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16.10.10
Dia a dia #12
Toda vez que pego o potinho de tampa vermelha penso que meus ancestrais mataram e morreram, moveram mundos e fundos, se aventuraram em mares desconhecidos só para que eu pudesse polvilhar um pouquinho de canela em cima do arroz doce. Sem contar o cravo no doce de abóbora. É um negócio meio solene.
30.9.10
Filmes #7
Acho engraçado como, quando entram na locadora, as pessoas correm direto para a prateleira dos lançamentos como se todo o resto da loja fosse invisível, como se, depois de um mês, os filmes deixassem de valer a pena. Aqui em casa mesmo, toda vez que chego em casa com uma sacolinha, ouço sempre a mesma reclamação: "ai, mas é tudo catálogo..."
Era só isso que eu queria dizer.
Era só isso que eu queria dizer.
8.8.10
Só um parênteses
Eu bem que já tinha cantado a bola antes. Pois hoje, no almoço de dia dos pais, minha avó pediu atenção na sala e anunciou: arranjou um computador e vai fazer curso de informática.
Acho que o próximo passo é o Nobel de química ou a conquista da humanidade. Questão de tempo.
Acho que o próximo passo é o Nobel de química ou a conquista da humanidade. Questão de tempo.
19.3.10
Literatura #2
"Capítulo oitavo: do bom sucesso que teve o valoroso D. Quixote na espantosa e jamais imaginada aventura dos moinhos de vento, com outros sucessos dignos de feliz recordação": só os títulos dos capítulos do Quixote já dão mais de 140 caracteres. Cervantes daria um péssimo microcontista.
26.1.10
Dia a dia #11
Tenho o hábito de, quase todo dia, escrever um haikai na cadernetinha. Pois nunca isso foi tão repetitivo como nas últimas semanas. É só chuva chuva chuva. Um saco.
30.12.09
Pensamentos #6
Esses dias entre Natal e Ano Novo são sempre meio estranhos: gente que desaparece, gente que reaparece do nada, telefone que não atende, número de celular que muda, notícia de gente que mudou casou teve filho morreu... É como se essa semana fosse a Área 51, o Triângulo das Bermudas do calendário.
30.11.09
Filmes #6
Estava assistindo o filme sobre a vida do mestre zen Dogen Zenji, e lá pelas tantas ele diz: "Flores na primavera, cucos no verão, a lua no outono, neve gelada no inverno". Genial. Simplesmente genial. Fiquei pensando como ele definiria o mundo hoje, quando faz frio no verão, chove no inverno, existe furacão no Brasil e a flor de maio lá de casa está desabrochando agora.
24.7.09
Dia a dia #10
Você começa a questionar a própria masculinidade quando abre o armário do banheiro e encontra lá dentro mais que pasta de dente e espuma de barbear. Veja que no armário do Chuck Norris, por exemplo, nem espuma de barbear tem.
* * *
(Ainda não me acostumei muito ao fato de "dia-a-dia" ter virado "dia a dia", sem hífen. Fazer o quê?)
* * *
(Ainda não me acostumei muito ao fato de "dia-a-dia" ter virado "dia a dia", sem hífen. Fazer o quê?)
2.7.09
Pensamentos #5
Tem vezes que eu passo dias pensando pensando pensando num novo texto e tudo que consigo escrever é... –sei lá– uma vírgula. Mas tudo bem, parando para pensar, talvez isso não seja assim de todo mau: uma vírgula bem colocada pode mudar a Literatura.
10.5.09
Dia a dia #9
Outro dia fui à padaria comprar um bolinho para o café e, quando fiz o pedido, me dei conta de que poderia ter arranjado problemas. Em tempos de politicamente correto, bolo nega maluca virou "afro-descendente com distúrbios psicológicos".
12.3.09
19.1.09
Pensamentos #4
Eu, de minha parte, já me acostumei com o tal Acordo. Mas o que será que diria o incompreendido e jamais dignamente louvado Dom Quixote, nosso heroico —estão vendo como aprendi mesmo?– cavaleiro da triste figura, quando descobrisse que o nome de sua doce inimiga, senhora Dulcineia del Toboso, não deve mais levar acento?
29.11.08
Dia-a-dia #8
Outro dia, quando minha mãe veio dizer de novo que era perigoso chegar de moto de madrugada em casa, eu respondi que "mas eu sou perigoso também, mãe" e ela quase acreditou. Quase. Preciso assistir de novo o Um punhado de dólares para praticar meu olhar de Clint Eastwood.
15.11.08
Filmes #4
Não sei, não acho que tenha sido boa ideia esse Daniel Craig como Bond, James Bond. Para mim, ele está muito mais para tomador de cerveja do que para apreciador de martini. Ainda se fosse Guinness não seria nada mau, mas tenho certeza de que ele toma Antarctica.
4.10.08
Dia-a-dia #8
Sempre que eu acordo de noite, dou de cara com dois olhos de um monstro demoníaco me espreitando. Aí que eu lembro que é só o capacete guardado em cima do armário. Essa lei nova dos adesivos refletivos pode até proteger minha vida no trânsito, mas um dia me mata de enfarte na cama.
Pensamentos #3
Eu não tenho nada guardado. Absolutamente nada. Trabalho de faculdade, cartinha de ex-namorada, nota fiscal, conta paga, desenho que eu fiz seiláquantos anos atrás, rascunho de texto que não saiu, roupa que não uso mais, livro que nunca li... Tudo vai para o lixo ou vira doação. Por isso é que não posso ser famoso: ninguém nunca vai conseguir organizar um museu sobre mim.
26.8.08
Filmes #3
Esses dias tenho freqüentado uma prateleira meio esquecida da locadora: a dos westerns. Faroeste, bangue-bangue mesmo. E o mais legal são os títulos: Meu ódio será sua herança; Vendo caro minha pele; Mais um para o inferno; Texas, adiós; Um caixão para o xerife; Django não perdoa, mata... e o campeão: Com Sartana cada bala é uma cruz.
Dia-a-dia #7
Saí correndo do bar para tentar argumentar com o guarda, mas nada feito: chegou a multa lá em casa. Foi o estacionamento mais caro da minha vida: noventa reais por dois minutos. E de moto, que costuma custar meia.
18.7.08
Dia-a-dia #6
Bonança nada: depois da tempestade vem sempre o trabalhão para limpar a sujeira que a enxurrada carregou para dentro de casa. Enfrentei uma crise de criatividade e apatia que dá sinais de ter passado, mas agora estou com o problema do pós-enchente: no meu pendrive, pasta "textos incompletos", existem 23 arquivos. Aos poucos vamos dando fim em tudo.
31.3.08
Dia-a-dia #5
Abri as cortinas hoje na hora exata em que o sol nascente tingia todo o céu de um amarelo delicado. Sabe aquela coisa de a hora exata, o sol na posição exata por trás das montanhas, as nuvens com o desenho exato, num dia exato do ano a cada sei-lá-quantos milhares exatos de anos? Fiquei ali, olhando, embevecido —sempre quis usar esta palavra, "embevecido".
Ou eu ando muito sentimental de novo ou a beleza de uma simples manhã é magnífica mesmo.
Ou eu ando muito sentimental de novo ou a beleza de uma simples manhã é magnífica mesmo.
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