancos estavam lotados, todos os bancos menos um. Não poderia deixar passar uma oportunidade assim.
     Sentamos. Respirei fundo. Olhei para longe. Falei.
     Na hora eu neguei, mas tudo bem, agora eu admito: minhas mãos tremiam, sim. E o coração pulava. Mas quando terminei, ela olhava para mim, só para mim, e eu soube que teria a resposta que esperava. Eu poderia morar dentro daqueles olhos azuis. E tenho certeza de que eu caberia neles, porque existe um mundo lá dentro.
     E um beijo.
     Conversamos, falamos sobre o tempo perdido, tempo que decidimos não perder mais.
     E meu mundo, que andava tão silencioso, que andava tão sem graça, ganhou luz, cor, ganhou aquele perfume doce que eu senti quando a beijei no fim do dia antes de voltar para casa.
     Talvez não valha nem a pena comentar o tombo bobo que eu tomei de moto logo depois. Escorreguei sozinho, caí como um menino que cai de bicicleta e levantei rindo de mim mesmo. Rindo da vida, rindo para a vida. Vai ver o amor me deixou bobo.
     Ela saiu de um quadro do Botticelli para a minha vida. E eu a amo por isso.

17 comentários:

Diego disse...

It's a good day to be alive, Sir. Good day to be Alive.

;)

Magnum Opus disse...

E eu q ja ia fala pro meu pai faze miai com a japa do restaurante...

Letícia disse...

"Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher..."

Lari disse...

muito lindo...
eu e meu marido estamos tão felizes por esse acontecimento...

Lubi disse...

feliz e merecido, Bruno.

Um beijão.
;-)

Barbarella disse...

O que seria da vida sem o amor...

felicidades.

**

Nelson disse...

Amar e proteger esse novo mundo é um momento áureo na vida do homem. Meus sinceros parabéns e agradecimentos pelo texto.

Stephanie disse...

é tão bom chegar aqui e encontrar texto novo =)

melhor ainda é saber que há inspirações, felicidades, vida (cicatrizes?) por trás dessas palavras

e mais uma vez, seus textos me fazer sorrir e dessa, especialmente, fico mais alegre ainda por saber que você está feliz

aproveita! ;-)
beijo!

Mariliza Silva disse...

ahhhhhhhhhhh
definitivamente o amor é lindoooo!!!!


que seja eterno enquanto dure e depois dure mais 15 anos!!!

beijão

Mariliza

Criiis ;) disse...

Eu queria que essa história acontecesse comigo também ;/
O amor, um turbilhão de sentimentos. Tudo tão confuso!

Gabi disse...

Seu textos são tão,mas tão leves.

Sempre saio daqui com um sorriso no rosto e uma vontade de sair correndo por aí e ser feliz.


Seja MUITO feliz!

E,por favor,deixe a gente ser feliz com você.

;D

hibiscus mutabilis disse...

As coisas acontecem nos momentos certos, os encontros, reencontros, perdas e ganhos também. Certamente você será muito feliz! E estou muito feliz por vocês!


Parabéns!

Larissa Bohnenberger disse...

Ah, que lindooooo!
Até me deu vontade de encontrar alguém para ter tardes como essa, também. Eu, que sou sempre tão independente, que sei ser feliz sozinha, aquela coisa toda. E tudo isso continua sendo verdade, mas às vezes bate aquela vontade de ter as cores do meu mundo realçadas por um amor.
Bjs!

Mariliza Silva disse...

Querido

Renovei nossa casa: o blog “tempodesaturno.blogspot.com”

e agora com meus amigos blogueiros linkados devidamente para que eu possa acompanhá-los com mais frequência!

Visite também meu novo blog “comentariosnotempo.blogspot.com” (anexo do Tempo de Saturno) com os Comentários em forma de poesia que recebi nos posts do Tempo.

Aguardo sua visita!

Sugestões são bem vindas!

Um grande abraço

Mariliza Silva

o amnésico disse...

Ah, Afrodite...

Elga Arantes disse...

O amor mexe mesmo com as pessoas, não é? Repare quantos comentários para esse seu texto-confissão!

Também vivo um momento parecido. Não tão explícito, por enquanto, mas seria bom se se tornasse. Vamos aguardar!

Tudo de bom!!

Natalia Máximo disse...

Lindo, Bruno. Fiquei sorrindo e até vi um solzinho clareando tudo aqui no meu quarto, às 23h05.