19.5.10

Zwkrshjistão: um baluarte da democracia

capítulo quinto – política e relações internacionais

O Zwkrshjistão é uma república democrática, até segunda ordem do presidente Tzawsëj Trçakydf. Sua Excelência está já em seu oitavo mandato e tem mostrado sinais sutis de que vai, num gesto de sacrifício e abnegação pessoal, ceder ao apelo popular e aceitar o desafio de uma nona gestão no ano que vem.
     O presidente Trçakydf é muito conhecido por sua popularidade junto aos jovens. Promove, anualmente, o Concurso Pequeno Ditador nas escolas primárias do país. O vencedor ganha todas as despesas de exílio perpétuo pagas na Sibéria, como forma de assegurar que não liderará uma revolução no futuro.
     Homem de espírito paternalista e protetor, o presidente dá preferência a secretários, ministros e funcionários de sua família, ainda que nenhum deles tenha o ensino primário completo. A primeira-dama, a elegante e roliça madame Ïkrsfglja Trçakydf, passa onze meses ao ano em spas, escolhidos a dedo pela sua mãe e mantidos com dinheiro público. Correm boatos de que não é por coincidência que, nos breves períodos em que ela vive no palácio presidencial, o presidente apareça em público com um dos olhos roxo.
     Devido a um mal-entendido envolvendo um espião –o serviço secreto zwkrshjistanês é um dos mais eficientes do mundo, tanto que não existem informações sobre ele– e os freios da limusine de um alto diretor da Onu, o Zwkrshjistão não é parte da organização. E, como ninguém tem interesse no seu queijo coalhado de leite de mula e toda produção de vodka de cebola é consumida internamente, não participa dos grandes tratados comerciais.
     Sendo uma nação pacífica e que abomina a luta por motivos mesquinhos, o Zwkrshjistão não se envolveu nas Guerras Mundiais ou quaisquer campanhas internacionais, exceto pelo massacre de Zznhshjk, em 1973, quando cento e cinquenta mil crianças e idosos foram mortos em virtude de um resultado controverso nas quartas de final da série B do campeonato regional de futebol zwkrshjistanês.

(Nota: a pedido do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Tzawsëj Trçakydf, o último parágrafo foi suprimido da corrente edição.)

6 comentários:

Ariel Martins disse...

Muito bom rsrs

Magnum Opus disse...

Imagino que alguns políticos daqui andaram por terras zwkrshjistanesas e voltaram com novas ideias...

Alexandre Olsemann disse...

Me emocionei. Muito bonito o trabalho do presidente.

Rebeca Soraes disse...

Um absurdo esses conflitos internacionais, essas tais Guerras Mundiais. Para que haja uma guerra é preciso, ao menos, ter um bom motivo, como no digníssimo caso do massacre de Zznhshjk, em 1973!

tayse naiara disse...

O serviço secreto Zwkrshjistânes é, definitivamente, muito bom.

tayse naiara disse...

O serviço secreto Zwkrshjistânes é, definitivamente, muito bom.